Muito se debateu nas últimas décadas em relação ao efeito de jogos e diversões eletrônicas sobre as crianças e adolescentes, mas afinal o que se resume de tudo o que foi pesquisado? Qual deve ser nossa postura enquanto pais e educadores?

Primeiro falaremos sobre os benefícios do uso dos jogos eletrônicos. Alguns trabalhos apontam para uma melhora na cognição e raciocínio lógico dos adolescentes que utilizam esses jogos. A ideia é que os jogos propõem resolução de problemas, raciocínio rápido e melhoram o processo de tomada de decisões. Resumindo, quem brinca com jogos que forçam o raciocínio, treina mais essas habilidades.

Por outro lado, há efeitos negativos. Há estudos que comprovam o aumento da irritabilidade e agressividade, maior incidência de casos de epilepsia, síndromes musculoesqueléticas, alterações no sono e o favorecimento de doenças mentais mais graves, com sintomas psicóticos.

Na literatura científica e na mídia há relatos marcantes de jovens que de alguma forma misturaram os jogos de videogame à vida real. Eles acabaram reproduzindo as ações vivenciadas nos jogos violentos fora do ambiente virtual ao atirarem em pessoas ou cometerem furtos.

Cabe aos pais dizer para que lado a balança penderá em sua avaliação relativa aos possíveis benefícios e malefícios causados por esses jogos eletrônicos. Há profissionais, pais e filhos que preferirão procurar uma forma de “uso seguro” dessas diversões e as defenderão com muitos argumentos. Nesse caso, há recomendações para reduzir os impactos negativos.

 

Recomendações para reduzir os impactos negativos dos jogos

Caso os pais optem por manter esse tipo de diversão, devem estar atentos a alguns procedimentos que diminuem os efeitos negativos dos jogos, tais como:

  • não jogar antes de dormir, pois os jogos diminuem significativamente a qualidade do sono;
  • permitir apenas jogos adequados à faixa etária (verificar na embalagem do jogo);
  • ter ciência dos jogos que o filho está jogando para saber ao que ele está exposto;
  • não permitir períodos longos e ininterruptos de atividade, mas fazer pausas de pelo menos 10 minutos a cada 50 para alongar-se e evitar problemas musculoesqueléticos;
  • limitar o período diário de exposição aos jogos;
  • evitar fones de ouvido.

 

Muito além do videogame
A ansiedade tem estado na raiz de boa parte dos problemas de saúde mental que temos enfrentado atualmente. É preocupante ver uma geração, cujos pais são ansiosos, acostumar-se a tantas diversões artificiais e imediatistas.

Jogos, celulares, internet… Tudo tão veloz, com tão pouco tempo de espera e com reforços ao imediato. É natural que esses meios tirem da criança a capacidade de esperar, diminuindo sua paciência e tolerância. A ansiedade deles será ainda mais acentuada do que a de seus pais, e a maturidade não será capaz de alterar os hábitos e temperamento que estão sendo desenvolvidos agora.

Não é só nos videogames que se encontra esse tipo de risco, mas em toda diversão artificial. A solução, claro, não é aliená-los do mundo tecnológico em que vivemos, mas controlar o uso dessas ferramentas e expô-los ao máximo a outras atividades que desenvolverão o espírito calmo e equilibrado ao qual prezamos. O contato com a natureza é muito benéfico nesse sentido.

 

Informação demais
O bombardeio de informações acelera o pensamento e desperta a atenção das crianças para assuntos impróprios para sua idade, o que também aumenta o nível de ansiedade entre elas.

É comum ouvir de pais de pré-adolescentes de 10 ou 11 anos de idade que seus filhos ainda são “muito inocentes” e citam, como prova disso, o costume de brincar de bonecas ou falar sozinhos, porém, as brincadeiras infantis não são prova de inocência. Basear-se na forma como eles brincam para afirmar que são puros o suficiente para, por exemplo, ter um smartphone com acesso à internet, sem supervisão alguma, é um grande risco.

Se os pais, mesmo “selecionando” suas amizades, de vez em quando acabam recebendo mensagens impróprias de algum grupo novo (do qual nem sempre concordaram em participar) via WhatsApp, por exemplo, o que acontecerá no celular de seus filhos? O filho terá maturidade para lidar com palavras de baixo calão, piadas de péssimo gosto ou pornografias que, cedo ou tarde, surgirão em algum grupo? Se são coisas que causam impacto até mesmo em nós, adultos, que impacto e influência terão sobre a mente das crianças?

O pai que partilha da crença de inocência de seu filho e permite que ele tenha acesso não supervisionado a esses meios de comunicação, pode estar iludido.

 

Por fim, o conselho bíblico
Paulo dá importantes orientações quanto a critérios para filtrarmos nossas atividades e pensamentos: “Finalmente, irmãos, tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (Filipenses 4:8).

E a escritora Ellen White acrescenta: “Qualquer atividade na qual você puder se envolver pedindo sobre ela, com fé, a bênção de Deus, não será perigosa” (Conselhos aos pais, professores e estudantes, p. 337)*.

 

*WHITE, Ellen G. Conselhos aos pais, professores e estudantes. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2007. p. 337.
Fonte: Revista CPB Educacional – 2º semestre 2016.
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