A autoestima é um julgamento pessoal de valor, expresso nas atitudes que um indivíduo tem em relação a si mesmo. É a avaliação que a pessoa comumente faz ou mantém em relação a si mesma. Essa avaliação é expressa numa postura de aprovação ou desaprovação, e indica o quanto ela acredita ser capaz, importante e merecedora de ser feliz.

Atualmente, o número de pessoas com baixa autoestima e que se sentem inferiores é bem maior do que normalmente se pensa. Muitas vezes o fato não é percebido porque, através de mecanismos de defesa, a pessoa procura encobri-lo da melhor maneira possível, e o faz quase sempre de modo inconsciente.

Não poucas vezes, encontramos pessoas com certo ar de superioridade, que se mostram difíceis de ser abordadas e procuram aparentar mais do que são, tanto no que se refere a recursos financeiros, como a status social e nível de conhecimento. Quase sempre essas pessoas têm baixa autoestima.

Cultura, riqueza e distinção social, por si sós, não levam ninguém a ter maior autoestima. Porém, quando a pessoa tem tudo isso externamente, e interiormente alimenta sentimento de inferioridade, tenta mascarar o máximo que pode. O medo de que alguém descubra sua fraqueza é muito grande.

Entenda mais:

De onde vem então esse sentimento de inferioridade?

O sentimento de inferioridade surge das comparações que os pais costumeiramente fazem entre os próprios filhos, ou entre esses e os filhos de outras pessoas. Também nasce quando os pais, consciente ou inconscientemente, revelam ao filho que não o amam como ele é, mas apenas se ele desistir de ser o que é e se tornar o que não é, ficando assim submisso e obediente aos pais. Exemplos:
“Você é vagabundo, seu irmão é mais estudioso.”
“Por que você só faz as coisas do jeito errado? Por que você não segue o exemplo do seu irmão? Ele, sim, sabe trabalhar.”
“Você é muito fraco, faz tudo devagar. Veja como seu primo é forte!”

Às vezes, as comparações não são feitas claramente, mas insinuadas. É o que ocorre quando os pais elogiam outras crianças, ou outras pessoas, e nunca elogiam os filhos. Nesse caso, as conclusões dos filhos podem ser algo como:
“Se meu pai elogiou os outros e não a mim, é porque encontrou qualidades neles e não as encontrou em mim.”
“Se minha mãe disse que o caderno da minha colega estava lindo e não disse nada sobre o meu, é porque ele está feio.”
“Se minha mãe e os professores só dizem que meu amigo é inteligente, mas não fazem nenhum comentário sobre a minha inteligência, deve ser porque sou burro.”

Em outras ocasiões não há comparações, mas comentários diretos, objetivos, como estes:
“Você é mau”; “você é feio”; “você é burro”; “você é mentiroso”; “você só me dá trabalho”; “você não presta para nada”; “não vai ser ninguém na vida”.

Não fazer comentários negativos a respeito dos filhos

Os pais devem se esforçar para não fazer comentários negativos a respeito do filho. Devemos e podemos corrigi-los quando errarem, sem que tenhamos necessariamente que lhes dar qualificação negativa. Será mais correto e educativo dizer: “Você mentiu para mim ontem”, do que dizer: “Você é mentiroso”. Ou: “Você tirou dinheiro da minha bolsa sem falar comigo, isso é furto e está errado”, em vez de sentenciar: “Você é ladrão”.

O fato de a criança ter mentido uma vez ou tirado dinheiro escondido dos pais, não significa que seja mentirosa ou ladra. Devemos ter cuidado com as palavras que usamos com as crianças, pois elas assimilam inconscientemente as palavras dos pais como sendo verdadeiras. “Se meus pais disseram que não presto para nada, é porque realmente não sou nada, pois eles sempre dizem a verdade. Por isso, vou fazer de tudo para ser aquilo que eles disseram que sou: um joão-ninguém.”

Dizer: “Meu filho, você deixou suas roupas fora do lugar. Vá guardá-las. Se você continuar procedendo assim, vou puni-lo”, é melhor do que afirmar categoricamente: “Você é vagabundo. Seu quarto está um chiqueiro!” Devemos corrigir os atos equivocados dos filhos, mas não lhes colocar rótulos, pois a repetição da crítica destruidora vai se tornando um estímulo, um reforço, a fim de que eles se tornem realmente aquilo que os pais estão dizendo que são.

A opinião que a criança tem de si mesma está intimamente relacionada com a opinião que os pais têm a respeito dela. Os pais atuam como espelhos, que devolvem determinadas imagens ao filho. Aquilo que os pais expressam na relação com os filhos é muito parecido com o espelho. Se os pais estão sempre opinando a partir de uma perspectiva negativa e se estão sempre taxando seus filhos de inúteis e incapazes, ou tratando-os com zombaria e ironia, será formada neles uma imagem negativa e pequena de seu valor. E, se com os amigos, na rua e na escola, se repetirem as mesmas relações, teremos uma pessoa com autoestima baixa.

Tal pai, tal filho

A qualidade da imagem que a criança tem de si mesma depende muito do tipo de educação que ela recebeu. A criança seguirá o exemplo e os valores dos pais. Respeitará esses valores e inconscientemente se identificará com eles. Por isso, é importante ensinar à criança que ela pode fazer bem algumas coisas, pode ter problemas com outras coisas, mas esperamos que faça o melhor que puder.

Também é importante elogiá-la e incentivá-la, quando procura esperar-se alguma coisa, fazendo-a perceber que tem direito de sentir que “tem valor”, “pode aprender”, “consegue” e que a família lhe quer bem e a respeita. O cuidado reside em adaptar as tarefas que cabem a cada idade e permitir que a criança tente, por exemplo, colocar o suco no copo (ainda que derrame), vestir a roupa (mesmo do avesso), jogar objetos no lixo, guardar os brinquedos, as peças do jogo ou ajudar na arrumação dos seus livros. Enfim, solicitar ajuda à criança, partilhando com ela pequenos afazeres, vale até aplausos às suas conquistas.

Desse modo, ela formará um conceito positivo de si mesma, e aprenderá com os pais o amor próprio, respeito à vida e crescerá para ser alguém maduro e independente, que poderá se manter sobre os próprios pés. Sua maneira não será muito diferente da maneira de seus pais. Por que o seria? A maneira deles é uma fonte de prazer e valor para ela.

 

 

Fonte: Revista Vida e Saúde / Mar. 2009
Imagem: Coloures-pic / Fotolia