Segundo a história bíblica, Saul, o primeiro rei da nação israelita, sofreu um grave problema de depressão que chegou a interferir na sua habilidade de agir como rei. Seus assessores médicos recomendaram que ele mandasse buscar um homem que soubesse tocar harpa. Acreditavam que a música faria o rei melhorar. O registro histórico diz que, quando Saul se sentia mal, a harpa era tocada e o rei sentia alívio e ficava melhor.

Nem todo tipo de música se presta à melhora do humor. Toda pessoa tem tendências ou preferências musicais, mas não é possível garantir que seu humor melhore mesmo depois de ouvir suas músicas favoritas.

Som e imagem

A psicoterapia pela música, na qual as pessoas são incentivadas a associar imagens mentais com música clássica, pode melhorar o humor e reduzir o estresse. Após seis sessões de terapia conduzida pela imagem com música (GIM), num período de 12 semanas, 14 voluntários sadios, adultos, entre 23 e 45 anos de idade, mostraram resultados melhores nos testes de humor geral, e relataram menos fadiga e depressão. A melhora foi mais do que meramente subjetiva. Os níveis sanguíneos de cortisol, hormônio esteroide que aumenta durante o estresse, também baixaram significativamente.

Nas sessões de terapia GIM, os voluntários ouviram sequências selecionadas de música clássica, incluindo porções das produções de Respighi, Ravel, Bach, e Brahms. Com o fim de incentivar a introspecção durante a sessão, eles foram solicitados a identificar uma, duas ou três áreas de interesse na vida deles. Em seguida, interagiram e discutiram com um terapeuta as imagens espontâneas que lhes vinham à mente durante as seleções musicais.

Após treze semanas, os níveis dos testes de transtornos do humor, fadiga e depressão, foram significativamente reduzidos, em comparação com os dos testes anteriores à terapia GIM. Um teste de acompanhamento, feito seis semanas depois, revelou que esses níveis continuavam a cair. No entanto, não houve mudanças significativas nos resultados dos testes nem nos níveis de cortisol entre os 14 voluntários (casos controle) não submetidos à terapia GIM clássica. O estudo que avaliou os efeitos da música sobre os hormônios do bem-estar foi realizado em 1998 por McKinney, Antoni MH, McCabe P. e outros colaboradores, foi publicado na revista científica Lancet.

Música clássica

Esse estudo não permitiu que as pessoas escolhessem música de sua própria preferência. Acrescente-se que a maioria das pessoas entre 23 e 45 anos de idade nem tivera suficiente contato com música clássica para escolhê-la como preferência. Mesmo assim, a música clássica tradicional é o único estilo de música experimentalmente demonstrado como útil para melhorar a saúde mental, tanto subjetiva quanto objetivamente.

Minha recomendação é que as pessoas ouçam música clássica com atenção, pelo menos por uma hora a cada duas semanas. Isso pode ser feito num concerto ao vivo ou numa igreja (desde que as seleções sejam de hinos clássicos tradicionais e outras músicas clássicas), na sala de estar, no automóvel ou com fone de ouvido. O único requisito é que as pessoas pensem nas áreas de interesse de sua vida e mantenham a imaginação ativa durante a audição.

 

Fonte: Revista Vida e Saúde – Set. 2011.