Saiba como lidar com o luto em meio a tantas tragédias que o Brasil tem vivenciado neste início de ano.

 

Desde muito cedo, descobrimos que a sensação de perder algo não é agradável. Um exemplo disso são os jogos de futebol nas aulas de Educação Física, que não tinham tanta graça quando o adversário levava a vitória no final da partida. Em algum momento, você notou que as despedidas também eram uma parte dolorosa da vida e tornaram-se mais frequentes ao longo do seu crescimento. Embora não sejam simples e facilmente superáveis, precisamos aprender a lidar com as perdas.

As últimas notícias têm sido bastante traumáticas, fazendo-nos refletir sobre a fragilidade da vida. Tragédias como a de Brumadinho (MG), a do Centro de Treinamento do Flamengo (RJ), a da morte de um dos jornalistas mais conhecidos do país em um acidente de helicóptero (SP), e a do ataque a uma escola de Suzano (SP) que ceifou 10 vidas têm abalado a todos neste conturbado início de ano.

Especialistas sistematizam o luto em cinco fases: negação e choque, raiva, negociação, depressão e aceitação. Conheça cada uma delas:

1) Negação e choque: devido à dificuldade para entender e aceitar a morte, a pessoa a trata com incredulidade, apesar de não negar o fato propriamente dito.

2) Raiva: a não aceitação acaba desencadeando o sentimento de revolta, que tenta encontrar um culpado para a tragédia.

3) Negociação: na tentativa enganosa de voltar ao que era antes, a pessoa reflete sobre as atitudes que poderia ter tomado para evitar o falecimento do ente querido, criando um cenário imaginário, no qual ele ainda está presente.

4) Depressão: apesar do nome, essa fase não é um diagnóstico clínico, mas uma reação natural quando a “ficha cai” sobre o fato. A pessoa que passa por essa fase sente-se em estado de dormência emocional, demonstrando cansaço e distanciamento das pessoas ao redor dela.

5) Aceitação: nesse momento, a lembrança da pessoa que se foi traz mais alegria do que tristeza, e o sentimento de que algo novo surgirá alegra o coração enlutado.

É necessário lidar com o luto

Se o luto bater à porta, permita sua hospedagem temporária. Esconder a dor ou simular que não está sentindo nada só prorroga a sensação de pesar que, cedo ou tarde, precisa ser vivido. O tempo é um dos melhores remédios para aliviar a tristeza angustiante, por mais que a saudade permaneça. Com o passar dos dias, as memórias ruins podem ficar mais distantes e os momentos agradáveis vividos com o ente que se foi se tornarão lembranças acalentadoras.

Como o luto é um sentimento necessário, ele precisa ser vivido. O que isso significa? A pessoa enlutada precisa passar pelas cinco fases e não pode permanecer presa a uma delas. Para que isso aconteça, é importante conversar sobre os sentimentos com alguém de confiança, de modo a relembrar dos momentos bons vividos. Permita ser abraçado por aqueles que realmente se importam. A dor não pode ser guardada a sete chaves. Caso o luto dure por um longo período e impeça a pessoa de realizar atividades cotidianas, é aconselhável que procure, com urgência, a ajuda de um psicólogo.

O melhor dentre todos os conselhos é a divina esperança: “Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não existirá mais morte, já não haverá luto, nem choro, nem dor, porque as primeiras coisas já passaram.” Apocalipse 21:4.

 

Fonte: Psiconlinews

 

 

Por Kemelly Ferreira