Como educadores, costumamos perguntar a nós mesmos se os alunos entenderam o que explicamos. Mas o que é, afinal, entender? Há várias teorias que tentam explicar os mecanismos da aprendizagem, e muitas são as pesquisas direcionadas ao assunto. Atualmente, destaca-se a teoria da aprendizagem significativa. Esse conjunto de ideias traz avanços para os métodos de ensino, pois destaca o papel dos conhecimentos prévios do aluno no aprendizado de novos temas.

Segundo seu autor, David Paul Ausubel, devemos, ao introduzir um novo conhecimento, descobrir primeiro o que o aluno já conhece, pois o que ele já sabe será a “âncora” para o desenvolvimento dos novos conceitos adquiridos.

Antes de acrescentar outros conhecimentos, você poderá introduzir alguns “organizadores prévios”, que farão a ponte entre o que o aluno conhece e o que ainda vai descobrir. Esses organizadores são importantes para estimular a compreensão do novo.

Para Ausubel, o que existe isoladamente de mais importante no aprendizado é o que o aluno já sabe. Se não conseguirmos fazer as conexões necessárias, não teremos nada além de uma aprendizagem mecânica.

Esse tipo de conhecimento pode ser necessário mesmo se o aluno tiver contato com algo a respeito do que não tenha noção alguma, mas que “aprendeu” mecanicamente.  Aos poucos, esse conhecimento adquirido de forma mecânica começa a formar suas próprias pontes por meio da experiência, passando a ter significados e possibilitando a aquisição de conhecimentos mais elaborados.

A aprendizagem significativa é um processo dinâmico e em constante modificação. Nossas estruturas cognitivas modificam-se constantemente, dando sentidos novos aos conhecimentos adquiridos, que têm fortes características individuais, ou seja, cada aluno se relaciona de uma maneira com o conhecimento e atribui a ele um significado pessoal.

Com essa teoria em mente, Joseph Novak propôs os mapas conceituais, que pretendem representar graficamente os “organizadores prévios”. O mapa conceitual pode ser utilizado para introduzir um novo conteúdo; entretanto, os conteúdos novos não devem ser colocados nesse mapa conceitual. Assim, primeiramente devemos organizar os conceitos que os alunos já dominam, deixando assim as “pontes” prontas para que o aluno relacione os conceitos do mapa com os novos conhecimentos.

O mapa conceitual tem como objetivos principais apresentar a relação entre os conceitos e hierarquizá-los por meio de ligações que demonstrem as compreensões que a pessoa adquiriu e elaborou em relação ao tema do estudo. Por isso, podem ser ótimos recursos de aprendizagem e autoavaliação e também uma ferramenta ou técnica didática. Não queira, porém, quantificar uma nota para cada mapa, já que ele apresentará o que teve significado ou não para o aluno.

Podem ser elaborados mapas conceituais para um módulo, um assunto específico, um conteúdo anual ou mesmo para um curso. Isso vai depender da intensidade de generalização requerida.

Mapas conceituais necessitam de explicação por parte do autor (aluno ou professor). Para isso, será necessária a sistematização do conhecimento (exteriorização de significados), realizada cognitivamente pelo aluno. Que fique claro: o mapa conceitual não é autoexplicativo –  deve ser apresentado e explicado por alguém. Nesse caso, pode ser ao fim de um conteúdo. Aos poucos, os alunos poderão elaborar seus próprios mapas conceituais em todas as áreas do conhecimento, o que facilitará, dessa maneira, a estruturação e sistematização dos conceitos e seus significados; os mapas são facilmente usados como um recurso para a aprendizagem significativa.

A montagem de mapas conceituais com os alunos em sala de aula poderá trazer à tona assuntos cujas relações não tenham ficado claras. Os mapas podem ser uma grande ferramenta de avaliação, pois no momento em que eles expõem o que entenderam sobre o assunto ficam evidentes suas deficiências.

A elaboração do mapa conceitual pode seguir alguns passos básicos, mas salientamos que não existem mapas conceituais prontos, visto que cada um é o resultado da relação do novo conhecimento com os já adquiridos, acrescida de características pessoais. Por isso, não existem mapas conceituais errados ou corretos; o que existe é uma compreensão rica ou pobre do tema proposto, servindo como uma ferramenta indicativa ao professor das dificuldades que seus alunos enfrentam para compreender o tema proposto.

 

Como construir um mapa conceitual

Para se construir um mapa conceitual, podem ser seguidos modelos de hierarquia, em que os conceitos mais globais e abrangentes apareçam na parte superior do mapa, e os mais restritos, na inferior; mas isso não é uma regra.

Alguns passos irão auxiliar na construção de um mapa:

  • Destaque dez conceitos que representem o assunto selecionado e escreva cada um em um cartão;
  • Separe dois cartões, desenhe linhas entre os termos escolhidos, escolha uma palavra-chave que os relacione e a escreva sobre a linha de ligação;
  • Depois disso, adicione um terceiro cartão e repita o processo, tentando ligá-lo aos cartões anteriores. Continue o processo até acabarem os cartões;
  • Aos poucos se formará uma teia de relações, demonstrando suas percepções sobre o assunto selecionado;
  • Se for necessário, você poderá inserir outros conceitos e até mesmo exemplos. Estes, em geral, são utilizados na região inferior do mapa;

 

Não se esqueça de que seu mapa é apenas um ângulo sob o qual o tema escolhido pode ser analisado. Cada pessoa poderá observar o mesmo assunto por ângulos diferentes, e você, após um estudo mais aprofundado, tentará modificar e/ou tornar mais complexos os conceitos e as relações exibidos no mapa.

O estudo na aplicação de mapas conceituais na educação tem avançado muito. Há sites que tratam do assunto. Entre eles, sugerimos o site <http://cmap.ihmc.us>. Ele apresenta um programa para elaborar mapas conceituais chamado Cmap tools, que organiza os dados. Com essas dicas, você poderá produzir mapas conceituais em sala de aula com os alunos.

 

 

 

Autores de Biologia do Sistema Inter@tivo de Ensino.
* Leia na íntegra as “Orientações ao Professor” em: <https://goo.gl/vKf6nb>. Acesso em: 30 jan. 2017.
Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2017
Imagem: Bakhtiarzein / Fotolia