A figura do professor é essencial para o modelo educacional praticado no Brasil, no entanto, esta que é uma das figuras centrais nos processos de ensino-aprendizagem vem passando por recorrentes situações desafiadoras e que contribuem para a sua desvalorização em seu próprio campo de atuação, bem como na sociedade. Tendo isto em mente, devemos estar atentos para com o equilíbrio e bem-estar dos docentes.

O índice de afastamento de professores cresce a cada ano. A revista da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação de 2012 mostrou que a principal causa do afastamento de docentes está ligada ao esgotamento emocional, sendo que 14,3% dos 8,9 mil professores entrevistados no Brasil se afastaram por depressão, ansiedade, síndrome do pânico e etc.

O tema da saúde docente deve permear as administrações escolares, pois o ritmo intenso, a carga de trabalho e os diferentes momentos de enfrentamento que o professor está em contanto diariamente, e que por vezes vão além do seu espaço de intervenção, colaboram para que o professor esteja suscetível ao que o espanhol José M. E. Zaragoza denomina “mal-estar docente”.

Para Zaragoza, dois fatores contribuem para esse mal-estar: Os fatores contextuais que são relativos a ação docente e às mudanças na forma como o papel do professor é concebido. A exemplo disso está a transferência de responsabilidades do núcleo familiar para a escola/professor; O segundo é o fator primário, estritamente ligado à sala de aula, desencadeado por situações como a falta de recursos, falta de apoio em situações de enfrentamento nas relações aluno-professor-família, estrutura física, depredações ao espaço escolar e violência verbal e/ou física contra o professor.

O autor afirma que é preciso rever os referenciais a serem desenvolvidos nos educandos, focar a formação dos professores e as capacidades e habilidades que estes devem desenvolver para tal. A formação docente deve estar voltada, não somente para apreensão de conhecimentos técnicos, mas também ao desenvolvimento da habilidade de lidar com as características da instituição a que trabalha, do grupo e da comunidade, e com as diversas conjunturas dos relacionamentos interpessoais na docência.

É preciso consciência dos limites e uma atenção por parte das escolas para com o bem-estar de seus educadores. Segundo Ellen White, escritora norte-americana, “o bom humor e a cortesia devem especialmente ser cultivados pelos pais e professores. Devem possuir fisionomia radiante, voz mansa, maneiras corteses, que são elementos de poder”. (White, 2008, p. 194). Logo, para que os educadores proporcionem tal atmosfera influente, é preciso equilíbrio. Que as instituições de ensino promovam o bem-estar do professor e ambiente de trabalho harmônico, e que os educadores busquem o equilíbrio em todos os aspectos do ser e assim, caminharemos para termos docentes mais saudáveis e uma educação prazerosa que rende frutos significativos na vida de cada educando.

 

 

Referência:
Esteve, J. M. (1999). O mal-estar docente: a sala de aula e a saúde dos professores. Bauru: Editora da Universidade do Sagrado Coração.
White, E. G. (2008). Educação.  Ellen G. White Estate, Inc.
Imagem: Olly/Fotolia