ESTE TEXTO FOI escrito logo após a eliminação da seleção brasileira de futebol na Copa da Rússia (2018). Em diversas entrevistas é comum ouvir os jogadores se referirem ao treinador como “professor”. A princípio, essa comparação pode causar estranheza, mas ela reforça dois aspectos essenciais na prática de um professor de verdade.

O primeiro aspecto diz respeito às ferramentas disponíveis para o trabalho. Nos esportes, um técnico tem suporte de computadores e dispõe de diversos recursos para sua equipe. No entanto, nenhum acessório ou informação será eficaz sem a visão de profissionais que entendam daquele assunto. No campo educacional a realidade é a mesma, mas com uma história um pouco diferente.

O livro didático é a ferramenta mais utilizada pelos professores. No entanto, durante décadas os livros didáticos brasileiros foram produzidos sob a visão de especialistas e eruditos que pouco entendiam do “jogo” educacional. Somente a partir da década de 1970 é que o perfil desses autores começou a ser alterado. Gradativamente, foi-se adotando a participação produtiva de professores com experiência em sala de aula. Nas décadas seguintes houve uma crescente preocupação com os aspectos didáticos e valorizou-se a perspectiva do professor como principal ator no processo educacional. Assim, os manuais voltados aos professores tornaram-se cada vez mais completos com sugestões metodológicas, propostas de planejamento, projetos pedagógicos e planos de aula detalhados.

A percepção dos professores na construção das obras didáticas é muito importante, por isso a CPB Educacional tem incentivado a participação dos professores em nossos materiais. Esses profissionais são convidados a participar na concepção das obras didáticas, na seleção dos projetos e em cada etapa do processo editorial. Além disso, nossos livros são produzidos por técnicos (professores) experientes, sob a tutela de outros técnicos que também vivem a realidade educacional.

O segundo aspecto a ser destacado é que técnicos e professores são essenciais, cada um em seu respectivo cenário. Eles definem objetivos, apresentam estratégias, treinam e avaliam os jogadores (ou alunos). Nessa comparação simples, o desafio na área educacional é enorme, pois, diferentemente do futebol, raramente um professor tem a opção de selecionar os alunos. E, infelizmente, muitos alunos brasileiros parecem cada vez mais interessados no jogo de futebol do que no “jogo” da aprendizagem.

O mais intrigante é que o sucesso de técnicos e professores depende do que os jogadores/alunos farão no campo de futebol ou no “campo” da vida. Por mais relevantes que sejam esses profissionais, eles não podem ser totalmente responsabilizados pelos resultados alcançados. Jogadores e alunos também precisam assumir a parcela de responsabilidade que lhes diz respeito.

No que se refere à responsabilidade dos alunos no processo de aprendizagem, vale ressaltar que os primeiros livros didáticos usados no Brasil eram de uso exclusivo do professor. Apenas na segunda metade do século XIX é que as pessoas começaram a entender a necessidade de os livros serem destinados também aos alunos. Essa mudança trouxe preocupação à sociedade da época. Como exemplo, na introdução de um livro didático de Visconde de Cairu, ele expressa preocupação com a disseminação da palavra escrita a “jovens incautos”, temendo que jovens trabalhadores se instruíssem e começassem a aspirar a mudanças sociais.

No passado recente, os professores eram privilegiados por terem acesso à informação. Hoje, o conhecimento está disponível a todos e, infelizmente, muitos julgam saber tudo. O primeiro aspecto diz respeito às ferramentas disponíveis para o trabalho. Nos esportes, um técnico tem suporte de computadores e dispõe de diversos recursos para sua equipe. No entanto, nenhum acessório ou informação será eficaz sem a visão de profissionais que entendam daquele assunto. No campo educacional a realidade é a mesma, mas com uma história um pouco diferente. É preciso selecionar o que é adequado à construção do conhecimento. Nesse sentido, o livro didático é um excelente guia para o processo de aprendizagem.

Em pesquisa realizada recentemente, nossos sistemas mostraram que o livro didático é o meio mais confiável para se obter conhecimento. Entretanto, em alguns níveis ele é bem pouco utilizado pelos alunos. Espera-se que o professor apresente tudo o que é necessário, recorrendo-se ao livro somente para realizar as tarefas indicadas. Será que os professores não estão “entrando em campo” no lugar dos alunos?

Quando um professor centraliza a apresentação das informações aparentemente requeridas em uma área, de certa forma, ele está jogando no lugar dos alunos. Como técnico, cabe ao professor definir objetivos, apresentar estratégias, propor treinos e avaliar os alunos. Entretanto, muitas vezes, ele acaba treinando no lugar deles. Quer mostrar como fazer o “gol” e não deixa que eles percebam quão árduo esse processo é.

A sociedade coloca o professor como único responsável pela aprendizagem. No entanto, no “jogo” educacional quem precisa “jogar” são os alunos. A CPB Educacional apoia cada professor e oferece o suporte adequado à aprendizagem dos alunos.

Educador, lembre-se de que o show acontece quando os alunos estão “jogando” de verdade.

 

Por Alexander Dutra