Nunca se viu tantos casos de câncer como hoje, e o combate a ele ganhou armas poderosas na medicina. Contudo, a hereditariedade assombra quem tem casos na família, ao ponto de pensar ser inútil lutar nesta guerra. Mas a despeito da hereditariedade, o que você come e como vive pode, sim, influenciar nas chances de ter um tumor, de sofrer com ele e se vai conseguir afastá-lo para bem mais tarde na vida, se o tiver. É claro que você já sabe que álcool e cigarro são agentes do mal e devem ser jogados fora imediatamente, para que você já entre ganhando batalhas nessa guerra.

Todos os nossos órgãos são formados por células que se multiplicam o tempo todo, tomando o lugar das que morrem. O crescimento desordenado das células é que origina tumores que podem se espalhar para outros órgãos e tecidos, independentemente de onde tenham surgido. Embora existam tratamentos como a quimioterapia e radioterapia, a Sociedade Brasileira de Oncologia afirma que 60% dos diferentes tipos de câncer poderiam ser evitados pela mudança de hábitos de vida, especialmente na alimentação. Algumas frutas e legumes são verdadeiros soldados nessa luta contra o tumor, e você vai aprender nesta matéria a usar outras armas e estratégias que podem ajudar a vencer.

1. Elimine a barriguinha

Aperte o cinto, literalmente. Perder aquela barriguinha que insiste em incomodar é mais importante pra sua saúde do que para a autoimagem. Isso porque a gordura abdominal é um gatilho para diversas doenças, incluindo o aumento da incidência de câncer de intestino. Pesquisadores do Imperial College London, na Inglaterra, afirmam que, a cada 2,5 centímetros a mais na cintura, o risco de um tumor nos intestinos cresce 3%. Todos falam do cigarro, que, sem dúvida, é um tiro certeiro para a morte, mas, depois desse hábito nocivo, manter o peso é o mais importante, segundo pesquisadores do World Cancer Research Fund (Fundo Mundial de Pesquisas em Câncer).

Os estudiosos explicam que só na Inglaterra – onde o povo é consideravelmente mais magro que no Brasil – mais de 2.700 casos de câncer no intestino poderiam ser evitados apenas com o controle do peso. E o local da gordura é o fator mais importante. Na cintura e na barriga, ela envolve órgãos vitais e libera toxinas. Para se ter um parâmetro, as mulheres devem ficar dentro dos 80 centímetros, e os homens, com cintura até 94. O argumento mais forte contra a gordura nessa região é que ela desequilibra os hormônios que alimentam esse tipo de câncer. Exercícios aeróbicos como caminhar com energia, correr, pedalar ou nadar entram na lista de atividades contra a cinturinha de ovo. Quando a gordura for embora, uma barriguinha sarada já estará lá aguardando.

2. Corte a gordura do prato

Hambúrguer, batata frita e muito chocolate. Esse é o cardápio ideal para muitos adolescentes, mas, além de não representar nenhum arroubo de nutrição, essa comilança desregulada na puberdade pode comprometer a saúde anos depois, mesmo que não se tornem adultos obesos. O risco é ainda maior para as meninas que, segundo pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan, Estados Unidos, têm maior risco de câncer de mama. Os testes com animais em laboratórios provaram que as refeições com muita gordura produzem inflamações na glândula mamária e facilitam o aparecimento de tumores.

Some-se a isso o fato de que, na puberdade, o desenvolvimento e divisão celular estão a mil, e os processos inflamatórios podem se tornar um problema para a vida toda. Certo é que, nessa fase da vida, a pessoa se acha imortal e imune a tudo o que é ruim, por isso os pais têm um papel importantíssimo em conscientizar os filhos e facilitar a escolha de bons alimentos. Muitas vezes, os tutores reclamam que os filhos não comem salada nem coisas saudáveis, mas desistem na primeira vez em que tentam convencê-los ou dão um péssimo exemplo à mesa, esperando que os filhos ignorem os fatos e atendam aos apelos verbais. Uma reforma na saúde da família é tarefa para todos. Uma boa dica é fazer lanches apetitosos e leves em casa e juntar a turma para um programinha gostoso, sem recorrer ao fast-food.

3. Coma maçã todo dia

Um ditado americano diz o seguinte: One apple a day keeps the doctor away, algo como: “Uma maçã por dia mantém o médico longe”. Exageros à parte parece que a sabedoria popular ganhou aval científico, pelo menos em relação ao câncer intestinal. Um estudo da universidade polonesa de Jagiellonian entrevistou 592 portadores de tumor colorretal e 765 indivíduos saudáveis, analisando o estilo de vida e principalmente o que comiam. A maçã foi decisiva, e seu consumo diário foi associado à redução de 35% do risco de câncer intestinal. Se isso já é bom, melhor ainda é saber que na Universidade Cornell, nos Estados Unidos, nutricionistas pingaram o extrato de maçã diretamente em células tumorais de mama e notaram que ele foi capaz de frear sua multiplicação.

Ou seja, a fruta não só previne, mas também combate a doença! Tudo isso por conta dos compostos fenólicos, um grupo de antioxidantes em abundância na fruta. São eles que neutralizam os radicais livres, raiz do problema. Se quer conhecer os heróis entre esses compostos, anote aí: procianidinas, quercetinas glicosiladas e rutina. Mas, se é difícil decorar esses nomes, fique com o seguinte: coma a maçã inteira, já que na casca os benefícios são até cinco vezes maiores que na polpa. O exagero também deve ser evitado. Estudos apontam que mais de três maçãs por dia não faz bem, pois acelera a formação de radicais livres. Não dispense a sua frutinha, de preferência, in natura e bem lavada.

4. Coma mais repolho e cenoura

Cru na salada ou refogadinho com um fio de azeite, o repolho e todos os parentes da família de crucíferos podem diminuir o risco de câncer no pulmão em até 70% das pessoas. É o que divulgou o estudo da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer, em Lyon, na França. O estudo comparou voluntários com câncer de pulmão e outros vindos de países como Polônia, Eslováquia, República Tcheca, Romênia, Rússia e Hungria, onde verduras como repolho, brócolis e brotos de feijão, fazem parte da dieta básica.

Descobriu-se que esses vegetais são ricos em isotiocianatos, protetores naturais contra o câncer de pulmão. Mas esqueça a possibilidade de consumir repolho e brócolis e continuar fumando. É como querer entrar num prédio em chamas sem se queimar. Além disso, nem pense em comer só repolho e se esquecer dos outros vegetais. Juntos, os alimentos crus promovem uma verdadeira guerra contra o câncer.

E, se o seu negócio é um legume mais adocicado, vá de cenoura. Pesquisadores americanos e ingleses chegaram à conclusão de que apenas uma mordida bem mastigada por dia é capaz de salvar a vida. Explica-se: cada cenoura média tem seis miligramas de betacaroteno, e, para a prevenção contra o câncer de pulmão, basta um miligrama. Por isso, uma mordida por dia pode ser o divisor de águas. Claro que tudo também depende da hereditariedade, poluição e o convívio com a fumaça do cigarro. Mas, com essa ajudinha do estilo de vida, você tem bem menos chances de desenvolver um tumor no pulmão. Uma saladinha de repolho com cenoura, além de deliciosa, é praticamente uma vacina.

5. Confie nos vegetais

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres e além do toque que pode ser preventivo, uma alimentação cheia de vegetais como brócolis e soja ajuda e muito a espantar o problema. Na Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, foi pesquisada a baixa incidência de câncer de mama entre mulheres asiáticas, acostumadas a ingerir produtos à base de brócolis, e, animados, os cientistas avançaram nas descobertas que levaram a uma conclusão animadora: os fitobioquímicos ajudam na prevenção contra doenças como o câncer e o enfarte, sem muito sacrifício.

De acordo com a pesquisa americana, o brócolis tem alta concentração de sulfonana, um fitobioquímico que suprime a produção das proteínas responsáveis pela sobrevivência das células cancerígenas da mama e do cólon. Falando em mulheres asiáticas, o Centro Nacional de Câncer do Japão acompanhou por uma década os hábitos alimentares de 21,8 mil mulheres entre 40 e 59 anos.

Descobriram que as mulheres que tomavam mais de três tigelas de uma missoshiru (sopa à base de grãos de soja, algas e legumes, com queijo de soja) por dia tinham 40% menos chance de ter câncer de mama do que aquelas que tomavam apenas uma tigela diária. Duas tigelas reduziam as chances de câncer em 26%. Os grãos de soja contêm isoflavonas, que agem como o hormônio feminino estrogênio. Acredita-se que elas previnam o câncer porque tomam a função do estrogênio, mas sem seus efeitos cancerígenos. As isoflavonas são encontradas em outras plantas, mas estão mais concentradas nos grãos de soja.

6. Olhe-se no espelho

Reparar bem em você mesmo(a) na frente do espelho, mais que um exercício de autoconhecimento, é um método preventivo para descobrir logo manchas que podem ser bem prejudiciais. No Brasil, o bronzeado tem até certo ar de saúde, e as pessoas acabam se expondo excessivamente ao sol. O resultado é um número cada vez maior de casos de câncer de pele. Além disso, uma visita ao dermatologista, ainda que uma vez por ano, é fundamental, pois ele pode detectar pintas ou manchas suspeitas e já encaminhar para exame.

Os tipos mais comuns de câncer de pele são o basocelular, carcinoma e o melanoma, que invadem tecidos sadios. Geralmente surgem em pintas e se espalham na chamada metástase. Se descobertos em fase inicial, todos eles têm um grande percentual de cura. Fique de olho na sua pele e nos seguintes sintomas:

  • Mudança nas pintas da pele (forma, cor e tamanho).
  • Ferida que coça, sangra ou que não cicatriza.
  • Caroços brilhosos, claros ou que coçam.
  • Caroços avermelhados que sangram ou formam uma crosta.
  • Mancha avermelhada ressecada, áspera como uma crosta.

Pessoas idosas ou muito claras são as mais propensas ao problema que pode ser evitado também com uso diário de protetor solar com fator de proteção 30 ou maior. Evite o sol das 10 às 16h e o bronzeamento artificial. Fuja da exposição direta desnecessária.

7. Amamente seu filho

Não é segredo pra ninguém que o aleitamento materno é mesmo um santo remédio para os bebês que ficam mais protegidos de inúmeras doenças, além de despertar uma ligação mais íntima com a mamãe. Além desses benefícios, o aleitamento é também uma prevenção para a mulher, que fica mais protegida de câncer no útero e no ovário. Quanto mais leite a mulher produz entre os 20 e 30 anos, mais protegida ela está desses tumores que surgem com os anos. Agentes carcinogênicos são eliminados no processo de grande produção das glândulas mamárias. Então, beba muita água e abasteça a dispensa com alimentos saudáveis, que são combustíveis para o bom leite. Dessa forma, além do seu bebê, você também se beneficia – e muito! – desse processo único e tão importante.

8. Caminhe!

Pode-se dizer que caminhar faz bem praticamente para todo mundo, mas 10 mil casos de câncer de mama e de cólon poderiam ser evitados anualmente na GrãBretanha se as pessoas adotassem a caminhada rápida como atividade física diária. Quem afirma é o Fundo de Investigação Mundial do Câncer. Claro que não é só a caminhada. Todos os exercícios físicos que aceleram o ritmo cardíaco ajudam, por terem impacto sobre os níveis hormonais. A Sociedade Americana do Câncer informou também que a atividade física reduz o risco do câncer de mama e de próstata, pois regula os hormônios. No caso do câncer de cólon, o exercício pode acelerar o processo digestivo, diminuindo o tempo que substâncias perigosas permanecem em contato com as paredes dos intestinos.

Não precisa ser na academia, nem passar horas correndo por aí. Trocar o carro por bicicleta, ir ao trabalho a pé, gastar um tempinho a mais subindo escadas ou começar o dia com uma caminhada ou natação já promove um tremendo benefício para sua saúde. Afinal, se você tem 24 horas num dia, não é nada de mais tirar meia horinha para isso. Como um hábito, um compromisso com você.

9. Atenção ao estômago

Se você é do tipo que não liga muito para os incômodos do estômago e acha que gastrite é um mal moderno que todo mundo tem, fique atento. O câncer no estômago pode aparecer assim, só com uma dorzinha e levar à morte. Uma dieta balanceada à base de vegetais crus, frutas cítricas e alimentos ricos em fibras desde a infância é o antídoto para esse tipo de tumor. Ácido ascórbico (vitamina C) e betacaroteno (precursor da vitamina A) estão nas verduras e frutas frescas e são protetores contra o câncer de estômago. Essas substâncias naturais evitam que os nitritos (conservantes encontrados em alimentos industrializados) se transformem em nitrosaminas, gatilho para o tumor.

Para quem já tem histórico na família, é bom ficar atento à carência de vitaminas A e C e fugir de alimentos defumados, enlatados, com corantes ou conservados em sal, que são fatores de risco. Além disso, água proveniente de poços com alta concentração de nitrato está relacionada à maior incidência de tumores gástricos. Além de doenças que têm forte associação com o câncer de estômago, como anemia, gastrite atrófica e infecções pela bactéria Helicobacter Pylori (H. Pylori), os hábitos à mesa é que são decisivos para o desencadeamento da doença.

Além de protagonista no tempero, o alho é outro alimento que vai além do sabor e presta grande serviço contra o câncer. Pesquisadores americanos da Universidade de Ohio descobriram uma importante ligação do alho com um processo metabólico carcinogênico. A ligação é inversa, ou seja: quem mais consome alho menos disposto está ao câncer. Os cientistas advogam que as substâncias nutricionais do alho são semelhantes à vitamina C, como grande arma antioxidante. Apenas um dente de alho por dia já daria conta da proteção. Pode ser cru, refogado ou preparado no alimento.

10. Cuide com o que você pensa

A Bíblia, o livro mais antigo da humanidade já dizia que “o coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido faz secar os ossos” (Provérbios 17:22). É verdade: não há sistema de defesa que resista, por exemplo, ao ódio e ao rancor. A raiva não é só um desperdício de energia, como disse o estadista inglês Winstton Churchill, famoso por não guardar raiva de ninguém, mas é também um estímulo para que hormônios como o cortisol e a adrenalina sejam lançados na corrente sanguínea e realizem sua obra nefasta.

O cortisol é essencial para a vida, mas em excesso pode desencadear efeitos negativos sobre o organismo como redução da síntese de colágeno e inibição da construção de novas estruturas ósseas. Além disso, pode interferir no funcionamento normal do metabolismo.

Muito se tem falado e escrito atualmente sobre a coincidência entre fortes eventos emocionais como uma separação conjugal ou a morte de uma pessoa querida e diagnósticos de câncer de mama entre mulheres. E já que é consenso de que a mente exerce mesmo uma forte influência sobre o corpo, é bom praticar bons pensamentos e não guardar mágoas nem rancor de ninguém, porque o ódio, já se disse, é um ácido que corrói o próprio recipiente.

 

 

Fonte: Revista Vida e Saúde – Ago. 2011
Imagem: Stokkete / Fotolia