Um dos principais e mais comuns problemas de saúde no mundo, a dor de cabeça, conhecida como cefaleia pela comunidade médica, afeta uma grande parcela da população mundial e não tem distinção de idade, gênero, etnia ou condição social. Dependendo de sua intensidade, pode afetar a vida profissional, social e conjugal do indivíduo e, por isso, investigar suas causas é essencial para tratá-la.

Com a proximidade do Dia Nacional de Combate à Cefaleia, 19 de maio, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) destaca a relevância da data para explicar a todas as especialidades médicas a importância de avaliar e examinar adequadamente os portadores de Cefaleia. “Aos pacientes, é imprescindível esclarecer os vários tipos de dores de cabeça e desmistificá-las”, afirma Mauro Jurno, coordenador do Departamento Científico de Cefaleia da ABN.

O passo inicial para o tratamento e diagnóstico adequado é deixar de lado o senso comum de que é normal sentir uma “dorzinha” de cabeça ocasionalmente: o sintoma é um indicativo de alerta do corpo avisando que há algo de errado. A busca por um médico especializado, nesses casos, é essencial: só ele poderá investigar as reais causas do incômodo e indicar o tratamento correto. Por mais que a dor seja esporádica, a automedicação pode acarretar em problemas ainda mais graves.

Classificação

As cefaleias podem ser primárias e secundárias: na primeira delas, a própria dor caracteriza a doença. “Surgem devido a um desequilíbrio químico que se origina no sistema nervoso central cuja consequência é a dor de cabeça”, afirma Celia Roesler, secretária do DC de Cefaleia.  Em sua outra forma, apresenta manifestação ou sintoma de outra doença de base.

Elas também se manifestam clinicamente em agudas, como no aneurisma cerebral, que aparece de forma explosiva e sem aviso prévio; ou crônicas, representada pela enxaqueca, que tem, em alguns casos, períodos de agudização.

Tipos de dor e diagnóstico

As dores de cabeça são classificadas em mais de 200 tipos e podem indicar apenas um mal-estar ou problemas mais graves de saúde, por isso o diagnóstico preciso é de extrema importância. “Quando se trata de cefaleia primária, o diagnóstico é clínico, feito através do histórico do paciente, questionando quando começou a dor, há quanto tempo, quanto dura, o que piora, o que melhora e um bom exame físico e neurológico”, comenta a Drª. Celia.

Migrânea ou enxaqueca

Embora seja a mais conhecida, não é a mais frequente na população. A enxaqueca é uma doença do funcionamento cerebral que desencadeia uma série de alterações que levam à mudança do sistema trigêmino-vascular (neurônios do quinto par de nervos cranianos) com ‘inflamação’ perivascular (envolta dos vasos sanguíneos) que causa a dor. Os principais sintomas são fotofobia, fonofobia e dores fortes.

Suas divisões são em “enxaqueca com aura” e “sem aura”: a pessoa com enxaqueca com aura pode perder a visão por meia hora, ver luzes ou perder o foco antes de sentir a dor. Essa modalidade também pode acarretar em dormência no braço ou dificuldade momentânea ao falar.  A enxaqueca sem aura provoca a mesma dor, mas não apresenta estes sintomas. “A dor da cefaleia migrânea é intensa, incapacitante e pulsátil”, esclarece Jurno.

Cefaleia tensional

A tensional é uma resposta ao estresse, ansiedade, traumas na região craniana e depressão. Sua duração é variada – pode ser de 30 minutos a sete dias – e pode prejudicar a qualidade de sono do indivíduo. “A cefaleia tipo tensional costuma ser mais branda com características de peso ou aperto, não interferem nas atividades diárias e normalmente não acompanham náuseas e/ou vômitos”, ressalta o coordenador do DC de Cefaleia. Além disso, é o tipo de cefaleia mais comum, que acomete cerca de 90% da população.

Cefaleia em salvas

Embora tenha duração menor, a dor causada pela cefaleia em salvas é de grande intensidade. Tem maior incidência em homens e acomete apenas um lado da cabeça. Tem sinais como olhos vermelhos, lacrimejamento excessivo, agitação e queda da pálpebra do lado da dor.

Tratamento

Os tratamentos medicamentosos são de dois tipos: o abortivo, quando é utilizado um medicamento específico para abortar a crise, e o preventivo que utilizam um ou mais medicamentos diários para evitá-las. “A prevenção também pode ser feita pelo reconhecimento de fatores deflagradores de dor de cabeça (alimentos, odores e situações específicas como alteração de rito de sono, entre outras)”, ressalta Dr. Mauro.

Cada cefaleia é tratada de forma diferente, com medicamentos específicos. Por isso é preciso ficar alerta aos perigos da automedicação: o uso abusivo de analgésicos pode levar à cefaleia crônica diária. “Medicar-se sem orientação médica pode mascarar o quadro de uma cefaleia secundária grave em desenvolvimento. Todos acham que qualquer dor de cabeça é uma enxaqueca e muitas vezes não é”, explica a Drª. Roesler.

Para uma melhora efetiva, é preciso investir no tratamento não medicamentoso, que inclui mudanças de hábitos de vida, dieta equilibrada, horário de sono regular, prática de atividade física, técnica de relaxamento e até psicoterapia quando necessário.

A busca de um especialista é essencial. Além de sintoma, a dor de cabeça pode ser a própria doença e o encaminhamento médico correto traz segurança ao paciente e evita que ele peregrine por diversas unidades de emergência, se submetendo a exames desnecessários. O tratamento adequado é essencial para uma boa qualidade de vida do paciente.

 

Fonte: www.acontecenoticias.com.br
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