Há pais que controlam os filhos como se estes fossem robôs. Tal atitude lhes tira a capacidade de tomar decisões, anulando a liberdade de escolha, que é um princípio fundamental no processo da educação. No entanto, os pais não podem deixar o barco correr sem nenhuma direção. Muitos procedem desse modo e colhem consequências desastrosas.

E agora vem a pergunta inevitável: Como proceder adequadamente? Creio que o modelo divino é o padrão para os pais. M. Lloyd Erickson afirma: “O Pai celeste exerce controle prudente ao nos dizer o que é bom para nós. Ele destaca os resultados das más escolhas, porque não deseja que nos machuquemos. Mas Ele não nos força a seguir Suas diretrizes. Em vez disso, deseja que aprendamos a amá-Lo e a confiar nEle de tal maneira que Suas orientações se tornem parte de nós” (O Abraço de Deus: CPB, Tatuí, 2001), p. 91. Erickson, que é psicólogo clínico nos EUA, enfatiza: “O Pai celeste persuade, mas não coage. Impele, mas não compele. Convence, mas não força. Ele não irá quebrar o seu braço. E Ele não mata” (ibid., p. 90).

Há uma fase na vida dos filhos em que controle não é uma palavra desprezível. Quando minhas filhas eram pequenas, tive que intervir várias vezes para que elas não colocassem a mão no fogo, não atravessassem a rua, etc. Esse tipo de controle é indispensável. Mesmo assim, precisamos explicar às crianças o motivo da nossa intervenção. Elas precisam entender que nosso cuidado visa ao bem delas. Não se trata de mero capricho paterno, mas de uma atitude de proteção e amor.

A educadora Tania Zagury vai ao ponto ao afirmar: “O pai que tem autoridade ouve e respeita seu filho, mas pode, por vezes, ter de agir de forma mais dura do que gostaria, às vezes até impositivamente, mas sempre o objetivo será o bem-estar do filho, protegê-lo de algum perigo ou orientá-lo em direção à cidadania” (Limites Sem Trauma: Editora Record, SP, 2005), p.32.

De acordo com essa conceituada autora, quando não estabelecemos limites para os filhos, eles tendem “a desenvolver um quadro de dificuldades que se vai instalando passo a passo”. Então, ela enumera as consequências: descontrole emocional, dificuldade crescente de aceitação de limites, distúrbios de conduta, desrespeito aos pais, colegas e autoridades, incapacidade de concentração, baixo rendimento, agressões físicas, etc.

Como podemos ver, há dois extremos que nos cumpre evitar: de um lado, controle coercitivo; de outro, falta de controle. Feita com amor, firmeza e prudência, a educação dentro dos limites da ordem e do respeito à autoridade em todos os níveis desenvolve em nossos filhos o senso de liberdade com responsabilidade. Somente assim eles alcançam a verdadeira independência. Ou seja, estão aptos para fazer o que convém.

 

Imagem: Juanjo Tugores / Fotolia