Existe o mito de que as aulas de exatas são mais difíceis do que as de humanas e que nessas áreas só se aprende resolvendo problemas. Tudo depende da maneira que se ensina e as estratégias e recursos utilizados. Como professor das disciplinas de Matemática e Física resolvi fazer a diferença.

Em 2006, a Rede Adventista Sul Mato-grossense adquiriu kits de materiais de robótica e mecatrônica, importados da Alemanha, a fim de tornar as aulas de Física e Matemática mais agradáveis. No início, o entusiasmo foi grande, mas com o tempo todos os professores da área de Matemática pararam de usar os kits.

Foi então que, no ano de 2007, criei a primeira oficina da região de mecatrônica e de ciências, separando em etapas e graus de dificuldade geométrica, elétrica e de automação, em que os alunos poderiam fazer todo o curso e as montagens, inclusive de software e hardware para robôs.

Além de alunos entusiastas em matemática e tecnologias, recebi muitos alunos com problemas de intuição e abstração matemática, para os quais eu mesmo indiquei o curso, já que a oficina de robótica aconteceria no contraturno das aulas regulares. O resultado foi que, ao fim do curso, alunos que apresentavam dificuldades na área de exatas passaram a ter um excelente desempenho nas provas das disciplinas dessa área.

Os alunos com dificuldades de aprendizagem (nível leve e moderado) tiveram alto desempenho após algum tempo de curso, adquirindo autonomia para criar suas peças – pois esse tipo de trabalho segue um raciocínio geométrico tridimensional. Ver as engrenagens em movimento, sua montagem e seu ajuste manual ajudou os alunos a integrar a teoria e a prática.

Três anos após a montagem da primeira oficina, formei uma turma com alunos de mecatrônica, e nos inscrevemos em um campeonato da região Centro-Oeste que avalia robôs de salvamento e resgate, autônomos e capazes de transpor obstáculos. O resultado foi muito bom, pois ficamos em terceiro lugar, atrás apenas das escolas militares. Depois disso, os frutos vieram: a antiga equipe cresceu, e seus componentes foram para a faculdade cursar engenharia civil, computação e mecatrônica.

Por um tempo a oficina esteve em stand-by, mas retornou com um curso remodelado e ampliado, agora chamado Oficina de Tecnologia. Dessa vez, o curso se assemelha mais a oficinas profissionalizantes e se divide em quatro áreas, que podem ser estudadas em um ano, com aulas semanais:

  1. Mecatrônica escolar;
  2. Manutenção e montagem de hardware (computadores no geral);
  3. Manutenção e instalação de software (programas e planilhas para Windows e Linux);
  4. Robótica.

Os conteúdos teóricos são ensinados no período regular, e a oficina de tecnologia é 80%  prática, com espaço para vários erros e acertos.

 

Fonte: Revista CPB Educacional – 2º semestre 2016.
Imagem: Bmg/Fotolia