Frequentemente, somos abordadas por mães, professoras, diretoras e funcionários de escola a respeito de uma mesma dúvida e receio: e se uma criança tiver uma crise convulsiva durante o período que estiver na escola? O que devemos fazer?

A convulsão é uma situação que acomete inúmeras pessoas, adultos e crianças, e ainda sem uma causa exata conhecida. Bastante feia e assustadora de se ver, geralmente não é uma situação grave, por incrível que pareça.

A convulsão ocorre por meio de uma descarga elétrica neurológica “errada”, e causa uma série de movimentos desordenados e contrações dos músculos, levando também, em algumas situações, à liberação dos esfíncteres, e com isso, à saída de urina e fezes de maneira involuntária, e ainda de salivação excessiva e às vezes, vômitos. Por isso é tão feio e assustador.

É importante diferenciar a crise convulsiva da epilepsia: para se caracterizar a epilepsia, é necessário que ocorram ao menos duas crises em um intervalo de 24 horas. Em uma linguagem mais clara, a epilepsia é, portanto, uma síndrome caracterizada por vários sinais e sintomas, enquanto que a convulsão é um dos sintomas. Ou seja, uma única crise ocorrida deve ser investigada a critério médico, mas não significa que a criança/adulto sofra de alguma doença mais grave.

Algumas situações podem desencadear uma crise convulsiva na criança, e dentre elas, a mais comum é a febre ou as alterações na temperatura. Podem ocorrer também em um ambiente escolar, uma crise convulsiva derivada de uma “dividida de bola” em uma partida de futebol, em uma queda na hora do recreio, etc. Em algumas situações podem também não haver um fator determinante certo, para a ocorrência da mesma. Bem, e caso a crise ocorra, o que devemos fazer?

Costumamos dizer que, no caso da convulsão, o “menos” é “mais”, porque na verdade, muito pouco se tem a fazer. Atitudes baseadas em mitos e crendices populares devem ser desconsideradas, pois além de não serem eficazes, podem ainda causar lesões.

O que NÃO fazer:

  • NÃO dar álcool ou qualquer outra substância para a criança cheirar (você pode até causar uma intoxicação);
  • NÃO proteger a parte interna da boca com lenços, pedaços de pano, colher ou qualquer objeto que seja, para que  a criança não “engula” a língua;
  • NÃO  amarrar os braços e pernas ou segurá-los na tentativa de prendê-los (pode levar a fraturas ou lesões não intencionais).

O que fazer:

  • Afastar outras crianças e curiosos, e deixar um espaço mínimo em que haja circulação de ar;
  • Aparar (ou proteger) a base da cabeça da criança com suas mãos ou algum tecido, roupa ou pano, na tentativa de evitar traumatismos pelo seu batimento violento, e lateralizar suavemente sua cabeça a fim de evitar a bronco aspiração (saliva ou vômito nos pulmões) pela salivação excessiva;
  • Retirar colares, tiaras, fivelas ou outros adornos que podem ferir a criança durante a crise;
  • Se possível marcar quanto tempo durou a crise e os detalhes da mesma, pois serão de grande valia para o médico da criança;
  • Após ter acabado a crise, levá-la a um ambiente arejado, calmo e tranquilo e comunicar os pais da criança imediatamente;
  • Retirar as roupas sujas da criança se a mesma tiver evacuado ou urinado e trocá-la;
  • Mantenha a calma e compreenda que pode haver um certo período de confusão mental pós crise convulsiva, é normal. A consciência  da criança será retomada em breve, e ela não se lembrará do que ocorreu até então, podendo ficar agitada.

Ao fazer contato com os pais da criança, mantenha a calma, e certifique-os de que está tudo bem, e que a criança foi devidamente socorrida e encontra-se na presença de um responsável. É bem possível que, neste momento, eles se “apavorem” e queiram sair correndo ou questionem porque não levaram a um hospital ou não chamaram o SAMU. Esclareçam que a equipe é treinada para prestar primeiros socorros e que não há necessidade de correria, que os pais podem telefonar para o pediatra de confiança ou vir buscar a criança e levarem para o hospital de preferência.

A crise convulsiva só passa a ser uma emergência quando uma nova crise apareça na sequencia e assim por diante, pois a cada crise a oxigenação cerebral vai ficando diminuída. Ou se a crise convulsiva for decorrente de uma queda de uma altura maior que a da criança, aí devemos chamar por ajuda, 192, SAMU.

Tirem os mitos e crendices da cabeça, a crise convulsiva é feia, mas não é uma emergência na maioria das vezes, seja capaz de prestar os primeiros socorros e tudo ficará bem!

 

Imagem: Teracreonte / Fotolia
Fonte: Nantú Consultoria