Para se manter, a escola particular precisa de uma quantidade mínima de alunos, e para crescer, novos alunos devem ser captados. Essas não são tarefas simples diante do cenário atual da economia brasileira, ainda mais com o aumento expressivo da quantidade de escolas particulares anualmente. Dessa forma, encontramos um mercado altamente restrito e competitivo.

Para alcançar êxito na campanha de matrícula, deve-se buscar primeiro a direção de Deus, certos de que a educação tem uma intencionalidade redentiva e de que todas as ações da escola estão adequadas à filosofia cristã. A partir dessa premissa, entende-se que é necessário envolver a todos – profissionais da escola, alunos e familiares, bem como os parceiros comerciais – no projeto da campanha de matrícula, com o objetivo de formar um grande exército de “vendedores” de matrículas. Para ser vendedor é necessário estar fidelizado à escola, porém, estar fidelizado não garante ser vendedor. O cliente fidelizado pode simplesmente, quando questionado, indicar a escola que estuda, mas o vendedor, além de indicar, também se antecipa, oferece, provoca e estimula a procura por sua escola específica. A estratégia então é primeiro garantir a fidelização dos clientes e então torná-los vendedores.

Profissionais da escola – do gestor ao pessoal da limpeza, todos devem ser considerados essenciais no planejamento da campanha de matrícula. O “clima” deve motivar a todos. Faça reuniões com a equipe e aprenda com as experiências anteriores, destacando e relembrando o que não deu certo em outros anos, a fim de evitar os mesmos erros. Treine os profissionais para a necessidade do contínuo aprendizado e lembre-os de que a inércia traz ameaças ao futuro da escola. Para estimular o aumento do desempenho desses profissionais, é imprescindível a conscientização da função de cada um na campanha de matrícula. Estabeleça desafios, parabenize e premie a equipe após a meta conquistada. Lembre-se: primeiro fidelizá-los para depois torná-los vendedores!

Alunos e familiares – como elemento chave para o marketing educacional relacionado aos alunos e seus familiares, há o professor. Quando nos lembramos de nosso tempo de escola, qual é o primeiro personagem que vem à mente? O professor é o principal aliado na construção de uma imagem positiva da escola, e vem dele o papel fundamental na motivação e no interesse do aluno em fidelizar-se à escola e dela tornar-se vendedor.

Além do papel estratégico do professor, a gestão escolar também deve entrar em ação provendo e gerenciando meios para medir o grau de satisfação dos alunos e de seus familiares. Duas questões simples podem nortear as ações: “O que os alunos desejam?” e “O que os pais ou familiares dos alunos desejam?” Para conquistar novos alunos, é preciso conhecer antes o que os alunos atuais pensam a respeito da escola. A equipe escolar deve estar alinhada e atenta às respostas dadas pelos alunos e seus familiares, pois o quanto antes os sinais de insatisfação forem identificados, mais rápido será possível reverter o quadro de descontentamento. É necessário que se mantenha uma boa relação com os alunos e seus familiares, pois, dessa forma, eles se sentirão amparados, seguros e participantes reais da trajetória escolar. Nesse processo, estarão, aos poucos, sendo fidelizados e motivados até se tornarem vendedores.

Pastores e liderança da igreja do distrito escolar – quando a escola e a igreja trabalham de mãos dadas, mobiliza-se uma das maiores forças para a captação de novos alunos. Nunca se deve perder de vista o objetivo de matricular 100% dos filhos dos membros da igreja local em nossas escolas. Sendo assim, não é difícil imaginar os resultados de centenas de membros divulgando e conduzindo novos alunos para as nossas carteiras escolares. Para que isso se torne realidade, o caminho é o mesmo: fidelizar o cliente e torná-lo um vendedor.

Para estabelecer parcerias com as igrejas, é necessário que a escola seja conhecida, presente e relevante também nesse ambiente. Algumas sugestões de como fazer isso:

  • Certifique-se de que a escola esteja com frequência presente nos boletins informativos da igreja, por meio de notícias e testemunhos;
  • Quando possível, mantenha um espaço no hall de entrada da igreja para um mural e atualize-o regularmente com as ações realizadas pela escola;
  • Realize programas especiais com qualidade, como os sábados da educação, domingos especiais, seminários sobre o ministério da educação cristã, etc;
  • Promova palestras, seminários e feiras de temas diversos com os profissionais da escola;
  • Abra o espaço escolar para atividades esportivas, recreativas e sociais em parceria com a igreja, porém, sempre supervisionadas pela gestão e equipe escolar.

Quando a igreja enxerga a escola como parceira no cumprimento da missão, compreende o seu papel como formadora também da liderança eclesiástica e percebe com nitidez o seu papel evangelístico. Assim, ela se tornará em uma igreja fidelizada e fará parte integrante da campanha de matrícula, tornando-se em uma igreja vendedora.

Parceiros comerciais – com o passar do tempo, essa estratégia tem se demonstrado bastante essencial na captação de novos alunos. Esteja sempre em busca de novos parceiros e convênios e faça um planejamento para a manutenção dos parceiros já conquistados. Procure enviar informativos que apresentam as melhorias estruturais, os resultados acadêmicos e as ações escolares relevantes para a comunidade. Convide-os para as programações e parabenize-os por suas datas comemorativas. A intenção é mantê-los fidelizados e prontos para participar ativamente como vendedores na campanha de matrícula. Vale a pena lembrar que a parceria é uma via de mão dupla; por isso, escolha com atenção os parceiros e as pessoas envolvidas no processo, observando sua idoneidade e procurando segmentos compatíveis com a filosofia da escola.

A campanha de matrículas vai muito além de uma atividade educacional comercial, legal ou de uma forma de sobrevivência mercadológica. Para a escola cristã, essa campanha está intrinsecamente ligada às oportunidades de salvação. Com o reconhecimento sincero da total dependência de Deus e a permissão para que Ele aja, o resultado certamente será o descrito em 1 Coríntios 15:57, 58: “Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor”.

 

Fonte: Revista CPB Educacional – 2º semestre 2016.
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