O aluno é arteiro, vive inquieto e nunca presta atenção na aula. Muitas vezes, tais atitudes são simplesmente associadas a uma criança mal-educada, no entanto, esses modos podem estar ligados a um transtorno psicológico, que tem se tornado mais conhecido nos últimos anos, mas que ainda não possui um diagnóstico exato: o TDAH (Déficit de Atenção e Hiperatividade). Trata-se de uma doença do neurodesenvolvimento, que ainda é diagnosticada por meio da observação, embora alguns estudos já tenham visto alterações cerebrais em pacientes com TDAH. “Sendo assim, o professor pode ser a peça fundamental para o diagnóstico e início do tratamento, observando as atitudes da criança e fazendo um checklist para determinar se o aluno se encaixa no quadro clínico”, explica o Daniel Damiani, professor da pós-graduação em Neurociência da Anhembi Morumbi, integrante da rede internacional de universidades Laureate.

Ao desconfiar que o aluno seja hiperativo, o profissional deve convocar os pais da criança para uma conversa clara e objetiva, para que eles levem o filho ao psicólogo a fim de confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento adequado. “Quando o tratamento já estiver em andamento, o professor também pode colaborar, elaborando estratégias para “seduzir” e integrar o aluno, explica o especialista. Medidas simples, como reforços periódicos das instruções, estabelecer uma ordem para realizar uma tarefa de cada vez, escrever na agenda da criança o que deverá ser feito como lição de casa, conversar constantemente com os pais, jamais fazer as tarefas no lugar do próprio aluno (e não permitir que os pais o façam também), estimular sempre que possível e repreender quando necessário, complementam o tratamento. “Vale ressaltar que, cada criança é única e é preciso personalizar a forma de lidar com elas”, enfatiza.

O profissional alerta que algumas crianças podem querer se aproveitar do diagnóstico para justificarem suas ações não aceitáveis. Para corrigir isso, pais e professores devem ter postura firme, estabelecendo limites e punições quando necessário, deixando claro que as normas são para todos e não será diferente com ele.

 

* Daniel Damiani é médico, biomédico, pesquisador e professor da pós-graduação em Neurociências da Universidade Anhembi Morumbi. O docente está disponível para entrevistas sobre o tema.
Fonte: Universidade Anhembi Morumbi
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