A relação entre mente (neuro) e a linguagem (linguística), e como esse imbricamento pode ser organizado, ainda é um mistério incitante, pois tanto a mente, como o corpo e comportamento das pessoas são afetados por essas intrigantes conexões. A linguagem situa o homem como santuário da fala, de escuta e de doação; e cada uma dessas categorias o move para a convivência, mediante a qual poderá aumentar cada vez mais seu vocabulário e habilidade nas relações com a comunidade e a natureza. Quanto maior a força de amplitude dos valores cultivados, maior será a força de convivência entre o ritmo, a sonoridade, a imagem e a compreensão do que as palavras comunicam. Simples palavras como mesa, rio ou árvore têm um incrível poder de inspiração e sedução. Contudo, somente aquele que mais se detiver a refletir sobre elas, penetrará mais profundamente nos mistérios da vida.

O poder da linguagem reside em um processo dialético de ida e volta; entre o engajamento e a transcendência; o particular e o universal; em que cada palavra chama a outra, em meio a um círculo inesgotável de nomeação e renomeação de pensamentos e coisas. O seu devir se expressa na dinâmica perfeita que o obriga a constantemente se refazer. Ao mesmo tempo em que se representa na expressão daquele que cria alguma coisa, fala ou escreve, a linguagem é também um desafio à universalização de uma visão de mundo. Nessa perspectiva, o sentido das ideias e coisas se determina no plano de linguagem, que desvela, através da História, infinitos sentidos.

A linguagem nos insere, desde a infância, nos mundos objetivo e subjetivo, permitindo-nos visualizar a totalidade dos entes e das coisas. A linguagem é fogo que se amplia; que se desfaz e refaz, suscitando novos diálogos a partir do esforço no uso do empenho do bem falar, dando outros significados que alargam e aprofundam a nossa relação com as pessoas e as coisas, além de nos aproximar dos fatos, dos sentimentos e da esperança.

Cada palavra dita ou ouvida é um ingrediente do saber que nos impulsiona a investigar cada vez mais o que está a nossa volta e além de nós. Platão chegou a dizer que o artífice da palavra não pode ser qualquer coisa. Essa aproximação da verdade é dada em uma procura criadora que tende a resultar na promoção da realidade. Sob inspiração das palavras que falamos, lemos e conhecemos, obtemos o poder para criar mundos e ideias inimagináveis.

 

Fascículo 3 de Filosofia – Sistema Inter@tivo de Ensino
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