A fase da adolescência tende a ser a mais difícil de todo o ciclo da vida. Muitos meninos e meninas dessa idade causam problemas na família, no colégio e na comunidade, e, acima de tudo, sofrem com isso.

Ao mesmo tempo, o adolescente é caracterizado por aspectos muito positivos que, se forem adequadamente dirigidos, transformam-se em benefício para todos. Enumeramos sete problemas, muito comuns, que podem surgir a partir dos 11 ou 12 anos de idade, e sugerimos algumas opções para que o adulto apoie o adolescente em suas dificuldades:

1. Autoestima

O complexo de inferioridade e a baixa autoestima são muito comuns nos adolescentes. Os resultados são demonstrados no pouco rendimento escolar, problemas com o estado de ânimo e em seus relacionamentos, bem como a incapacidade para desenvolver tarefas e responsabilidades.

Pais, professores e adultos, em geral, precisam tomar cuidado para não desvalorizar a capacidade e as conquistas do adolescente. Os comentários positivos, feitos de maneira informal e indireta, surtem efeito especial no adolescente.

2. Interação familiar

A dinâmica familiar tende a mudar radicalmente quando as crianças chegam à puberdade e à adolescência. Nesse período, os pais devem rever o método de orientação dos filhos. O estilo autoritário, que talvez tenha funcionado na idade infantil, fracassa na adolescência.

O melhor é sugerir, consultar, dar um parecer, porque, com imposições, o adolescente se rebela e pode tomar rumos indesejáveis. A advertência é necessária, não obstante, nos aspectos que os pais consideram fundamentais. Deve-se exigir, com tato e muito carinho, o devido respeito do adolescente.

3. Rendimento acadêmico

É muito comum o adolescente passar por crise social ou emocional, que promove oscilação nos resultados escolares. Os pais devem procurar se aproximar do adolescente para oferecer apoio nos momentos de desânimo, desilusão ou quando se envolvem em atividades que os afastam dos estudos.

Com paciência e perseverança, devem relembrar aos filhos que as tarefas escolares são prioritárias. É também de grande ajuda manter constante contato com os professores que dão assistência ao adolescente. Como os conhecimentos que vão sendo adquiridos se tornam mais complexos nessa etapa, os adolescentes também precisam progredir em seu método de estudo e organização pessoal.

Mas, atenção! Ainda que seu filho ou sua filha tenha passado por ligeira queda do rendimento escolar, não fique muito chateado. É mais importante conservar a relação, pois, na maioria dos casos, a tempestade passa.

4. Os amigos

Na puberdade e adolescência, o grupo de amigos exerce grande influência. Não é preciso ter tanta preocupação com isso, pois as amizades contribuem para o equilíbrio afetivo.

O grupo é o espaço em que os jovens se sentem aceitos, podem falar de suas coisas e de seu estilo. O real risco está nos valores e princípios do grupo, quando eles são claramente antissociais ou imorais. Nesse caso, os pais devem, imediatamente, conduzir seus filhos para outros círculos que exerçam efeito benéfico sobre seu desenvolvimento integral.

5. O uso de substâncias tóxicas

Em praticamente todos os contextos sociais, a adolescência é uma fase de vulnerabilidades e, portanto, de provável experimentação do uso de cigarro, bebidas alcoólicas, drogas e, inclusive, de outros vícios sem substância química como os jogos de azar ou sexo pela internet.

Para não se envolver com isso, o jovem precisa se sentir bem consigo mesmo (sem sentimento de inferioridade nem desejo de ser como os outros), bem como estar rodeado de amigos e companheiros que ofereçam alternativas de entretenimento saudável.

Os pais devem estar atentos para que os filhos recebam de sua parte suficiente afeto, tempo e dedicação, além de apoio social.

6. A sexualidade

A fase da adolescência traz consigo o despertamento hormonal e afetivo, com a consequente atração sexual. Meninos e meninas precisam receber boa formação sobre o assunto e suas implicações, responsabilidades e princípios envolvidos.

7. Valores e princípios

A adolescência é uma encruzilhada em que o indivíduo faz muitas perguntas fundamentais no campo da ética, em busca do que é justo e durável. Os pais precisam saber transmitir, de forma amável e persistente, valores de real importância.

Porém, não se desespere! É natural que o adolescente tenha a tendência de olhar mais para outras pessoas, a fim de com elas aprender, seja por suas palavras ou conduta. Os valores que se observam no ambiente doméstico do adolescente podem ser seguidos para o resto da vida. Sendo assim, é responsabilidade do adulto oferecer bom exemplo para os mais jovens.

 

 

Fonte:  Revista Vida e Saúde / Junho de 2014
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