“Meu filho tem seis anos e tem a voz rouca desde bem novo. Quando ele tinha por volta de 1 ou 2 anos, chorava até perder a voz. A voz dele é sempre rouca e tem dias que ele nem consegue falar direito. O que devo fazer?”

C. B. P., pela internet

 

Resposta: A primeira coisa que deve ser feita é submetê-lo à avaliação fonoaudiológica e otorrinolaringológica.

Uma avaliação bem feita poderá indicar se a alteração vocal é decorrente de uma alteração congênita (a criança nasceu com alteração nas pregas vocais) ou se é funcional (ocorreu devido a questões comportamentais e de abuso vocal).

As crianças em geral, sempre têm o hábito de gritar. Ainda mais quando estão brincando em ambientes ruidosos, como é o caso das brincadeiras de pátio nos intervalos da escola, ou até mesmo em brincadeiras onde as demais crianças estão distantes umas das outras como é o caso do pique-pega. Dessa forma, a criança vai habituando-se a fazer ajustes vocais inadequados.

O ambiente familiar também pode contribuir para que a criança faça abuso vocal. Algumas famílias possuem o hábito de se comunicar em uma intensidade vocal alta, sendo comum gritarem para chamar outro membro que está em um cômodo distante da casa. Outro hábito doméstico nocivo é falar com eletrodomésticos ligados.

Os acampamentos aos quais você se referiu, são locais em que as crianças frequentemente participam de gincanas e sofrem desgaste físico, muitas vezes acompanhados de abusos vocais. Dessa forma, a criança adquire hábitos vocais inadequados, gerando esforço vocal excessivo e consequentemente uma alteração da voz.

Grande parte da melhora da saúde vocal da criança, depende do apoio familiar e da mudança de hábitos. Se a indicação para o tratamento for terapêutica, a terapia é feita de forma lúdica, visando principalmente a conscientização e responsabilidade da criança nos cuidados com sua voz. A melhora na qualidade vocal é muito importante, pois a voz é social. Uma qualidade vocal ruim pode limitar a criança para um convívio social saudável.

 

Fonte:  Revista Vida e Saúde / Novembro de 2008
Autoria: Blacy Cella Gulfier – Fonoaudióloga
Imagem: Chab3 / Fotolia