Já é do conhecimento de todos os professores o papel das imagens na sociedade, sobretudo em nossos dias. Para diferentes culturas, a imagem assumiu um papel fundamental, que perpassa aspectos importantes do cotidiano e das mentalidades de um povo, revelando dimensões religiosas, políticas e sociais, entre outras. No mundo contemporâneo, a rapidez com que as imagens são veiculadas torna fundamental uma reflexão crítica sobre seus conteúdos.

Chamamos de leitura de imagem as estratégias utilizadas pelo professor para conduzir um diálogo entre os alunos e a imagem, explorando seus significados, aspectos técnicos, formais e contextuais.

O mundo exibe uma grande quantidade de imagens, que os alunos se acostumaram a ver, mas não a pensar profundamente sobre elas. O diálogo com o ensino de Arte é importante nessa discussão.

Ler uma imagem é fazer-lhe, implicitamente, perguntas. É um processo que nos leva a compreender a imagem, descrevê-la, decompô-la, para apreendê-la. Uma imagem propicia uma infinidade de leituras devido às relações que seus elementos sugerem. Nesse sentido, pode-se ler a imagem de várias maneiras.

Assim, ao verificar uma imagem, o aluno pode descrevê-la livremente, de acordo com seus próprios repertórios. A partir de perguntas, o professor pode conduzir o aluno a levantar hipóteses e traçar comparações. Em seguida, é importante que o professor busque informações internas e externas à imagem. No primeiro caso, são questões sobre os elementos que aparecem na imagem, além da técnica empregada em sua elaboração. No segundo caso, são questões sobre quem produziu a imagem, quando e em que contexto. O passo final é discutir o que aquela imagem representa e como ela foi utilizada. Essa é uma das possibilidades, entre as diversas formas de se refletir sobre imagens.

Além das imagens fixas, não podemos ignorar o papel que a televisão possui em nossa cultura, ao promover a difusão e a circulação de referências culturais. No espaço televisivo, convivem diferentes representações, que podem ser discutidas em sala de aula. Trazer temas da televisão para a sala de aula significa mais que ilustrar temas de História. Significa problematizar o corriqueiro, a fim de promover uma educação que interprete a mídia e suas implicações. Por exemplo, analisar a forma como os telejornais são organizados e a forma como abordam certos temas incentiva um olhar crítico, que nos faz questionar as motivações implícitas daqueles que promovem a informação. O mesmo se pode dizer de outros períodos históricos, em um estudo das estratégias de formação de opinião.

Vale ainda destacar a importância de filmes, sejam ficcionais ou documentais. É necessário sempre discutir com os alunos aspectos da produção da película e sua época. Usar um filme apenas para ilustrar um tema ou aula pode ser um risco, pois o aluno pode entender aquele filme ou documentário como uma reprodução de uma realidade ou período, quando na verdade se trata de mais uma representação ou interpretação, que precisa ser avaliada. Muitas vezes, um filme sobre um tema histórico tem mais a dizer sobre a época em que foi produzido do que sobre o tempo que é retratado.

Apesar de útil ao aprendizado, o uso de filmes merece cautela. O professor corre o risco de se tornar refém desse recurso em plena aula. Pode se surpreender diante de conteúdos indesejáveis, da dispersão da classe ou mesmo da perda de foco quanto ao tema em estudo. O professor deverá observar o título e concluir se o volume de informações distorcidas compensa o objetivo a ser alcançado e se os alunos serão capazes de filtrar as informações que não se ajustam a uma cosmovisão cristã. Portanto, sugerimos:

  • Assista ao filme antes para escolher trechos na exibição e formular questões mais relevantes;
  • Filmes não devem ultrapassar o tempo de duas aulas; caso a exposição se torne monótona, planeje previamente controlar o tempo da exibição;
  • Não fale: “se der tempo, vamos assistir ao vídeo”, isso soa como se a atividade não pertencesse ao conteúdo;
  • Após o filme, promova uma discussão que conduza os alunos a uma análise crítica sobre o ponto de vista do filme, a fim de que o estudante tire suas próprias conclusões.

 

Como se percebe, os recursos visuais são variados e devem ser explorados pelo professor, sempre com o cuidado de uma contextualização significativa e envolvente.

 

 

 


Autores de História da Coleção InterAtiva e do Sistema Inter@tivo de Ensino.
Leia na íntegra as “Orientações ao Professor” em: <https://goo.gl/LyqKPO>. Acesso em: 30 jan. 2017.
Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2017.
Imagem: Matiasdelcarmine / Fotolia