A sexualidade é construída a partir dos primeiros meses de vida por meio dos contatos que a mãe faz com o seu bebê. Quando a mãe dá carinho, troca a fralda, passa creme, tudo isso vai contribuindo para a formação de um ser que é sexual. De três a cinco anos, ocorre uma curiosidade nas crianças quanto à genitália e ao gênero. E as perguntas começam a surgir: Por que meu irmão é assim e eu sou diferente?

As descobertas do próprio corpo também fazem parte desse processo. Embora a criança seja sexuada, ela não tem a experiência do sexo no corpo, ou seja, não tem noção do que seja a relação sexual, e isso não deve ser experimentado até que se tenham recursos psicológicos para tal experiência.

Nesse processo de conhecer o corpo, os pais devem perceber a diferença entre a curiosidade da criança e aquilo que é de ordem sensual. A interpretação dos pais ao ver o filho se tocando ou conhecendo-se ajudará ou não o filho a lidar com sua sexualidade. A criança, quando se toca, tem o objetivo de conhecer-se, diferentemente do adulto, que já tem a experiência do ato sexual no corpo. Nesse período de conhecimento do corpo, antes de saber o que é o ato sexual, a criança se questiona e fantasia de acordo com o que ela acha que é o sexo, pois obviamente ela não sabe o que realmente é o sexo.

Alguns hábitos familiares podem ser estímulos para o conhecimento antecipado do sexo por parte da criança, como: programas de TV impróprios, beijar na boca dos filhos, dormir junto com os pais durante muitos anos, ver a nudez dos pais. Tudo isso vai erotizando a criança. Por isso, é necessário que, nesse processo, os pais entendam que o filho não é um ser sem sexo, como um anjinho, e que o descobrimento de sua sexualidade de uma forma tranquila o fará feliz por toda a vida.

 

Jociane Marthendal Oliveira Santos é psicóloga.
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