A educação formal desperta para o conhecimento de mundo, contudo, ao observar a “fonte e objetivo da verdadeira educação” (WHITE, Educação, 2008), é possível perceber a necessidade de ideias mais amplas e de cunho elevado, conforme afirma a autora Ellen White, no livro Educação:

“A verdadeira educação significa mais do que avançar em certo curso de estudos. É muito mais do que a preparação para a vida presente. Tem em vista o ser todo, durante toda a vida. É o desenvolvimento harmonioso das faculdades físicas, intelectuais e espirituais. (WHITE, Educação, 2008, p. 5).”

Ao contemplar a educação, que envolve toda a vida, interpõe-se também a educação formal, iniciada na Educação Infantil, que principia a vivência escolar e introduz o conhecimento curricular estruturado, conhecimento esse intimamente ligado à afetividade. Como afirma White, a criança (como qualquer ser humano) desenvolve-se integralmente, com todos os aspectos que a compõem. É improvável, portanto, afirmar que exista dificuldade de aprendizagem puramente cognitiva ou afetiva. O que ocorre em geral é o direcionamento afetivo positivo ou negativo no sistema de construção de conhecimentos ligados a certos conteúdos.

Henri Wallon (1879-1962) dedicou grande parte de sua vida ao estudo das emoções e da afetividade. Assim, fundamentou sua pesquisa sobre a psicogênese da pessoa completa, considerada em seus aspectos afetivo, cognitivo e motor. Estudando a afetividade e as emoções no decorrer do desenvolvimento, conseguiu identificar as primeiras manifestações afetivas do ser humano e suas principais características […]. Concebeu a afetividade como fator fundamental na constituição do sujeito e como instrumento de sobrevivência do ser humano […]. (BORBA, 2008).

Como outros estudiosos, Wallon valorizou a afetividade e a cognição no desenvolvimento do ser humano, reforçando a importância das mesmas. Assim, a atuação pedagógica no contexto escolar pode se apropriar da investigação sobre a relação da criança com o conhecimento. Se existem sentimentos que conduzem ao compreender melhor ou não cada eixo e seus objetivos de aprendizagem, deve haver constante análise docente, com o intuito de despertar interesses nas crianças, que mobilizem os pequenos para o aprender. Para tanto, é necessário conhecer como se processa o pensamento infantil, suas fases e seu desenvolvimento. Pesquisadores como Vygotski, Piaget, Ferreiro, o próprio Wallon, entre outros, direcionam aspectos importantes para nossa compreensão. Estar alheio a essas questões é ficar absorto, sem saídas e alternativas.

Então, que caminhos poderiam ser percorridos com vistas a propiciar um melhor desenvolvimento cognitivo e afetivo? Uma melhor aprendizagem? Trocas entre os educadores é algo fundamental. Aqui considero educadores todos os agentes envolvidos no processo de ensino–aprendizagem no qual a criança é personagem principal, e que envolve amplamente a cognição e a afetividade, com participação ativa dos pais, responsáveis, professores ou outros que participem da vivência infantil. Assegurar que todos estejam inteirados das ações praticadas é garantir condições de melhor desenvolvimento para o educando.

Para potencializar esse desenvolvimento, cotidianamente, faz-se necessário problematizar situações nas quais a criança seja capaz de buscar soluções por si. Isso implica criar, manter e fomentar a comunicação para que os pequenos possam progredir em suas descobertas, a ponto de se aproximar da atividade de forma afetiva e aprender com ela o conhecimento (SILVEIRA, 2001).

Ainda é preciso compreender que conhecer é tarefa complexa, implica aprender, sim, mas não determina o correto e o incorreto; esses conceitos serão formados a partir do que a criança vive, mediante sua afetividade e cognição. “[…] a afetividade está presente em qualquer atividade, por isso deve-se considerar o cognitivo e o afetivo” (DOLLE apud CAMARGO, 1997) sempre.

Questionamentos, brincadeiras, atividades dialogadas são boas possibilidades para a motivação e o envolvimento das crianças na Educação Infantil. Policiar-se para não fornecer respostas prontas antes de haver tentativas dos pequenos é algo a ser aprendido também. Muitas vezes, enquanto educadores, reproduzimos o que vivenciamos enquanto alunos, e não se propicia tempo para que os educandos se envolvam com as problematizações e elaborem suas respostas.

Na verdade, seja criança ou adulto, todos necessitam do elo entre a cognição e a afetividade em suas aprendizagens, portanto, busquemos propiciar mais situações que envolvam os sentimentos e as emoções. Desse modo, haverá melhor desenvolvimento da cognição e, consequentemente, melhor aprendizagem.

 

Referências
BORBA, V. R. S. A expressão da afetividade na Educação Infantil: concepções de algumas docentes. Nucleus, v. 5. n. 1, abr. 2008.
CAMARGO, R. L. Desenvolvimento cognitivo e desempenho escolar. Dissertação (Mestrado em Educação) – Unicamp, Campinas, 1997.
CONFEDERAÇÃO DAS UNIÕES BRASILEIRAS DA IGREJA ADVENTISTA DO SÉTIMO DIA. Pedagogia adventista. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2004.
SILVEIRA, N. T. Família, escolar e equilíbrio emocional: um estudo das principais implicações da criança na Educação Infantil. Monografia – Lato sensu. Engenheiro Coelho: Unasp, 2001.
WHITE, E. G. Educação. Tatuí: Casa Publicadora Brasileira, 2008.

 

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Fonte: Revista CPB Educacional / 2º semestre 2015
Imagem: Tyler Olson / Fotolia