Assistindo a uma palestra de Rubem Alves no Youtube, deparei-me com algumas alegorias muito interessantes que vou comentar no espaço que se segue. Rubem Alves foi um verdadeiro contador de histórias. Ele prendeu minha atenção com seu jeito simples e claro de explicar as coisas.

Escola gaiola e escola asas

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são os pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar”, ele afirma.  Ele continua mostrando que o papel da escola não é ensinar a voar, mas encorajar a voar. Porque, afinal, as “aves” já nascem com o instinto para o voo. Mas, não voarão nunca, se não forem encorajadas.

Lembrei-me da mamãe águia e de seu filhotinho que acaba de completar o crescimento das penas. Está pronto para voar. A mamãe não fica explicando a teoria do voo, nem fazendo o pequeno avaliar altura, largura e profundidade antes de se arriscar. Não fala nada sobre os músculos que vai precisar para manter-se planando, nem a posição das pernas para dar o impulso em direção ao espaço aberto. Ela simplesmente o lança ninho afora. Mas não o abandona para que se esborrache no chão. Ela abre as asas debaixo dele para que caia sobre ela suavemente, e depois tenta outra vez. É assim que a grande águia aprende a, finalmente, alçar seu majestoso voo em direção às alturas.

Pássaro engaiolado

O professor compara um pássaro engaiolado ao aluno a quem não se dá a liberdade de pensar por si próprio. Assim como uma ave na gaiola só sai de um lugar para outro quando seu dono a locomove, a criança que cresce repetindo o saber de outros, sem levar em conta seus próprios pensamentos, é altamente manipulável por aqueles que se consideram superiores em conhecimento e poder, monitorando seus passos e suas ideias, se é que as tem.

O professor ideal

Para este autor, o professor ideal é aquele que provoca espanto nas crianças. Provoca a curiosidade. A partir dela a criança desenvolve o desejo de aprender. Informação, apesar de necessária (a internet está cheia dela), não é o objetivo principal do ensino. O objetivo é levar o aluno a querer aprender.

Aprendizagem significativa

“Frequentemente o professor só tem que repetir aquilo que já vem nas apostilas”, explica o psicanalista. Mas, o professor ideal, a seu ver, é aquele que faz a si mesmo a pergunta: “Isto que vou ensinar, serve pra quê?”.

Pássaro livre para voar

Pensar por si mesmo, é comparado pelo autor a uma “águia que só alça voo nos espaços vazios do desconhecido. Pensar é voar sobre o que não se sabe. Não existe nada mais fatal para o pensamento que o ensino das respostas certas”.

Concluo, diante destas propostas inteligentes, que a criança precisa, desde tenra idade, aprender a usar sabiamente sua capacidade de pensar. Mesmo uma criança com algum atraso cognitivo tem condições de aprender a pensar, a analisar, a refletir.

 

Imagem: Dejan Jovanovic/Fotolia