Faz algum tempo recebemos a solicitação de uma internauta para abordarmos o tema da superdotação, visto que este também está inserido no contexto da educação especial. Demoramos um pouco, mas aqui estamos, trazendo algumas informações e reflexões sobre este tema tão importante, e ao mesmo tempo tão ignorado pela grande maioria dos docentes.

Tive um aluno, muitos anos atrás, que me surpreendia com sua participação e com a sabedoria de suas intervenções em sala. Ele respondia as perguntas tão rapidamente, e com tanta propriedade, que os mais lentos ficavam desconcertados e muitas vezes zangados. Em várias ocasiões tive que pedir a ele que desse oportunidade a outros para responderem. Isto o deixava frustrado porque seu conhecimento no assunto era muito mais profundo que o dos demais, e, como criança que era, queria mostrar o quanto sabia. Gostaria de ter lidado melhor com ele, mas minha própria ignorância não me permitiu.

Existem crianças muito inteligentes e crianças superdotadas. Há diferenças entre elas. Nas pesquisas que fiz, encontrei algumas informações que poderão ajudar você, professor, a distinguir um aluno superdotado de um muito inteligente.

Algumas características de um superdotado

1. Ele não é necessariamente ótimo em todas as áreas. A superdotação pode aparecer em áreas específicas do conhecimento humano: Matemática, Línguas, Artes, Música, etc.;
2. Aprende rápido e com facilidade;
3. Apresenta imaginação fértil, originalidade, criatividade, e maneiras diferentes de encarar as coisas e as situações;
4. Está sempre bem informado, inclusive nas áreas incomuns;
5. Tem maneiras não convencionais de encontrar soluções para problemas;
6. Tem iniciativa própria. Persevera diante de desafios. É independente;
7. Tem maior poder de persuasão e sabe influenciar as pessoas;
8. Mostra senso comum e pode não tolerar tolices;
9. É curioso, questionador e quer entender o como e o porquê das coisas;
10. Preocupa-se com a Natureza;
11. Expressa-se com desenvoltura e fluência;
12. Interessa-se por uma variedade de temas, às vezes acima de sua idade;
13. Não tem paciência com rotina e com repetições, pois entende o assunto na primeira explicação;
14. Ao expressar suas ideias e reações, costuma argumentar.

O COMPORTAMENTO DO ALUNO SUPERDOTADO

O histórico escolar de Louis Pasteur, Albert Einstein, Walt Disney e Isaac Newton costuma chocar quem espera um comportamento “exemplar”. O francês responsável pelas primeiras vacinas era mau aluno, especialmente em Química. O alemão que elaborou a Teoria da Relatividade fugia das aulas de Matemática. O americano que criou um império do entretenimento foi reprovado em Arte. E, durante a infância, o cientista inglês que primeiro percebeu a gravidade teve de ser educado pela mãe porque foi expulso da escola. Hoje, ninguém duvida de que os quatro eram superdotados, o que ajuda a entender que nem sempre alunos assim são os mais interessados e bem comportados em sala de aula.

O estudante com altas habilidades costuma ter um interesse tão grande por uma das disciplinas que acaba negligenciando as demais. A facilidade de expressar-se, por exemplo, pode ser usada para desafiar o professor e os colegas. Mesmo os mais aplicados dificultam a aula ao monopolizar a atenção. Muitos não querem trabalhar em grupo por não entender o ritmo “mais lento” dos colegas. A descoberta das altas habilidades é o primeiro passo para melhorar esses comportamentos. Primeiro, porque muda o olhar do professor. E também porque o próprio jovem passa a aceitar melhor as diferenças.

Como lidar com um aluno superdotado

Segundo Maker (1982), existem cinco princípios pedagógicos básicos para a educação de superdotados:

  • A aprendizagem deve estar centrada no aluno e não no professor.
  • Deve ser encorajada a independência, e não a dependência.
  • Deve ser encorajada uma atmosfera de “abertura mental” em sala de aula.
  • Deve ser enfatizada a aceitação de idéias e não o seu julgamento.

Arn e Frierson (1971) apresentam as metas de um Programa de Atendimento a Superdotados. São elas:

1. Melhorar as condições para o desenvolvimento de habilidades acadêmicas.
2. Desenvolver bons hábitos de trabalho e estudo.
3. Incrementar um clima de aprendizagem que resulte em maior produtividade.
4. Incrementar a motivação.
5. Favorecer o ajustamento pessoal e emocional.
6. Promover o desenvolvimento social.
7. Oferecer melhor atendimento ao rítmo individual de crescimento e aprendizagem.
8. Possibilitar a expansão de interesses.
9. Desenvolver valores estéticos.

ONDE ENCONTRAR AJUDA

Este artigo está longe de abranger todos os aspectos da educação do superdotado, portanto, apresentamos aos professores sugestões de livros e sites que poderão ser úteis:

Bibliografias:

Dibs Em Busca de Si Mesmo – Virgínia M. Axline – Editora Agir
Crianças Superdotadas, Mitos e Realidades – Ellen Winner – Artmed
Talento e Superdotação, Problema ou Solução? – Maria Lúcia Prado Sabatella – Livraria Siciliano
Educação de Superdotados, Teoria e Prática – Maria Clara Sodre S. Gama – EPU
Superdotados: Determinantes, Educação e Ajustamento – E. M. L. S. Alencar e D. S. Fleith – EPU.

Sites:
http://www.webartigos.com/articles/52725/1/O-Super-dotado-e-a-educacao/pagina1.html
http://www.sbpcnet.org.br/livro/57ra/programas/CONF_SIMP/textos/denisefleith.htm

 

Imagem: Igor Mojzes / Fotolia