Desde 1992, um grupo de colegas da Universidade Adventista del Plata (UAP), na Argentina, e eu temos investigado como as pessoas reagem quando ofendidas, as desordens que o atrito produz e as maneiras de superar as disputas (Moreno e Delfino, 1993; Pereyra, 1996; 2003; Moreno e Pereyra, 1999; 2000; 2001). Nossas investigações têm revelado oito atitudes características. As atitudes são formas distintas de comportamento que refletem estados emocionais, de pensamento e de vontade. Essas oito atitudes podem ser assim definidas:

 

Oito atitudes

  1. Submissão: Aceitação passiva do insulto, submetendo-se à crítica ou atitude reprovadora do ofensor, criando justificativas autodesqualificadoras e humilhantes como, por exemplo: “Eu mereço isso” ou “É culpa minha”.
  2. Negação: Exclusão consciente da lembrança de ideias ou sentimentos associados à ofensa sofrida; empreendimento de esforços para “esquecer o assunto”.
  3. Reação hostil: Predisposição para reagir imediatamente com violência, atacando o agressor da mesma forma; uma atitude primitiva que pode não deixar ressentimentos em relação ao sujeito, mas provavelmente agrava o conflito com a pessoa que sofre o ataque emocional.
  4. Vingança: “Olho por olho e dente por dente”. Busca intencional de vingança e planejamento para executá-la, tentando dar ao ofensor a mesma ou até maior punição do que o agravo sofrido. Isso também é diferente da primeira atitude, na qual a reação não é imediata. Muito tempo pode passar antes que a retaliação tenha lugar.
  5. Ressentimento: Tendência de reter sentimentos de ira e ódio, lembrando-se frequentemente da afronta sofrida, mantendo comportamentos de animosidade e rancor para com a parte culpada, sem realmente praticar atos diretos de vingança, como na reação vingativa já mencionada.
  6. Explicação: Enfrentamento do faltoso na busca de uma explicação, justificativa ou motivo para a ação, a fim de superar a discórdia mediante o diálogo; “esclarecer as coisas”.
  7. Perdão: Essa atitude também se centraliza na comunicação, mas busca a compreensão para esclarecer satisfatoriamente as causas da controvérsia; a pessoa cerra as portas a ações hostis, vingança ou rancor.
  8. Reconciliação: Superação da discórdia mediante o diálogo e a disposição perdoadora, assim como ocorre nas duas atitudes precedentes, mas com a intenção de reavivar os laços de afeição com o ofensor, a fim de restabelecer o bom relacionamento.

Quando analisamos estatisticamente centenas de estudos realizados através de testes para mensurar essas atitudes (Questionário de Atitudes em Situações de Ofensa, ASOQ [Moreno e Pereira, 2000]), com pessoas de diferentes faixas etárias, sexo, situação conjugal, crenças e origens, descobrimos que essas formas específicas de reação correspondiam a três modelos básicos

 

Três respostas comportamentais gerais

Quando somos vítimas de uma ofensa, respondemos segundo três padrões de comportamento geral. O primeiro inclui atitudes de submissão e negação, que podem ser interpretadas como a tendência de internalizar impulsos hostis, reprimindo-os ou negando-os. Esse é o caso de alguém que “engole” ou controla suas emoções, revelando exteriormente uma aparência tranquila, “fingindo coragem”.

A segunda resposta corresponde a comportamentos hostis, vingança e ressentimento. Diferentemente dos comportamentos submissos, essa tendência envolve agressão, buscando a certeza de ferir aqueles que feriram você. Ela inclui “explosões” e perturbações que alimentam a ira até sua descarga.

A terceira forma de resposta canaliza as emoções através do diálogo e da negociação. Ela cobre as três últimas atitudes: explicação, perdão e reconciliação. Consiste em buscar superar os conflitos, preservando o bom relacionamento interpessoal e administrando o problema mediante a comunicação.

 

O que é melhor, afinal?

O diálogo deve ter lugar sob condições adequadas, quando a ira diminuir e quando a reconciliação for capaz de superar os mal-entendidos e conservar a amizade. Conservar aberta a rede de relacionamentos amigáveis e satisfatórios com o próximo promove a boa saúde mental. Isso ajuda a manter o senso de bem-estar e preserva a alegria de viver.

Por essa razão, é bom lembrar a exortação de Paulo: “Façam todo o possível para viver em paz com todos”. (Romanos 12:18).

 

Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2015