Hoje, a reciclagem está na moda. Fala-se muito em reciclar plástico, papelão, garrafas de vidro; fala-se até em reaproveitamento de alimentos. Tudo isso é importante para o meio ambiente e tem uma finalidade. Porém, quando se trata do livro didático, é outra história.

Todo início de ano, a escola é abordada pelos pais com as mesmas perguntas: “Quais os livros que mudaram?”, “Posso reutilizar os livros do ano anterior?” Diante das preocupações financeiras que o país enfrenta, é normal procurar eliminar as despesas com livros escolares. Então, propomos a seguir uma reflexão sobre a importância do livro novo para facilitar a aprendizagem.

Analisando da perspectiva econômica, quando vai a uma livraria, o leitor avalia o preço do livro a partir de sua importância. Se o considerar muito bom fará um esforço para adquiri-lo. No caso do livro didático, se o custo total dos livros adotados para o ano for dividido pelo número de dias letivos o resultado será insignificante diante do aprendizado que o material didático representa para a vida toda.

Quando se analisa do ponto de vista da aprendizagem, a experiência de estudar é muito mais rica quando se faz uso de um livro com páginas ainda não exploradas, não marcadas, não sinalizadas, não respondidas, facilitando para o aluno o registro de suas observações, como parte de sua vivência de mundo. Ao realizar uma tarefa, ele fixa o que aprendeu; ao grifar uma frase, pode se lembrar, posteriormente, em que lugar da página está o que procura; ao resumir um parágrafo nas laterais da página, ele está, ao mesmo tempo, estudando e revisando o que foi falado e aprendido.

Com um livro que já foi utilizado – que já tem os grifos, as anotações, as respostas, as inquietações e os resultados de outro aluno –, a experiência de aprendizagem é prejudicada. Daí a necessidade da conscientização dos pais sobre essa importância pedagógica. A lógica é simples e igual para todos: diante de um livro usado, que já está todo grifado, a tendência do aluno é considerar as partes grifadas como as mais importantes, sem, muitas vezes, avaliar se de fato são, pois confia no julgamento alheio sem se dar ao trabalho de pensar por si mesmo. Diferentemente, no livro novo, o aluno pode grifar o que é importante e imprescindível para ele. Nesse caso ocorrerá um aprendizado genuíno e não um aprendizado emprestado.

Se o livro novo for usado assim, o estudante terá deixado nele as marcas de sua trajetória estudantil nos duzentos dias letivos: caminhos de descoberta, de criação, de amadurecimento, de retomadas, de respostas para os problemas apresentados, de solução para os estudos de caso, de confirmação do que havia intuído.

Com certeza, o aluno que seguir essas orientações terá um aproveitamento muito melhor, e o professor, uma classe de sucesso garantido, afinal, livro assim tem dono. Não se vende por nada. É único e tem a marca do aluno nota 10. Repasse essa ideia de ensino–aprendizagem!

 

Veja algumas sugestões para que o aluno aproveite o melhor do livro didático.

 

Fonte: Revista CPB Educacional – 1º semestre 2016.