Perder dois quilos aqui, fazer uma dietinha ali ou dar uma corridinha para ajudar. Não é de hoje que formas de emagrecimento são procuradas por muitas pessoas, e a dieta é uma das mais comuns. A psicóloga Juliana Ferraz explica que as pessoas optam pela dieta devido à perda de peso rápida e também por um ideal estético, já que esse é o objetivo de muitas mulheres.

Aparecida Artioli é psicóloga, porém não exerce a profissão. As dietas estão presentes em sua vida desde seus 14 anos de idade. “Eu vivi minha juventude numa época em que o ideal de beleza tinha tudo a ver com meu biotipo. Era sempre convidada para concursos de beleza, porém nunca gostei do meu corpo, sempre me achei gorda em uma época que quase não se falava disso”, conta. Hoje, com 55 anos, suas metas com as dietas continuam praticamente as mesmas: “Quero ficar no peso que eu considero bom para mim, que eu me sinta bem”.

Ela revela que já tentou de tudo, desde dietas com acompanhamento especializado até remédios. Porém, Aparecida parou de tomá-los justamente por afetar a saúde depois de um tempo. “Estou sempre controlando as calorias, procurando manter uma dieta; como muitas frutas, verduras e também uso shakes. Além de ser vegetariana há 13 anos. Mas mesmo assim, não consigo chegar ao peso que eu considero ideal há mais de cinco anos”, desabafa.

Segundo Juliana, regime é um assunto que as mulheres se identificam bastante. Acredita que estamos em uma época em que a busca pelo corpo perfeito é muito valorizada. Por isso, as dietas “milagrosas” ganham muita força, principalmente as de boca a boca. “As pessoas querem acreditar em processos abreviados, e não é difícil convencê-las dos tão almejados atalhos”, revela.

Joice Priscila, estudante de direito, começou a pensar em dietas depois que veio estudar em colégio interno. Apesar da grande variedade de frutas e legumes, também há alimentos com mais calorias que acabam sendo difíceis de resistir, e dificulta uma alimentação mais regrada para Joice. Com isso, a jovem acabou engordando 23 quilos. Desde então, tenta fazer dietas, mas nunca procurou um especialista: “Frequentemente faço com as minhas amigas. Quando elas começam a fazer dieta ‘entro na onda’ e também faço”. Em começo de semestre ela encontra mais facilidade para realizar dietas e exercícios físicos, mas com o tempo devido à correria de trabalhos e provas, não consegue se firmar e completar seu plano alimentar por inteiro.

A nutricionista Renata Fidelis aconselha a não desistir no meio do caminho, sempre buscando formas diferentes para que isso não aconteça: “Busque ajuda para motivar a não perder o foco, seja do médico, nutricionista, educador físico, fisioterapeuta ou psicólogo, e principalmente na família, para ajudar a contribuir no apoio e auxílio”. E Juliana complementa: “Dieta gera ansiedade, e ansiedade acaba com a dieta”.

Ao se perder peso muito rápido com dietas da moda ou até mesmo regimes por conta própria, há a possibilidade de se ganhar os quilos novamente com mais facilidade. Renata explica que isso acontece por ser uma fase temporária em que o comportamento do indivíduo não apresenta mudanças. “Para não ganhar os quilos perdidos é necessário uma reeducação alimentar”, orienta.

A realização constante de dietas gera um ciclo vicioso. Principalmente para aqueles que restringem demais a alimentação, sendo tudo ou nada. Juliana explica que o excesso de proibições induz a um comportamento compensatório de compulsão, e consequentemente um sentimento de frustração. “Este ciclo corrói a autoestima de milhares de mulheres que se culpam pelo fracasso nas dietas, por não saberem que o reganho de peso é resultado direto da forma como perderam peso”, explica a psicóloga.

Aparecida revela que a sensação que tem quando uma dieta não dá certo é de frustração. Por mais que dê certo por um tempo, ela sempre volta ao peso indesejado. “Eu não me suporto fora do peso, mexe comigo em todos os aspectos, me desestruturo emocionalmente”, desabafa.

Para obter sucesso em uma dieta e ter um bom resultado é necessário adotar hábitos alimentares saudáveis. Renata explica que é fundamental consultar um profissional especializado na área, como nutricionista e endocrinologista, para realizar uma avaliação nutricional e montar um planejamento a ser seguido. “Se a pessoa tiver um acompanhamento multiprofissional o tratamento vai ser completo, pois serão verificados vários aspectos, físicos e psicológicos. Os profissionais conseguem conduzir o caso com maior precisão para atingir e manter os objetivos em longo prazo, buscando a qualidade de vida e longevidade”, aconselha.

 

Imagem: Daniel Ernest/Fotolia