Segundo a BBC Brasil, nos últimos 12 anos a taxa de suicídio na população entre 15 a 29 anos de idade sofreu um aumento de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014, e com isso nos deparamos com um aumento de quase 10% na realidade brasileira. Logo, o suicídio não é um fenômeno isolado e pela ótica da educação, não podemos colocá-lo na prateleira dos assuntos considerados tabus. É um tema de saúde pública e temos uma responsabilidade social para com nossos educandos, prezando pelo seu bem-estar em todos os aspectos do ser.  A seguir aponto 3 razões pelas quais devemos tratar deste assunto com os nossos adolescentes.

1ª: Se não falarmos, alguém vai.

Adolescência é um período importante na maturação do aspecto identitário, é a fase da busca por respostas e por afirmação. Séries, como 13 Reasons Why não são recomendadas por especialistas para adolescentes emocionalmente fragilizados e com transtornos mentais como depressão, por exemplo. Portanto, se não discutirmos o tema de forma responsável com nossos adolescentes, pode ser que venham a conhece-lo por meios não seguros e que pervertem alguns valores, como valorização da vida e de si mesmos.

2ª: Falar sobre suicídio não é estímulo, é prevenção!

Segundo a OMS, a faixa etária com incidência de casos suicidas é a partir dos 14 anos, são crianças que estão nas instituições de ensino. Com isso os educadores têm palco propício para tratar do tema, além de campo de visão para observar comportamentos e, por vezes, a confiança dos alunos no diálogo. Além disso, têm o ensejo de tecer parcerias com as famílias, bem como, oportunidades de intervenção em situações de alerta. O bom relacionamento e o apoio integral dos familiares, é um fator de proteção contra comportamentos suicidas, conforme a OMS. Soma-se a este fator, religiosidade, percepção otimista da vida, ter uma ocupação, vínculos sociais saudáveis e capacidade de enfrentamento. Todos temas que permeiam o cotidiano nos espaços formais de ensino.

3ª:  Sociedade fragilizada, mentes confusas. É preciso equilíbrio!

A sociedade de um modo geral caminha cada vez mais para inversão de valores que alicerçam um desenvolvimento equilibrado das faculdades mentais. Padrões comportamentais, distinções étnicas, sociais e diversos outros fatores culturais e sócio demográficos, podem ter grande impacto em um adolescente sem base sólida e redes de apoio, influenciando na visão de si mesmos e como lidam com as situações na sociedade da informação e do espetáculo, onde o eu é protagonista, suplantando a coletividade e suas diferenças, e onde ter e parecer precede o ser e o cuidado de si.

Em resumo, é tempo de zelo, de diálogo. Nas escolas é tempo de estarmos atentos aos nossos alunos, pensar em conjunto em estratégias para fortalece-los e alertar a comunidade sobre o tema.

 

 

Imagem: Martinan / Fotolia
Fontes:
(http://www.bbc.com/portuguese/brasil-39672513)
(http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/66801/5/WHO_MNH_MBD_00.3_por.pdf)