Acredita-se que o professor de Educação Física seja o grande motivador das atividades físicas escolares, usando meios que estimulem as crianças à pratica do exercício físico. Esse hábito desenvolve o sentimento de enfrentar desafios, sociabilização, respeito pelo espaço alheio, autoestima, autoconfiança e, principalmente, tira as crianças do sedentarismo.

Com a evolução da tecnologia, é muito comum crianças e adolescentes substituírem atividades físicas escolares, que demandam gasto energético, por brincadeiras automatizadas. Além disso, consomem salgadinhos, balas e refrigerantes com elevado teor de sal, colesterol e calorias. O resultado é o surgimento da obesidade infantil, considerada uma das doenças mais comuns nos dias de hoje.

É importante ainda salientar que um dos meios mais importantes para resgatar o bom desenvolvimento psicomotor da criança é a educação física na escola, lugar a que a maioria da população brasileira tem acesso.

Pode-se dizer que a aplicabilidade e a eficácia da educação física escolar, são grandes instrumentos para enfrentar os problemas da saúde brasileira. É inegável a riqueza da aplicação de uma aula de educação física devidamente planejada e monitorada pelo professor de educação física.

Os vilões
O aumento do tempo dedicado à TV, internet, jogos de computador e vídeo, parecem ser causas importantes da redução da atividade física. De acordo com dados recentes, 30% das crianças e jovens, em média, entre seis e 19 anos de idade nos Estados Unidos têm excesso de peso. Isso tem levado a um grande aumento de doenças crônicas como, por exemplo, hipertensão arterial, diabetes, problemas emocionais, dificuldade no apredizado em sala de aula, entre outras. No Brasil, a situação não é muito diferente. O número de obesos baixinhos tem aumentado de forma preocupante, atingindo a média de 15% das crianças, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Assim, os gastos públicos anuais com a obesidade somam aproximadamente 1,5 bilhão de reais (PHORTE, 2008, p.13).

O sedentarismo e as dietas hipercalóricas têm sido os grandes vilões desse problema. É considerada sedentária a pessoa que gasta poucas calorias por semana com atividades ocupacionais. Para deixar de fazer parte desse grupo, o indivíduo precisa gastar, no mínimo em média, 2.200 calorias durante a semana em atividades físicas. A educação física escolar tem importante papel nessa missão, pois boa parte do dia de uma criança é passada na escola. Cabe aos pais a responsabilidade de dar exemplo e criar oportunidades para que os filhos pratiquem exercícios físicos regularmente.

Promover a prática regular de exercícios físicos na infância e na adolescência significa estabelecer uma base sólida para a redução do sedentarismo na idade adulta, contribuindo dessa forma para uma melhor qualidade de vida. É importante lembrar que a prática regular de exercícios físicos não implica necessariamente no envolvimento em atividades competitivas. É necessário conscientizar crianças e adolescentes de que a simples caminhada, inclusive de casa para a escola e vice-versa, causa benefícios à saúde.

Além da prática de atividade física, é essencial que haja acompanhamento alimentar rigoroso na infância; e isso desde o nascimento. O excessivo consumo de alimentos nos primeiros anos de vida aumenta o número de células adiposas, num processo irreversível que é a causa principal de obesidade.

Desenvolvimento integral
Os programas de atividade física devem conter exercícios específicos de desenvolvimento coordenativo. Melhorando a coordenação motora, conseguimos executar tarefas físicas diárias de modo mais eficaz e econômico, além de melhorar o treino das outras capacidades, como resistência, força, velocidade, flexibilidade, entre outras. Isso pode ser feito através de exercício específico, ou simplesmente através de propostas e desafios como rápida mudança de um exercício para outro ou de uma brincadeira para outra, mudanças rápidas de posições, forma de execução, etc.

Atividades rítmicas (como aeróbica) e de consciência corporal (ginástica natural) e jogos em geral estimulam o desenvolvimento da coordenação motora. As práticas escolares, como todas as outras, participam desse processo e também imprimem nas crianças e jovens disposição, atitudes, hábitos e comportamentos que, num determinado momento e espaço social, são adequados à formação de homens e mulheres. Além do estímulo dos pais, o professor de Educação Física é o único habilitado para elaborar, coordenar e orientar tal atividade.

 

 

Imagem: Wetnose1 e Matthew Cole / Fotolia
Fonte: Revista Vida e Saúde – Março de 2009.