As aulas de ensino religioso se constituem um momento apropriado para a discussão de temas relevantes à vida diária. Todavia, não basta fundamentar essas discussões nos princípios  da ética e da moral “a fim de ensinarmos um a conduta socialmente aceitável ou mesmo cristã”. É necessário que nos reportemos à Bíblia para dela extrairmos princípios que norteiam a vida. Mas devemos fazer isso de modo cuidadoso, mergulhado em suas profundezas, longe da superficialidade que os dias de hoje nos impõem.

Uma estratégia que ajuda na prática do estudo significativo e profundo da Bíblia é fazer as perguntas certas. As questões podem ser informativas, aos quais requerem explanação dos fatos. Ao mesmo tempo em que são as mais simples, estas perguntas em pouco contribuem para o aprofundamento da percepção bíblica, razão pela qual não devem ser demasiadamente exploradas. Alguns exemplos: Que livros da Bíblia forma escritos pelo apóstolo Paulo? Quais são os Evangelhos Sinódicos?

As perguntas também podem ser interpretativas, as quais são cognitivamente superiores às informativas porque requerem entendimento do que está sendo dito ou lido. Outras perguntas que podem ajudar no estudo da Bíblia são as sensitivas, cuja finalidade é detectar como a pessoa se sente. A vantagem deste tipo de questões é que saem do nível puramente cognitivo, lidando com aspectos sentimentais e emocionais. É oportuno fazer estas perguntas a fim de estabelecer aplicações mais específicas, conectando o mundo bíblico ao mundo do sujeito. Exemplo: O fato de ter Cristo como intercessor no Santuário Celestial faz diferença em minha vida? Como?

O estudo da Bíblia precisa encontrar aplicação à vida pessoal, pois isto garante o desejo de continuar dedicando-lhe tempo e esforço. As perguntas aplicativas são muito úteis nesse sentido – seu objetivo é mostrar a utilidade do estúdio da Bíblia. É como se a pessoa estivesse afirmando: “E daí? No que isto pode me ajudar na minha vida diária?”. Este é um exemplo: Que decisões Deus espera que eu tome após o estudo deste assunto da Bíblia?

Métodos e técnicas de estudo da Bíblia jamais esgotarão a riqueza de qualquer passagem da Escritura. Isaías 55: 8 e 9 fala a respeito da infinita superioridade dos pensamentos divinos em relação aos pensamentos humanos. Claro, isso não deve desestimular-nos no seu estudo; ao contrário, deve lembrar-nos que por mais que cavemos profundamente – e diversas vezes – em busca de tesouros, ainda poderemos continuar explorando e achando pérolas escondidas nas mesmas histórias, parábolas ou exortações que já tantas vezes lemos e estudamos.

 

 

Referência
Ruth C. Haycock. Enciclopedia das Verdades Bíblicas: fundamentos bíblicos para o currículo escolar. São Paulo: ACSI, 2003, p. 8.
Fonte: Revista Escola Adventista – 2º semestre de 2012.
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