A demonstração do sentimento de perda e da frustração tem a ver com a forma como o sujeito recebeu e assimilou os limites. A assimilação dos limites deve ocorrer ainda na infância.

A transmissão de limites pode ser algo muito pesado para alguns pais, que acham que o filho não os amará mais se estabelecerem limites para ele. Entretanto, o fato de os pais demorarem a inserir normas e regras na vida da criança pode proporcionar-lhe um legado de falta de limites.

Os pais podem apresentar limites quando a criança demonstra frustração ao perder uma brincadeira. É comum vermos crianças chorando ao se decepcionarem. Porém, os pais e responsáveis não devem aceitar atitudes como bater, chutar, cuspir nas pessoas.

A frustração é uma reação às circunstâncias da vida, a algo que acontece fora do sujeito, que foge ao seu controle, como perder um jogo. Depois vem o sentimento de perda, que se instala segundo as coisas que já foram aprendidas como normas e regras. Se a criança aprendeu que as perdas fazem parte da vida e que ela precisa saber perder já nas pequenas coisas, ela poderá pensar, após a perda de um jogo, que isso não é o fim do mundo e poderá jogar mais uma partida, a fim de conquistar a vitória.

Se a regras não foram transmitidas satisfatoriamente, a criança tende a apresentar ao mundo, de forma desastrosa, sua decepção por não ter recursos para lidar com a perda sozinha, os quais poderiam ser oferecidos ainda na infância.

 

Jociane Marthendal Oliveira Santos é psicóloga.
Imagem: Cristina Conti/Fotolia