Em pesquisa realizada pela editora infantil Scholastic foi relatado que mais de 70% dos professores já haviam faltado às aulas devido a doenças transmitidas por seus alunos. O mesmo número ou mais de crianças, se questionadas, provavelmente relatariam que também haviam sido contagiadas por algum tipo de vírus na escola. De acordo com um relatório, alunos da pré-escola ao último ano do ensino médio em escolas públicas americanas “perderam mais de 164 milhões de dias letivos” devido a doenças transmissíveis (isto é, infecções virais ou bacterianas).

Gripes e resfriados são as principais causas de crianças e professores faltarem às aulas. A falta dos professores acrescenta um peso financeiro adicional às instituições educacionais, exigindo mais salários de professores substitutos e mais pagamentos de ausência por doença. Para os alunos, perder aula pode resultar em fraco desempenho acadêmico e problemas de comportamento.

Professores e administradores escolares têm achado cada vez mais difícil manter o ambiente escolar e a sala de aula saudáveis e limpos para os alunos. Em uma pesquisa da Scholastic, 90% dos professores relataram que muitos alunos vêm para a escola doentes. Cerca de 30% relataram que os funcionários da limpeza deixavam de desinfetar as salas de aulas regularmente, e disseram que os professores não tinham tempo ou ferramentas para manter suas salas de aula livres de germes.

Existem três maneiras pelas quais as pessoas contraem doenças: (1) contato pessoal; (2) contato com superfícies contaminadas por pessoas doentes (bebedouros, maçanetas, escrivaninhas, carteiras e cadeiras, canetas e lápis); banheiros (vasos sanitários e torneiras); teclados de computador; telefones; brinquedos e equipamento de playground; livros, lenços de papel sujos, etc.; e (3) ingestão de água e alimentos contaminados.

Que você pode fazer para manter um ambiente escolar mais saudável e manter seus alunos com saúde, dentro e fora da sala de aula? Para prevenir doenças na escola, também é importante prevenir doenças fora da sala de aula. Os hábitos de saúde de cada aluno e funcionário têm influência direta sobre a escola. Cada pessoa pode criar um problema ou fazer a diferença.

O propósito deste artigo é prover informação que ajude você a alcançar e manter um ambiente escolar mais saudável. Bons hábitos de saúde, como lavar as mãos frequentemente, podem assegurar alunos e professores mais saudáveis e menos absentismo. Este artigo explicará os pontos essenciais ao lavar as mãos bem como alternativas para ocasiões quando sabão e água não estão disponíveis. Abordarão também as doenças transmissíveis mais comuns como resfriados, gripes e a meningite que está se tornando um problema cada vez maior nos campi universitários. Sugerimos também diretrizes e procedimentos escolares para serem incluídos em seu manual do aluno.

PREVENÇÃO – CONHEÇA AS ÁREAS DE PERIGO
No ambiente escolar, as áreas de perigo para os germes são: o banheiro, o refeitório, e a sala de aula. Alunos transportam germes para a escola depois de estarem expostos a pessoas doentes em casa e em lugares públicos.

O local de maior perigo para os germes é a mão: Muitas pessoas reconhecem que existem germes em hospitais, banheiros (vaso sanitário, pia), buchas de cozinha, e cestos de lixo. Mas muitas pessoas não estão cientes de que mãos em telefones e maçanetas também transmitem germes. Quando as pessoas têm um resfriado ou gripe, limpam seu nariz muitas vezes durante o dia, então os germes permanecem nas mãos, de onde podem ser propagados através do contato com outras mãos e várias superfícies.

Lavar bem as mãos: Para evitar a propagação de germes, o passo mais importante é lavar as mãos de modo apropriado, juntamente com a limpeza de utensílios e superfícies. As mãos devem ser lavadas antes e depois de comer, durante e depois do preparo de alimentos, depois de usar o banheiro, e depois de tossir ou espirrar.

Lavar bem e completamente as mãos significa usar sabão e água vigorosamente por aproximadamente 15-20 segundos e, então, secar as mãos completamente com toalha de papel ou secador elétrico.

Crianças mais novas precisam de orientação sobre quando e como lavar as mãos. Os professores podem usar material apropriado para cada idade para encorajar e reforçar esse comportamento. Itens como carteiras, mesas, balcões, teclado e mouse de computador, equipamento de laboratório, brinquedos e equipamento de playground e outros itens compartilhados devem ser limpos diariamente com desinfetante bactericida. Outras superfícies que precisam ser constantemente desinfetadas incluem o chão, maçanetas, pias de banheiros, vasos sanitários e válvulas de descarga, bem como toda superfície usada para alimentação. Desinfetantes matam germes que não são visíveis, mas que mesmo assim podem causar doenças.

Nos banheiros e refeitórios as escolas devem prover sabonete anti-bactericida ou sabão líquido à base de álcool para limpar as mãos. Se sabão antibactericida e água limpa não estiverem disponíveis, usar desinfetante antibactericida ou lenços de álcool, ou gel limpador de mãos (contendo pelo menos 50% de álcool).

Se nenhum dos itens acima estiverem disponíveis é importante ensinar às crianças a manterem suas mãos longe dos olhos, do nariz e da boca. Luvas de borracha podem ser usadas como meio de proteção temporária.

Banheiros de escolas
Não são apenas os vasos sanitários e as pias que estão cheios de germes nos banheiros; as maçanetas também estão. Pesquisas “revelaram que quase 100% das maçanetas de portas de banheiros têm vestígio de estafilococus, estreptococus, salmonella e E. coli”.

Mesmo se as pessoas lembram de lavar as mãos depois de usar o banheiro (calcula-se que um terço não se lembra), depois, fecham a torneira, usam a toalha de papel, e abrem a porta do banheiro, reinfectando as mãos limpas. Então, é importante usar toalha de papel sem tocar o recipiente, e depois usar a toalha de papel para fechar a torneira e abrir a porta. Certifique-se de que os alunos lavem suas mãos frequentemente durante o dia.

REGULAMENTOS ESCOLARES
As escolas devem exigir o cumprimento de seus regulamentos, não permitindo que crianças doentes frequentem as aulas e exigindo um atestado médico antes de as crianças que estiveram gravemente doentes voltem à sala de aula.

O ideal é que as escolas tenham enfermeiros e outros profissionais da área médica em seu quadro de funcionários, que tenham responsabilidades designadas pelos regulamentos de saúde e administração da escola. Tais regulamentos necessitam de monitoração e medicação para diabetes, prevenção e controle de convulsões, cauterização, alimentação via tubo, oxigênio, etc.).

As escolas devem também ter regulamentos quanto à autoadministração de medicamentos com equipamentos como inaladores para crianças asmáticas e injetor de epinefrina para os que têm alergias graves.40

Em conclusão, as escolas devem suprir aos pais ou tutores uma relação de procedimentos para manter seus filhos seguros e saudáveis na escola. Os itens na relação devem incluir: requisitos de imunização, números de telefone de emergência para a escola entrar em contato com os pais, informação sobre questões de saúde da criança, instrução para manter crianças em casa quando estão doentes, e instruções sobre como vestir e alimentá-las para que tenham boa saúde.

 

 

R. Patti Herring, Ph.D., R.N, é professora associada na Escola de Saúde Pública, Departamento de Promoção e Educação de Saúde na Universidade Loma Linda, Califórnia, E.U.A. É também coinvestigadora para o Segundo Estudo Adventista de Saúde.
Vanessa Jones, R.N., M.S., é enfermeira anestesista registrada que atua no Centro Médico da Universidade Loma Linda (LLUMC) e estudante de doutorado na Escola de Saúde Pública, Departamento de Promoção e Educação de Saúde na Universidade Loma Linda.
Fonte: http://circle.adventist.org//files/jae/po/jae2007po242607.pdf
Imagem: Viperagp/Fotolia