Você sabia que suas crenças têm grande poder sobre seu comportamento? Por um lado, isso é até óbvio. Nossas justificativas, explicações e a qualidade de nosso enfrentamento da vida dependem de nossas crenças. Basta prestar atenção nas conversas do cotidiano para perceber que, se o indivíduo crê que o cigarro melhora seu estado de humor, ele vai fumar; se acredita que o álcool o torna mais alegre e seguro, ele vai beber; se acredita que as drogas o ajudam a ser mais criativo, ele vai usar drogas. Se a pessoa acredita ser incapaz, incompetente, ineficiente, ela vai fazer de tudo (ainda que em nível inconsciente) para confirmar a veracidade de sua crença.

Quem acreditar ser inferior, por exemplo, agirá de modo a provocar sua inferioridade. Assim, a crença exerce uma influência muito maior sobre você diante da vida do que poderia ser imaginado. Então, se você não crê em seu potencial para crescer, melhorar, mudar, você mesmo fará todo o possível para fracassar em seus intentos e falhar na concretização de seus objetivos.

Naturalmente, a crença não é uma realidade, mas é algum tipo de ideia sobre a realidade ou veracidade de um fato. Portanto, a crença está intimamente ligada aos fatos da realidade externa, de acordo com sua interpretação.

 

RELAÇÕES INTERPESSOAIS
Sua crença está fundamentada em experiências vividas ou no seu passado. Dessas experiências são tiradas deduções de como funcionam as coisas, do que fere e do que alivia, do que satisfaz e do que decepciona. Se você cresceu em um ambiente de preconceitos, suas crenças serão de que não pode confiar em pessoas de aparência diferente, religião diferente, classe social diferente. Se o ambiente valorizava o machismo, sua crença será de que você não deve cooperar com a esposa, porque isso demonstrará fragilidade. Se a mulher acredita que todos os homens são infiéis, ela tratará o namorado ou marido sempre com desconfiança. Você olha para o mundo e para você de acordo com as crenças que acumulou e continua acumulando em sua jornada da vida.

Assim como você se relaciona com o outro guiado pelas crenças que cultiva, o outro também se relaciona com você de acordo com as crenças dele. Compreender essa ideia facilita a aceitação de situações desagradáveis. Se você vai pedir uma garota em namoro e ela não aceita, um possível motivo para essa recusa é o fato de ela acreditar que todo homem com características semelhantes às suas (sejam elas quais forem) não é confiável. Nesse caso, uma hipótese, evidentemente, o problema não seria você, mas a crença dela.

Lembro-me ainda de uma ocasião, em que eu tinha apenas 21 anos e morava fora do país. Num sábado à tarde, convidei uma garota para dar uma volta. Fui buscá-la no residencial da faculdade onde ela estudava. Passeamos bastante por vários parques e conversamos também. Na volta, notei que ela sentava bem próximo da porta do carro e longe de mim. Ao notar o detalhe perguntei: “Você está com medo de mim?” Honesta e espontaneamente, ela respondeu que sim. Em seguida deu a razão: “Você é latino, e os latinos são perigosos!” Dei risada e chegamos onde iríamos jantar. Não deu para concluir a conversa, porque alguém a levaria de volta para a faculdade e eu voltaria no dia seguinte para o Brasil.

Segundo a crença dela, deve-se tomar cuidado com os latinos. Ela deve ter passado por experiências das quais concluiu que é preciso tomar cuidado com homens latinos. A interpretação gravada na tela da sua memória só permitiu que ela me visse como latino e não como um ser humano único. Não importa se a interpretação estava certa ou errada. De sua experiência derivava a sua crença e de sua crença resultava sua ação.

 

CONHECIMENTO E CRENÇA
O conhecimento identifica o fato e a crença motiva à ação. O conhecimento não determina a ação, a crença sim.

Sua crença é mais poderosa do que seu conhecimento para induzi-lo à ação, porque a crença está embebida de emoção e motivação. É possível ter muito conhecimento e pouca prática. O lado motivador da crença impele você a usar o conhecimento que você tem. Não adianta acumular conhecimento para mudar. É preciso usar o que você tem. E quem faz isso está usando inteligência prática. Você pode conhecer todos os benefícios de um estilo de vida saudável, mas se não crer nos princípios práticos que o compõem, jamais irá praticá-los. A crença não pode ser imposta. Ela é individual e internamente desenvolvida. Portanto, não se pode obrigar ninguém a crer no que você crê. A pessoa pode fingir que acredita, mas sabe que não acredita no que está falando ou demonstrando.

Se a pessoa diz que acredita, mas não acredita, ela fica sem convicção, sem dados para guiar suas decisões e incapacitada para interpretar as novas experiências que vão surgindo. Isso gera certa desqualificação na busca das metas da vida.

No processo de envelhecimento ou amadurecimento, a qualidade das crenças que você possui faz grande diferença para sobreviver. Se as crenças forem positivas, se o passado foi de sucesso no controle da própria vida, sua segurança será maior. A crença vai sendo construída ao longo da vida e você pode construir crenças positivas ou negativas, otimistas ou pessimistas, de crescimento ou declínio.

A esperança do ser humano é que ele sempre pode mudar sua crença. É claro que para isso acontecer, é preciso querer. Mas não é fácil mudar. Na verdade, o mais comum é a pessoa se justificar para manter suas crenças. E, dessa forma, para manter, ao contrário de mudar, passa-se a interpretar mal a informação que é nova, refutar ou rejeitar as novas informações, recorrer ao apoio de quem concorda com sua crença ou tentar convencer os outros de que está certo.

Mas é bom lembrar de que boa parte, se não a maioria dos distúrbios psíquicos, são causados por suas crenças, e não pelas experiências que você passou ou passa. Não se pode esquecer de que a crença é uma convicção criada através da interpretação da experiência. A experiência é única, a interpretação é que muda o problema. Não é a experiência, mas a crença, que, aliás, é muito mais favorável à mudança.

Mas, preste bem atenção: Querendo ou não, com dor ou sem dor, você precisa mudar algumas crenças em sua vida. Crenças destrutivas e regressivas; crenças Contra seu crescimento pessoal e sua saúde mental.

 

CRENÇAS POSITIVAS
As crenças positivas contribuem muito para você descobrir novas alternativas, novas oportunidades e possibilidades, para receber apoio de quem oferece e aceitar ajuda de quem faz a diferença em sua vida. As crenças positivas nos aproximam das pessoas, nos ensinam a
receber elogios, a dar gratidão por suas realizações, a ser mais autênticos e a viver de cabeça erguida.

Uma crença positiva leva você a confiar em sua eficiência para influenciar, terminar ou modificar a ocorrência de um evento nocivo à sua vida. Portanto, é positivo acreditar em sua  habilidade de influenciar o rumo dos eventos de sua vida. Seu futuro será melhor se você acreditar que o controle existe como um recurso dentro de você e que você pode usá-lo para mudar seu comportamento e evitar repetições dos mesmos resultados negativos.

Essa crença não só é necessária, mas básica para que você enfrente as barreiras rumo às suas metas de crescimento. São elas que servem de apoio nas horas de risco pessoal e de ações decisivas, nas horas de mudar de rumo, de meta e de alvo. Com as crenças positivas você pode ter atitude otimista, ser movido pela esperança de metas esclarecidas e alvos realistas, ter um senso de coerência e integridade interior. Assim você pode buscar o controle de suas ações. E melhores serão suas condições de vida.

Se você acredita em sua habilidade de executar uma tarefa, você se dedica a ela com mais empenho e comprometimento. Se você tem uma crença positiva sobre si mesmo, caso se considere capaz de alcançar os alvos desejados, olhará o futuro com mais otimismo, estará mais satisfeito com a vida e, portanto, será mais feliz.

Se você comparar uma pessoa feliz com uma pessoa infeliz vai observar que a pessoa feliz é mais criativa, mais sociável, ajuda mais, cuida mais, tem mais energia e vive mais, porque tem mais saúde.

Não importa o estado em que você se encontra. Se em crise, seja ela qual for, você pode sair dela. É uma questão de crer mais do que de conhecer, de prática mais do que de imaginação, de colocar a informação que você tem em ação. É hora de restaurar seu valor, recuperar seu poder de controle e alcançar um sentido positivo para sua vida. Um pensamento final: o problema não é acumular conhecimento, é praticar o que você já sabe.

 

Fonte: Revista Vida e Saúde – Janeiro 2014
Imagem: Markus Mainka / Fotolia