Estamos vivendo hoje a fadiga das telas. Passamos horas em frente a computadores, celulares e tablets. Qualquer alerta na tela do celular chama a atenção de nossos olhos, ansiosos por qualquer mensagem. Ficamos dispersos e desatentos. Qual a primeira coisa que você faz ao acordar quando deixa o celular para carregar a bateria no quarto? Instintivamente, pega o aparelho e procura visualizar rapidamente as informações de alerta? Sem perceber, depara-se navegando pelas redes sociais à procura de “curtidas” e comentários? Sem que se aperceba, esses passos já se tornaram comuns.

Segundo Nir Eyal, autor do livro Hooked: how to build habit-forming products, para se tornar um hábito, o usuário precisa seguir o seguinte ciclo:

Se você já ultrapassou todas as etapas mencionadas, sem perceber, já é um usuário compulsivo. Sendo assim, não é surpresa se estiver sofrendo da “fadiga da tela”.

Estudos comparam o vício pela internet com qualquer outra dependência química. Em julho de 2006, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria apontando os sintomas físicos e psíquicos causados pela dependência da internet.

Entre os sintomas físicos mencionados estão problemas que incluem: “o comprometimento da postura, lesões por esforço repetitivo, como tendinite; obesidade ou subnutrição, devido à má alimentação; e deformidade na visão, atacada pela luminosidade do monitor”.

No aspecto psíquico, podem ser mencionados: “a incapacidade de concentração, a angústia por estar longe de um computador e o sentimento de impotência”.

Além disso, essas características podem comprometer a vida do indivíduo de diversas formas, como baixo rendimento escolar (se estiver estudando) ou profissional, e prejuízos em relação ao sono, por comprometer bom número de horas diante do computador.

Em Londres já existe uma clínica especializada no tratamento para usuários compulsivos pela internet. “O princípio consiste em reforçar as atividades sociais que não estejam ligadas à internet e em estabelecer estratégias para confrontar os problemas que possam ocorrer”, afirma o Hospital Capio Nightingale, especializado em problemas mentais.

A fadiga das telas é provocada por nossa incapacidade de se livrar dela. O diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITSrio.org), Ronaldo Lemos, disse em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo que esse não é apenas um problema social, mas também espiritual. Lemos explica que “nossa consciência está cada vez mais subjugada por sistemas abstratos que operam por meio da tecnologia e nos condicionam a agir conforme seus desígnios internos, minando o livre-arbítrio”.

Ao constatar o problema, precisamos tomar consciência dele e desejar superá-lo. É certo que podemos vencer nossos maus hábitos. Afinal, Deus nos deu liberdade para fazer escolhas e tomar decisões. Não podemos ser envolvidos pela tecnologia de forma que nossa mente perca a capacidade de discernir entre o certo e o errado. Os aparelhos eletrônicos podem ser excelentes instrumentos para nosso crescimento – se os usarmos com discernimento e bom senso – ou nos causar graves prejuízos e nos trazer danos irreparáveis. A escolha é nossa!

 

 


Imagem: Blackday/Fotolia
Fonte: Revista CPB Educacional – 2º semestre 2017.