Muito se fala sobre a polarização política entre as ideologias de esquerda e de direita. Mas, afinal, o que defendem essas correntes de pensamento? O debate “direita × esquerda” começou na Revolução Francesa, no século 18. Na Assembleia Constituinte de 1789, os favoráveis à manutenção do poder do rei sentaram-se do lado direito do presidente para não se misturarem aos adeptos da revolução. Portanto, naquela época, os que defendiam a causa dos menos favorecidos e esperavam melhor atendimento do Estado passaram a ocupar o lado esquerdo do parlamento, enquanto os que eram favoráveis à manutenção do poder sentaram-se do lado direito.  Desde então, direita e esquerda têm sido associadas com algumas pautas de ordem moral e econômica. Conheça algumas.

 

ESQUERDISTAS

Se opõem à classe dominante. Defendem o controle estatal da economia, a fim de impedir que alguns se enriqueçam empobrecendo outros. Para eles, o governo pode interferir na vida privada de modo a alcançar o ideal de igualdade. O esquerdista é inconformado e disposto à revolução. Para o pessoal da esquerda, o ser humano só pode ser libertado de condições indignas pela interferência do Estado.

 

DIREITISTAS

Creem na existência de uma ordem moral que deve ser respeitada, pois está acima de qualquer reforma. Defendem uma menor interferência do Estado na economia e na cultura, dando liberdade ao empreendedorismo e ao conteúdo dos currículos escolares. O governo não deve interferir na vida privada, mas precisa preservar os direitos individuais. O direitista conforma-se com a realidade. Para ele, o ser humano deve se libertar de condições indignas por seu próprio esforço, sem depender do assistencialismo do Estado.

 

O ideal das esquerdas é acabar com as injustiças sociais e emancipar as pessoas da exploração do capitalismo. O objetivo da direita é valorizar o empreendedorismo e a liberdade. No entanto, nenhum dos dois lados representa integralmente os valores bíblicos, que ensinam a dar “a César o que é de César” (Mt 22:21), se sujeitar “às autoridades superiores” (Rm 13:1) e honrar “o rei” (1Pe 2:17), ou seja, não combater o governo e orar pelos governantes, independentemente da orientação ideológica ou partidária deles. Além disso, o dever de promover a justiça social é do indivíduo, e não necessariamente do Estado (Mt 25:34-46; Gl 2:10).

Por causa disso e de setores da esquerda defenderem algumas pautas que confrontam valores bíblicos, como a legalização do aborto e do uso recreativo de drogas, muitos cristãos preferem votar na direita. Mas a direita aceita situações que na Bíblia somos chamados a combater, como o favorecimento das elites (Tg 2:1-7), a cobiça (Êx 20:17) e o acúmulo egoísta de bens (Mt 6:19-21). Portanto, não espere que uma ideologia política resolva todos os problemas sociais e pessoais do mundo. O governo perfeito será o de Cristo (Dn 2:44). Enquanto isso, trate as pessoas como Ele ensinou, sendo um bom cidadão, defendendo a liberdade e combatendo as injustiças.

 

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Fonte: Revista Conexão 2.0 – 4º trimestre/2017. Autoria: Fernando Dias e Thadeu de Jesus e Silva Filho.