“Não basta ensinar ao homem uma especialidade científica, porque assim poderá se tornar uma máquina útil, mas não uma personalidade harmoniosamente desenvolvida. É necessário que o estudante adquira uma compreensão dos valores éticos, um sentido daquilo que vale a pena ser vivido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. Sem cultura moral, não há solução para os grandes problemas humanos.” Albert Einstein

O ensino da Física baseado só em livros, sem relação com fatos que podem ser observados diariamente, preocupa pesquisadores do processo de aprendizagem. Eles defendem que a ciência os ajuda a encontrar respostas para inquietações despertadas por fenômenos cotidianos.

>>Os estudantes devem ser levados a perceber que os modelos dos quais os pesquisadores lançam mão para descrever a natureza são aproximações válidas em determinados contextos, mas que não constituem uma verdade absoluta. Muitas vezes, ideias como as das partículas, gás ideal, queda livre, potencial elétrico e muitas outras são apresentadas sem nenhuma referência à realidade que representam, levando o estudante a julgá-las sem utilidade prática. Outras vezes, modelos como o de raio luminoso, de átomo, de campo, de onda eletromagnética, etc. são apresentados como se fossem entes reais (ÁLVARES, 1991).

Está bem claro que não devemos ensinar Física simplesmente como uma ciência que se utiliza de fórmulas para solucionar problemas. É necessário que o aluno entenda os conceitos da Física e aplique-os no cotidiano vivido por ele. Como isso sempre vai envolver relações matemáticas, então o aluno será estimulado a resolver as questões com maior significado e interesse.

Devemos nos preocupar em mostrar ao aluno que, na Física, é possível encontrar respostas para muitas de suas dúvidas. Assim, ele vai entender, por exemplo, por que uma bolinha cai, como ocorrem as marés, por que surge o arco-íris com suas sete cores, como se formam as imagens em um televisor, etc.

O estudante também vai perceber que a Física pode ajudá-lo a interpretar uma conta de energia elétrica, saber como economizar eletricidade e descobrir porque o ar atrás da geladeira é quente. Em um sentido mais amplo, o aluno vai se deparar com todas as dimensões de uma ciência que jamais supôs ser maravilhosa, pois ainda não foi estimulado a considerá-la como tal.

Devemos trabalhar os conteúdos visando superar as expectativas tanto do professor como do aluno, não deixando que as aulas se tornem maçantes. Como educadores, temos a missão de formar não só o cidadão do futuro, mas o atual, que seja capaz de compreender o mundo e suas novas tecnologias.

Os conhecimentos devem estar claramente relacionados à vivência do aluno, para que ele saiba qual a utilidade daquilo que aprendeu na escola e saiba aplicá-lo em benefício próprio e da sociedade.

Como ensinar Física dessa maneira? Como explicar o plano inclinado para um aluno? É necessário dispor de um laboratório para ensinar Física? Essas preocupações sempre vão acompanhar o professor, inclusive de outras disciplinas. Precisamos, então, tentar encontrar meios de transformar as dúvidas em ação, dentro da nossa realidade escolar.

O que vamos deixar aqui são algumas dicas, sugestões que podem ser utilizadas com sucesso em sala de aula, a fim de ajudar nossos alunos a compreender melhor essa disciplina que tanto os assusta.

Um bom começo é utilizar alguns recursos tecnológicos. Aulas elaboradas em programas que permitam esquemas em movimento, figuras ilustrando fenômenos físicos, situações do cotidiano mostradas por meio de setas que partem das imagens e explicam os conceitos físicos de grande importância, tudo para chamar a atenção do aluno e fazer com que ele entenda o que está sendo explicado. Simulações podem ser utilizadas para complementar uma explicação ou mesmo para resolver exercícios. A seguir, apresentamos algumas sugestões de sites em que podem ser encontradas boas simulações:

>> http://astro.if.ufrgs.br/

>> http://www.cepa.if.usp.br/e-fisica/matdid/

 

Outro instrumento útil são os experimentos físicos. Isso não significa que, se a escola não dispuser de um laboratório, eles deverão ser descartados. Existem experimentos de baixo custo que podem ser criados e realizados em sala de aula. Pode-se mostrar um conceito físico com uma simplicidade tremenda e, ao mesmo tempo, captar a atenção do aluno, uma vez que ele mesmo pode desenvolver o experimento e assimilar os conceitos envolvidos.

Sugestões desses experimentos podem ser encontradas nos fascículos Faça Física do Sistema Inter@tivo de Ensino e na internet, também como procedimento experimental, o que facilita o entendimento do professor e do aluno.

De igual modo, podemos fazer uso de textos retirados de jornais e revistas não necessariamente “científicos”, os quais ajudarão o aluno a desenvolver um vocabulário que permitirá a identificação de conceitos físicos expressos e ajudarão a resolver determinados problemas que exigem relações matemáticas.

Quanto aos exercícios, devemos evitar a simples aplicação de fórmulas, que consiste em substituir letras por números sem nenhum entendimento do resultado e, muito menos, de seu significado físico. Discuta os exercícios partindo do enunciado do problema. Grande parte da compreensão da solução de problemas que envolvem conceitos físicos está no enunciado.

Podemos muitas vezes comentar e até relembrar conceitos físicos fazendo uma leitura prévia do enunciado, antes de partir para a solução, identificando as palavras-chave e o que elas significam naquele problema. Dessa forma, o aluno pode aprender novos caminhos para a solução dos problemas, desenvolvendo um raciocínio lógico quanto ao conteúdo aprendido.

Não se esqueça de que temos uma vantagem: a física caracteriza as propriedades concretas da matéria. Dessa forma, ela nos fornece instrumentos e linguagens que podem ser incorporados por outras áreas do conhecimento, contextualizando os conceitos definidos por ela.

 

Autores de Física do Sistema Inter@tivo de Ensino.
Leia na íntegra as “Orientações ao Professor” em: <https://goo.gl/OkK7vd>. Acesso em: 30 jan. 2017.
Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2017.
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