Você já deve ter escutado muitas recomendações a respeito do uso de recursos tecnológicos em suas aulas, certo? Eu também! Mas, em que medida estes são realmente importante em nossas salas? A interação de nossos alunos com as novas tecnologias muda alguma coisa em sua forma de aprender? Pensando nestas questões gostaria de propor uma reflexão.

Bem, sabemos que nossa sociedade está cada vez mais conectada, que nossos aluninhos e alunões, estão cada vez mais inseridos neste ambiente, não é verdade? Não podemos negar que tamanha imersão tem provocado algumas mudanças de comportamento e reações em sala de aula, concorda ou não? Não precisamos ir longe, você mesmo pode listar uma série de mudanças na última década, certo?

A autora e pesquisadora Lúcia Santaella da PUC-SP, também percebeu tais mudanças. Ela constatou que o uso dos diversos recursos tecnológicos como: jogos de computador, internet, celulares, etc., que nossas crianças, adolescentes e jovens vêm usando, tem gerado mudanças em seus níveis de atenção. Eles passaram a ter “atenção parcial contínua”, ou seja, ao invés de se concentrar com qualidade em um único foco passam a concentrar-se, de forma parcial, em vários focos.

Exemplo prático? Quem já não viu um adolescente diante do computador, ouvindo música e fazendo tarefa ao mesmo tempo? “Atenção parcial contínua” , meus amigos! Ok, mas, o que isso tem de ruim? Ao concentrarem-se parcialmente em vários focos, talvez, não terão tempo para comparar características, diferenciar aspectos, refletir, memorizar, aprender sobre determinado assunto.

Acabarão perdendo a possibilidade de aprofundamento, seu conhecimento poderá ser superficial. Para que aprender ou memorizar, se podemos sempre acessar? Ora, estamos na era da Internet, onde toda informação está ao nosso alcance, isso não é um problema certo? Errado! Apesar do acesso cada vez mais fácil à informação, a consolidação de conceitos é fundamental para a verdadeira aprendizagem. Para lembrar, para entender, para mudar nossos conceitos precisamos “digerir” a informação: interpretar, comparar, diferenciar, classificar, resolver, reformular e a lista continua.

Por isso minha preocupação em pensarmos em novas formas de ensinar. Precisamos ajudar nossos alunos com “atenção parcial contínua” a aprenderem de forma significativa hoje, no contexto histórico e social no qual vivem.

A escritora Ellen White nos dá uma orientação muito importante sobre como usar estes recursos a nosso favor. Segundo ela, devemos lançar mão da “imprensa e […] propaganda […] para atrair a atenção do povo.”, leia-se alunos também. Vejam “atrair a atenção” para então levarmos estes aprendizes a verdadeiramente aprender.

Mas, então isso quer dizer que devemos nos render a um determinismo tecnológico que dita mudanças em nossa forma de ensinar? Devemos passivamente nos adaptar? Simples assim? Não, não é tão simples assim!

Como comentei, fato é que as mudanças estão aí e que as consequências estão chegando às nossas queridas salas de aulas. Acredito de coração que não devemos simplesmente mudar nossa prática porque os modismos nos dizem que devemos fazer diferente. Porém, ficar parados sem fazer uma leitura crítica do mundo, também não é o caminho. Precisamos usar as inovações de forma eficaz, a fim de auxiliar nossos alunos a aprenderem sobre diversos assuntos, mas principalmente sobre o amor do nosso Deus.

 

Imagem: Sergey Nivens / Fotolia