Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a dengue é um dos principais problemas de saúde pública do mundo. A única saída, nesse caso, é a prevenção, evitando a proliferação do mosquito. Para quem vive em país tropical, nunca é demais repetir que o cuidado deve durar o ano inteiro.

O que é dengue?

Trata-se de uma doença febril aguda. A pessoa pode adoecer quando o vírus penetra no organismo, pela picada de um mosquito infectado, o Aedes aegypti.

Quanto tempo depois da picada do mosquito, aparece a doença?

Se o mosquito estiver infectado, o período de incubação varia de três a 15 dias, sendo em média de cinco a seis dias.

Quais são os sintomas da dengue?

Os sintomas mais comuns são febre, dores no corpo, principalmente nas articulações e dor de cabeça. Também podem aparecer manchas vermelhas pelo corpo e, em alguns casos, sangramento, mais comum nas gengivas.

O que fazer, se um desses sintomas aparecerem?

Buscar o serviço de saúde mais próximo.

Como é feito o tratamento da dengue?

Não há tratamento específico para o paciente com dengue clássico. O médico deve tratar os sintomas, como as dores de cabeça e do corpo, com analgésicos e antitérmicos (paracetamol e dipirona). Devem ser evitados os salicilatos, como o AAS e a Aspirina, já que seu uso pode favorecer o aparecimento de manifestações hemorrágicas. É igualmente importante que o paciente repouse e beba bastante líquido. Já os pacientes com febre hemorrágica do dengue (FHD) devem ser observados cuidadosamente para identificação dos primeiros sinais de choque, como a queda de pressão. O período crítico ocorre durante a transição da fase febril para a sem febre, geralmente após o terceiro dia da doença. A pessoa deixa de ter febre e isso leva a uma falsa sensação de melhora, mas em seguida piora o quadro clínico do paciente. Em casos menos graves, quando os vômitos ameaçam causar desidratação, a reidratação pode ser feita em nível ambulatorial. A SVS, Secretaria de Vigilância Sanitária alerta que alguns dos sintomas da dengue só podem ser diagnosticados por um médico.

A dengue pode levar à morte?

Mesmo na forma clássica, a dengue é uma doença séria. Caso a pessoa seja portadora de alguma doença crônica, como problemas cardíacos, devem ser tomados cuidados especiais. No entanto, a dengue é mais grave quando se apresenta na forma hemorrágica. Nesse caso, se tratada a tempo, a pessoa não corre risco de morte.

Quais são os cuidados para não contrair dengue?

Como é praticamente impossível eliminar o mosquito, deve-se identificar objetos que possam se transformar em criadouros do inseto transmissor. Por exemplo, uma bacia no pátio de uma casa é um risco, porque, com o acúmulo da água da chuva, a fêmea do mosquito poderá depositar ali os ovos. Então, o único modo é limpar e retirar tudo que possa acumular água e oferecer risco. Em 90% dos casos, o foco do mosquito está nas residências.

Que devo fazer para evitar o mosquito da dengue?

Para evitar o mosquito da dengue é preciso eliminar os focos do Aedes aegypti. A SVS preparou uma lista das medidas que as pessoas podem adotar para evitar que o mosquito se reproduza em sua casa.

Pode haver reincidência da doença?

Sim, mas nunca do mesmo tipo de vírus. A pessoa fica imune contra o tipo de vírus que provocou a doença, mas ainda poderá ser contaminada pelas outras três formas conhecidas do vírus da dengue.

Uma pessoa doente transmite dengue para outra?

Em hipótese alguma. Não há transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com uma pessoa sadia, nem de fontes de água ou alimento.

Quantos tipos de vírus da dengue existem?

São conhecidos quatro sorotipos: 1, 2, 3 e 4, sendo que no Brasil não existe circulação do tipo 4.

Existe vacina contra a dengue?

Ainda não, mas as comunidades científicas internacional e brasileira trabalham firme neste propósito. Estimativas indicam que deveremos ter um imunizante contra a dengue em cinco anos. A vacina contra a dengue é mais complexa que as demais. A dengue, com quatro vírus identificados até o momento, representa um desafio para os pesquisadores. Será necessário fazer uma combinação de todos os vírus para obter um imunizante realmente eficaz contra a doença.

Por que essa doença ocorre no Brasil?

A dengue é um sério problema de saúde pública em todo o mundo, especialmente em países tropicais como o nosso, em que as condições do meio ambiente, aliadas a características urbanas, favorecem o desenvolvimento e a proliferação do mosquito transmissor, o Aedes aegypti. Mais de 100 países em todos os continentes, exceto a Europa, registram a presença do mosquito e casos da doença.

O inseticida aplicado para matar o mosquito da dengue e a nebulização (fumacê) funcionam mesmo?

Sim, funcionam. Tanto os larvicidas quanto os inseticidas distribuídos aos estados e municípios pela SVS têm eficácia comprovada, sendo preconizados por um grupo de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os larvicidas servem para matar as larvas do Aedes. São aqueles produtos em pó, ou granulados, que o agente de combate à dengue coloca nos ralos e caixas d’água. São os locais em que existe água parada que não pode ser eliminada. Já os inseticidas são líquidos espalhados pelas máquinas de nebulização, que matam os insetos adultos enquanto estão voando, pela manhã e à tarde, visto que o Aedes tem hábitos diurnos. O fumacê não é aplicado indiscriminadamente, sendo utilizado somente quando existe transmissão da doença em surtos ou epidemias. Desse modo, considera-se a nebulização um recurso extremo, porque é utilizada num momento de alta transmissão, quando as ações preventivas de combate à dengue falharam ou não foram adotadas. Algumas vezes, os mosquitos e larvas desenvolvem resistência aos produtos. Sempre que isso é detectado, substitui-se imediatamente o produto.

 

Imagem: Teptong / Fotolia
Fonte: Revista Vida e Saúde / Ministério da Saúde – Julho de 2008.