Ser professor! Um desafio quase tão complexo quanto a paternidade. Por quê?

  • O professor, como o pai, ensina e educa;
  • O professor, como o pai, espera respostas;
  • O professor, como o pai, espera ser reconhecido como tal;
  • O professor, como o pai, “rala” para dar o melhor de si;
  • O professor, como o pai, fica arrasado quando perde a paciência;
  • O professor, como o pai, busca a reconciliação;
  • O professor, como o pai, chora quando é rejeitado;
  • O professor, como o pai, se alegra com o sucesso do educando;
  • O professor, como o pai, se frustra quando não consegue alcançar seus objetivos educacionais.

Poderíamos falar muito mais sobre as semelhanças entre o professor e o pai, mas vamos parar por aqui. Vamos nos ater ao último item, que, a meu ver, aponta para um dos sentimentos mais conflituosos do magistério e da paternidade: a frustração.

O que é frustração?

É “o ato ou efeito de frustrar”, diz o Aurélio.  Frustrar ele define como “enganar a expectativa de; iludir; baldar; inutilizar; falhar”.
Quando nos frustramos com alguma coisa é porque tínhamos algum tipo de expectativa. No caso da educação, esperávamos obter respostas coerentes com o que ensinamos. Nesse caso, geralmente se culpa o aluno (filho) por não ter prestado atenção, ou por ser preguiçoso, ou por ser ingrato, ou, ou,ou (mecanismo de defesa). Raramente apontamos o dedo em nossa própria direção. Isso não quer dizer que sempre somos culpados por não obtermos a resposta esperada. Há casos em que o aluno, sim, é responsável por seu fracasso.

Mas, o que dizer do aluno em sistema de inclusão? Do filho deficiente? Aquele que já veio com os impedimentos próprios de sua condição? Quais são as reações mais comuns?

Diferentes maneiras de lidar com a frustração

Nem todas as pessoas têm a mesma capacidade de tolerar frustrações. Algumas reagem com calma e outras não. São estas as que possuem o que chamamos de baixa tolerância à frustração. Qualquer contrariedade, por pequena que seja, as tira “do sério”, podendo reagir com raiva, agressividade, atitudes compensatórias ou fuga do problema, dependendo tanto de sua personalidade, quanto do tipo e intensidade da frustração.

Fugir ou evitar a situação causadora da frustração pode desencadear um sentimento de incompetência e depressão. Esse pode ser o caso de um pai ou mãe que não consegue manter o casamento diante da ideia de ter gerado um filho “defeituoso”; ou do professor que abandona o magistério por não se achar capaz de ensinar uma criança deficiente intelectual, diante da exigência do sistema de fazer o que não se preparou para fazer. Essas decisões de fuga, apesar de trazerem alívio em curto prazo à ansiedade provocada pelo conflito interno, impedem que os indivíduos vivenciem as alegrias da superação e da experiência.

Algumas dicas para não se deixar vencer pela frustração:

  • Lembre-se que você é apenas um ser humano;
  • Não permita que a criança perceba que os impedimentos dela estão deixando você frustrado, desanimado ou irritado;
  • Busque opinião de profissionais especializados (psicopedagogo, fonoaudiólogo, psicólogo) para saber como mudar a abordagem do ensino que quer ministrar, de modo que fique mais fácil para a criança entender;
  • Pesquise sobre o caso da criança;
  • Não sabendo o que fazer, não hesite em conversar com colegas mais experientes em busca de aconselhamento (ninguém nasce sabendo);
  • Faça uma autoanálise a fim de tentar descobrir porque você fica tão profundamente frustrado diante da dificuldade da criança;
  • Caso sua frustração chegue a nível difícil de suportar, busque a ajuda de um psicólogo;
  • Acima de tudo, peça sabedoria a Deus, que prometeu derramá-la abundantemente sobre aquele que a busca com humildade e insistência.

Frustrar-se é normal. Não há quem não se frustre com alguma coisa. Lidar bem com a frustração e buscar aprender com ela é o grande desafio! Enfrente-o e vença!

 

Imagem: Iko/Fotolia