Nossa visão institucional sempre foi a de priorizar a “salvação” de nossos alunos, porém, não menos importante é a qualidade de sua carreira estudantil, a excelência do aprendizado e a compreensão das ciências criadas por Deus. Seu desempenho, em todos os âmbitos acadêmicos, se refletirá no resultado de diferentes sistemas de avaliação nacionais, principalmente na prova do Enem, tendo em vista sua abrangência e importância.

Sempre estive ligado ao ensino da Matemática, desde pequeno, quando observava minha mãe aplicando aulas particulares em casa. A vontade de ser professor surgiu quando eu estava no sétimo ano, a antiga sexta série. Pedi autorização a minha mãe para dar aulas a meus colegas. Ela não só me autorizou como supervisionava minhas aulas. Quem diria que um mero experimento de criança curiosa transformaria uma garagem, com um pequeno quadro verde, em um laboratório de ensino de Matemática? O resultado foi tão positivo que um ano depois eu já tinha que dispensar alunos.

Mas será que eu tinha encontrado uma fórmula para ensinar? Infelizmente, a resposta é não. Consegui apenas descobrir que algumas coisas em nossa vida estão mais relacionadas à determinação e à vontade do que às habilidades ou dons adquiridos ou herdados geneticamente.

É claro que no ensino da Matemática precisamos considerar algumas variáveis que não se alteram, como: o currículo nacional da disciplina (obrigatório em todas as escolas), a quantidade de alunos na sala de aula, a estrutura física e o número de aulas disponíveis para o ensino dessa matéria. Olhando para as escolas (e posso dizer que conheço todos os níveis de ensino em escolas estaduais, municipais e particulares), e desconsiderando essas variáveis, gostaria de focar na figura do professor educador.

Caro colega, você se lembra de quando era estudante? Tenho certeza de que se eu lhe perguntasse o nome de algum professor do Ensino Básico, você certamente me daria o nome de um ou dois professores, no máximo três. Por que não nos lembramos de todos? Será que não foram importantes? Provavelmente você se lembre apenas de professores que de alguma forma marcaram sua vida, seja pelo aprendizado de alguma disciplina ou em virtude de um relacionamento de amizade com eles.

Nossa geração vive contra o relógio, com inúmeras atividades ao redor – Eletrônicas ou não. O espaço para o professor entre elas é super reduzido. De alguma forma parece que estamos “remando contra a correnteza”. Porém, ainda existem pessoas que não se deixam abater pelas dificuldades, e conseguem vencer essa correnteza, usando seus conhecimentos para conquistar aqueles que se encontram sob sua influência. Há, em nossas escolas, professores estudiosos e comprometidos, que atuam como educadores, por vocação.

O estigma que a Matemática carrega começa a ser quebrado com o carisma do professor. Ao aproximar-se, o educador rompe as primeiras barreiras, e desperta a confiança e a empatia do estudante. O conteúdo é mais facilmente assimilado, de forma permanente, independentemente do desempenho que o aluno venha a ter na disciplina. A carga negativa que o termo matemática carrega é então aliviada, e abre-se o espaço para o aprendizado.

Depois que esse relacionamento é firmado, as habilidades podem ser exploradas de diversas formas, tradicionais ou não. Particularmente, considero-me um professor tradicional, pois tenho observado que em nossa cultura, como em outras, esse método é mais relacionado com a linguagem matemática da repetição, tão importante especialmente nos anos iniciais. Os algoritmos decorados, como tabuadas e principais operações, ajudam o aluno no desenvolvimento de habilidades e, futuramente, das competências.

Meu desafio atualmente é preparar alunos do terceiro ano do Ensino Médio para a prova do Enem – hoje a principal prova do Brasil para acesso às principais universidades do país – devido à forma como as questões são trabalhadas. Curiosamente, classificamos essa prova como uma avaliação de nível médio-fácil em termos de dificuldade, mas ficamos surpresos com o baixo rendimento dos alunos.

Se considerarmos essa prova neurolinguística, podemos entender que as habilidades que são cobradas no Enem são relacionadas com as habilidades e competências que o aluno já tem. Mesmo assim, não consegue se mostrar capaz de acertar essas questões. Uma sugestão é contextualizá-las, isto é, mostrar a aplicabilidade desses conteúdos no dia a dia dos alunos, fazendo a transferência de conteúdo da memória temporária para a memória permanente.

Geralmente, gosto de fazer isso em sala de aula, no Fundamental II, usando jogos e aplicações com situações conhecidas, desafios e competições, separando os grupos com níveis mistos de competências e habilidades, fazendo com que as dificuldades intergrupo sejam absorvidas com a ajuda dos próprios pares, tirando assim a possibilidade de algum aluno sentir-se inferiorizado. Tenho observado que essa estratégia de trabalho tem alcançado bons resultados.

No Ensino Médio, as competições não são tão atraentes, mas a ligação com a tecnologia é mais importante, o que me leva a acreditar em softwares educacionais e recursos tecnológicos como suporte. Tenho observado que a geometria, por exemplo, é uma excelente ferramenta educacional, apesar da dificuldade que os professores têm para desenhar figuras tridimensionais na lousa. Seu uso facilita a vida do professor e incentiva o aluno a compreender o conteúdo com mais clareza.

Todos os recursos disponíveis devem ser muito bem estudados e testados previamente, para que o profissional tenha segurança ao usá-los.

Que cada professor possa encontrar um melhor caminho para ensinar e usar o dom que lhe foi dado por Deus, nosso Criador! “Cumpre a cada um desenvolver e avigorar os dons que lhe foram emprestados por Deus”. (WHITE, 1994, p. 506).

Transpire matemática, certamente as pessoas ao seu redor vão sentir o perfume que você vai exalar!

 

 

Referência
WHITE, Ellen G. Conselhos aos professores, pais e estudantes. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 1994.
Fonte: Revista CPB Educacional / 2º semestre 2015
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