Embora as ações e os comportamentos de gestores e outros colaboradores sejam importantes para o trabalho escolar e seus fins, é a figura do docente a mais relevante no processo de formação dos educandos. É na sala de aula que as coisas acontecem e é ali que os valores são especialmente difundidos. O docente é um modelo e agente de transformação.

Dentre várias características, serão destacadas algumas que são primordiais neste cenário atual que coloca a sustentabilidade como urgente necessidade das empresas, sociedades e pessoas de um modo geral. Para alcançar os propósitos da educação socioambiental o professor deve manifestar e buscar continuamente o desenvolvimento das seguintes características:

a) Relacionamento interpessoal positivo: o trabalho educativo será facilitado se houver bom relacionamento entre educando e educador. Aprender a lidar com as diferenças entre os alunos é de vital importância para ter acesso ao coração e mente deles e, consequentemente, promover as mudanças desejadas.

Moscovici (2002) afirma que:

“As pessoas diferem na maneira de perceber, pensar, sentir e agir. As diferenças individuais são, portanto, inevitáveis com suas consequentes influências na dinâmica interpessoal. Vistas por um prisma mais abrangente, as diferenças individuais podem ser consideradas intrinsecamente desejáveis e valiosas, pois propiciam riquezas de possibilidades, de opções para melhores maneiras de reagir a qualquer situação de problema.” (MOSCOVICI, 2002, p. 145.)

b) Equilíbrio emocional: trata-se de ter controle sobre os sentimentos e as atitudes, ter domínio próprio, pois ninguém pode influenciar positivamente o outro se não controlar suas próprias emoções.

c) Profissionalismo e aperfeiçoamento constantes: Agir com profissionalismo é assumir a responsabilidade social explícita na tarefa de educar, a qual envolve ética, imparcialidade, empatia, pontualidade, responsabilidade, tato, diligência e compromisso. Ao professor cabe ainda buscar constantemente o aperfeiçoamento para que possa agir com competência. Para Jacobi, “os educadores devem estar cada vez mais preparados para reelaborar as informações que recebem, e, dentre elas, as ambientais, para poder transmitir e decodificar para os alunos a expressão dos significados em torno do meio ambiente e da ecologia nas suas múltiplas determinações e intersecções.”

d) Postura reflexiva: agir de forma reflexiva é necessário para desenvolver práticas que articulem a educação e o meio ambiente numa perspectiva crítica.

Segundo Jacobi:

“A inserção da educação ambiental numa perspectiva crítica ocorre na medida em que o professor assume uma postura reflexiva. Isso potencializa entender a educação ambiental como uma prática político-pedagógica, representando a possibilidade de motivar as pessoas para transformar as diversas formas de participação em potenciais fatores de dinamização da sociedade e de ampliação da sociedade socioambiental.” (JACOBI, 2005, p. 245)

e) Interdisciplinaridade: a educação socioambiental tem que ser trabalhada por todos os professores – na Matemática, na Geografia, em História, etc. O momento atual é o de consolidar práticas pedagógicas que estimulem a interdisciplinaridade.
Comentando o assunto Jacobi menciona:

“O desafio da interdisciplinaridade é enfrentado como um processo de conhecimento que busca estabelecer cortes transversais na compreensão e explicação do contexto do ensino e pesquisa, buscando a interação entre as disciplinas e superando a compartimentalização científica provocada pela excessiva especialização.” (JACOBI, 2005, p. 246)

Os professores possuem um papel fundamental e decisivo na inserção do comportamento socioambiental no cotidiano escolar, qualificando os discentes para um posicionamento crítico, reflexivo e responsável face à crise socioambiental instalada na sociedade atual. Ele tem como horizonte a transformação de hábitos e práticas sociais que mobilize os alunos para a questão da sustentabilidade no seu significado mais abrangente.

 

 

Referências:
RODRIGUES, G.; SKLASKI, R. Educação Ambiental é tudo de bom – A prática traz benefícios para o aluno, a sociedade e a própria escola. Revista Gestão Educacional, Humana Editora, Nov. 2008, Ano 4 – Nº 42, p. 16–19.
SILVEIRA, Laureano. Desenvolvimento humano e desenvolvimento sustentável: o papel da escola no século XXI. Saber (e) Educar. Porto: ESSE de Paula Frassinetti. Nº. 10 (2005), p. 9-28.
Imagem: Chepko Danil/Fotolia