As circunstâncias e os problemas que desencadeiam o processo inflacionário são muitos e variados, mas, de um modo bem simples, podemos dizer que a inflação se relaciona com a chamada “lei da oferta e da procura”: diante da oferta limitada de um determinado produto, quanto maior o número de pessoas que buscam adquiri-lo, maior será o seu preço de venda.

A inflação é um processo que, junto com a elevação de preços, traz também uma série de problemas para a população, principalmente a perda do poder de compra dos salários, que não conseguem acompanhar o ritmo dos aumentos. Os mais atingidos são os que têm remuneração mais baixa: o valor recebido é corroído ao longo do mês, pois muitos trabalhadores não têm contas bancárias, tampouco podem fazer aplicações financeiras. Por exemplo: considerando-se uma inflação mensal de 30%, um trabalhador que receba R$ 200,00 no primeiro dia do mês, caso fique com esse dinheiro no bolso e não o gaste em absolutamente nada, conseguirá comprar apenas o equivalente a R$ 153,85 depois de 30 dias.

De maneira geral, o Estado, visando reduzir a inflação, adota políticas de controle de preços, às vezes recessivas, diminuindo a produção e o consumo. Por vezes, a adoção de medidas de desaquecimento da economia não tem o efeito desejado de redução da inflação, pelo contrário, o que se observa é a continuidade do aumento dos preços de forma descontrolada. Tal quadro é classificado pelos economistas como “estagflação” (isto é, a mistura de estagnação econômica com inflação, à semelhança do que ocorreu em países como Argentina e Brasil nos anos 1980 e início dos 1990), que causa grandes prejuízos para a sociedade.

No caso do Brasil, a “estagflação” foi provocada, em boa parte, por outro fator importante: o déficit público, ou seja, e de maneira bastante simplificada, o governo gasta mais do que arrecada, ficando endividado. Quando isso ocorre, o Estado tem de emitir mais moeda (“fazer mais dinheiro”) para acertar suas contas. Aqui vale novamente a “lei da oferta e da procura”: se há mais dinheiro em circulação, seu valor cai e, então, os preços das mercadorias sobem.

Nem todos, contudo, perdem com a inflação. Quem mais perde é a população pobre que, por ter tão pouco dinheiro, não consegue se defender da alta de preços aplicando o que tem. Só pode aplicar quem tem conta em banco; e só pode ter conta quem tem uma quantia mínima de dinheiro. Resultado: os pobres ficam mais pobres, uma vez que o salário vai sendo corroído pela inflação. A classe média, por sua vez, defende-se como pode, depositando seus ganhos em aplicações financeiras; porém, não deixa de perder, porque também sofre com o arrocho salarial. Mas, então, quem ganha? Ganham os empresários que aumentam os preços, muito embora, a médio e longo prazo, a corrosão do poder de compra da população e a consequente queda do consumo acarretem-lhes algum tipo de perda. Ganham também banqueiros e especuladores que, ao aplicar grandes quantidades de capital, multiplicam os lucros. Enfim, a inflação faz exatamente o oposto do que fazia o famoso Robin Hood: ela tira dos pobres para dar aos ricos.

 

Fonte: Sistema Inter@tivo de Ensino – História Fasc. 10
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