Um estudo brasileiro publicado pela revista britânica The Lancet, uma das publicações cientificas mais importantes do mundo, revela mais um benefício da amamentação: aumento na inteligência na fase adulta. Pesquisadores da Universidade de Pelotas (RS) acompanharam 3,5 mil recém-nascidos durante mais 30 anos. Segundo a publicação, uma criança amamentada por pelo menos um ano obteve, aos trinta anos, quatro pontos a mais de QI e acréscimo de R$ 349 na renda média.

Outra questão inédita do estudo é mostrar que, no Brasil, os níveis de amamentação estão distribuídos de forma homogênea entre diferentes classes sociais, não sendo mais frequente entre mulheres com maior renda e escolaridade.

E, para ajudar a mulher a esclarecer várias dúvidas sobre amamentação e, assim, se sentir mais segura para oferecer esse bem tão precioso para o seu bebê por um período superior a 12 meses, o especialista em ginecologia e obstetrícia pelo Hospital das Clínicas de Medicina da USP, Achilles Cruz, aborda alguns mitos e verdades mais frequentes:

1. Amamentar é um método anticoncepcional 100% eficaz

Mito. Algumas mulheres podem voltar a ovular mesmo no período da amamentação quando o ciclo menstrual está bloqueado devido à supressão dos hormônios. O ideal é que ela já comece a adotar algum tipo de método contraceptivo a partir da sexta semana após o parto. Logo no primeiro retorno ao ginecologista, o ideal é que a mãe converse sobre o método mais adequado para evitar uma nova gravidez em pouco tempo.

2. A mulher que está amamentando pode tomar qualquer tipo de pílula

Mito. Nesse período, as pílulas mais indicadas são as de progestagênio, hormônio que inibe a ovulação. Livre de estrogênio, esse princípio ativo não interfere na qualidade ou no volume do leite, não havendo interferência na alimentação do bebê.

3. Engravidar enquanto está amamentando é benéfico

Mito. Não existe um intervalo estabelecido entre uma gravidez e outra, porém, é aconselhável que a mulher não engravide enquanto estiver amamentando, porque a sobrecarga da amamentação somada a uma nova gestação pode comprometer a saúde da mãe.

4. A alimentação da mãe influencia o leite

Verdade. Tudo o que a mãe come acaba passando para o leite materno. Por isso, é importante que a mulher faça uma dieta variada e beba bastante líquido nesse período. O consumo de bebidas alcoólicas ou cigarros é contraindicado. Medicamentos, por exemplo, só devem ser tomados com orientação médica.

5. Estresse influencia a produção de leite

Verdade. Quando a mulher está muito cansada ou ansiosa, a produção do hormônio ocitocina, que é o responsável pela vazão do leite, é bloqueada. O leite não seca quando se está estressada, mas sua descida pode ficar prejudicada.

6. Amamentar faz bem para a saúde da mãe e do bebê

Verdade. Os bebês alimentados exclusivamente por leite materno até os seis meses de idade ficam mais protegidos contra inflamações, otites e diarreias. Segundo o Ministério da Saúde, as chances de a mãe desenvolver câncer de mama diminuem em 5% a cada 12 meses de aleitamento.

 

Fonte: https://www.facebook.com/VidaeSaudecpb
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