Damos continuidade aqui ao tema abordado no artigo anterior, sobre a Geração Y. As considerações foram feitas com base na palestra Gerenciando a Geração Y, ministrada pelo professor Renato Guimarães Ferreira, da Fundação Getúlio Vargas, na ExpoManagement 2008.

Quando falamos no que é típico de uma geração, estamos nos referindo ao que é “emblemático”, seguindo a orientação do antropólogo Gilberto Velho. O que caracteriza um grupo, a sua marca, nem sempre é compartilhado pelo conjunto. Velho argumenta que talvez nem 10% dos jovens dos anos 1980 tenham participado do movimento estudantil, assim como nem todo adolescente urbano de hoje frequenta raves ou usa ecstasy. O emblema é uma espécie de logotipo.

 

MAIS CARACTERÍSTICAS DA GERAÇÃO Y

  • Cresceram conectados à internet, portanto estão acostumados à interação com resposta em tempo real, velocidade e excesso de informações;
  • Sofreram mudanças em relação ao paradigma de consumo – quando um Y vai comprar um celular, por exemplo, é possível que saiba mais informações do produto que o próprio vendedor;
  • São muito interessados em tecnologia e a usam como uma extensão de seus cérebros;
  • São ansiosos, e preocupados com o equilíbrio entre qualidade de vida e trabalho;
  • Possuem grande senso de individualidade: são fiéis a seus projetos (mais do que a uma empresa);
  • Querem ser empreendedores dentro de suas carreiras;
  • São informais em suas relações: para eles o mundo é plano;
  • São corajosos, não têm medo de arriscar;
  • Para eles o trabalho não é só uma forma de sobreviver economicamente, mas fonte de satisfação e desenvolvimento pessoal;
  • Viveram a infância em um contexto de bem-estar social e econômico e se mantêm mais tempo dependentes da família, exatamente o contrário da geração anterior que ansiava sair cedo de casa e ter sua vida independente; Interessam-se pelos problemas sociais e têm preocupações ecológicas;
  • Mostram-se abertos a novas correntes ideológicas e são sensíveis à injustiça.

 

O que eles buscam

  • Experiências pessoais e profissionais;
  • Conhecimentos aplicáveis;
  • Variedade e desafios;
  • Velocidade e novidade;
  • Redes ampliadas;
  • Feedback e reconhecimento;
  • Recompensa associada ao mérito;
  • Que seu estilo de vida e sua forma de enfocar o trabalho sejam respeitados.

 

O que eles temem

  • O insucesso;
  • Tomar decisões erradas;
  • Frustrar outros (particularmente a família);
  • Não realizar plenamente seu potencial;
  • Não saber qual é o seu potencial.

 

O que eles valorizam

  • Feedback constante, muito constante;
  • Avaliações objetivas com base de sistemas meritocráticos;
  • Saber com clareza o que devem fazer para crescer na carreira;
  • Envolvimento em projetos relevantes e desafiadores, que façam sentido para eles;
  • Poder opinar e ter suas idéias levadas em conta;
  • Movimentos rápidos;
  • Flexibilidade de horários;
  • Exposição internacional;
  • Riqueza de contatos;
  • Responsabilidade individual e liberdade para tomar decisões;
  • Mesclar vida pessoal e profissional/trabalhar em ambientes divertidos.

 

Ambiente que darão o máximo de si

  • Comunicação aberta;
  • Oportunidade de aprendizado e desafios profissionais, sempre respeitando a vida pessoal;
  • Clima agradável que estimule a iniciativa.

 

O que eles têm a oferecer à empresa

  • Alto nível de formação;
  • Iniciativa e criatividade;
  • Resultados.

 

Foi perguntado a um grupo de jovens da geração Y, no que sua geração se diferencia da geração dos seus pais? Confira abaixo a resposta:

“Uma palavra chave que encontramos é a velocidade. Nossa geração quer fazer muito mais coisas em muito menos tempo; não tem paciência para nada, não aceita esperar. Essa velocidade cria uma necessidade de excesso, ou vice-versa, já que mais parece ser melhor, você hoje em dia precisa ser mais rápido para, por exemplo, aprender um idioma novo para que dê tempo de aprender outros logo em seguida. Achamos que nossa geração é mais individualista, superficial e talvez um pouco menos pró-ativa (um bom exemplo foi o papel dos jovens no período da ditadura, cosia que não existe nessa geração). Existe muito a presença da dúvida, pois existe mais liberdade de escolha e mais opções em vários aspectos da vida, e assim sendo, as pessoas se tornam muito diferentes, com conhecimentos e experiências distintas. Portanto, a gestão de pessoas deve, principalmente, entender que não há “modelos” de pessoas, e que elas devem ser tratadas individualmente.”

 

 

Imagem: sellingpix/Fotolia