Sou professor há 23 anos. Em quase um quarto de século muitas coisas mudaram. No campo das tecnologias ocorreram grandes avanços. Lembro-me de que o giz e a lousa eram os recursos tecnológicos mais utilizados pelos professores quando iniciei meu magistério. Passei também pelo mimeógrafo, pelo retroprojetor e pelo projetor de slides. A TV e o videocassete vieram bem depois. Geralmente não estavam disponíveis em todas as salas e era necessário agendamento para utilização desses recursos.

O computador, o projetor e a lousa digital são uma realidade bem mais recente. Hoje tenho o privilégio de trabalhar em uma escola que disponibiliza o computador, a internet, o projetor e um sistema de som em cada sala de aula. Esses recursos permitem que o professor tenha uma infinidade de opções no preparo e na apresentação das aulas.

É verdade que a escola incorporou novas tecnologias nas últimas décadas, mas a área educacional não aceitou e não aceita novas ferramentas tecnológicas com tanta rapidez como o comércio, a mídia, a medicina e muitas famílias.

Para comprovar isso, podemos comparar as salas de aula de hoje com as do passado. É inegável que muitas coisas mudaram. No entanto, não temos dificuldade em reconhecer o ambiente da sala de aula ao olhar uma foto de 100 anos atrás. O mesmo não ocorre com uma sala de cirurgia. As mudanças foram maiores e mais significativas. O que estou tentando dizer é que a escola é mais resistente em aceitar e incorporar o uso de novas tecnologias na rotina do processo ensino–aprendizagem.

Existem boas razões para que administradores e professores de uma escola deixem o receio de lado e passem a usar os novos recursos tecnológicos em sala de aula. A seguir, destaco três razões que justificam o uso desses recursos.

  1. Facilitam a aprendizagem: Há muitas ferramentas novas desenvolvidas especificamente para uso no magistério. Ao fazer uso delas, o professor diversifica as aulas e alcança todos os tipos de aluno. Inúmeros aplicativos que podem ser usados em computadores, tablets e smartphones têm o potencial de revolucionar o modo como se ensina e se aprende.
  2. Motivam os alunos: Devemos nos lembrar de que embora muitos professores ainda sejam “analógicos”, estão trabalhando com alunos “digitais”. O uso de novas tecnologias envolve e motiva os alunos. Parece que esse é um caminho sem volta. Não podemos proibir para sempre o uso desses equipamentos em sala de aula. O melhor é usá-los a nosso favor.
  3. Integram a expectativa das famílias e da comunidade: As famílias e a própria comunidade querem ver os alunos usando novas tecnologias para a aprendizagem. Elas esperam que a escola faça bom uso de todas as novidades tecnológicas. Quantas ferramentas existem em um único tablet? Apenas para citar algumas: calculadora, máquina fotográfica, filmadora, gravador de áudio, agenda, calendário, navegador de internet, editor de imagens, editor de filmes, dicionário, leitor de livros e outros documentos, etc. Tudo isso (e muito mais) em um único objeto.

Recentemente, conheci um aplicativo desenvolvido especialmente para a educação, o iTunes U. Esse aplicativo pode ser utilizado em iPods, iPhones e iPads. O iTunes U permite que o professor e os alunos acessem milhares de cursos prontos e possibilita a pesquisa de inúmeros assuntos em todos os níveis. Além disso, é possível que o professor monte um curso de sua disciplina e disponibilize-o para os alunos. Por meio desse aplicativo os alunos acessam imagens, vídeos, slides, gravações, sites selecionados pelo professor; tarefas e atividades.

Resolvi testar o aplicativo com turmas do 3º ano do Ensino Médio no último bimestre de 2013. Fiz uma pesquisa e descobri que em cada sala havia equipamento suficiente para trabalhar em grupos de no máximo quatro alunos. Criei um curso chamado Morfofisiologia humana.

Quando revelei o projeto aos alunos, a euforia foi imediata. Na mesma hora começaram a fazer o download do aplicativo. Solicitaram a senha para se inscreverem no meu curso do iTunes U e mal podiam esperar a liberação para que pudessem iniciar as atividades. Confesso que não via tanto interesse acadêmico naquelas turmas havia algum tempo.

O curso foi projetado para durar duas semanas. Os alunos se envolveram dentro e fora da sala de aula, cumprindo as atividades e superando minhas expectativas. Ao fim, solicitei que cada grupo fizesse uma avaliação sobre a nova ferramenta de aprendizagem. Fiquei plenamente satisfeito com os resultados e com as palavras incentivadoras dos alunos. Com isso, senti-me animado a querer repetir a experiência e ampliá-la para outras turmas.

Quantas mudanças ainda estão por vir? É impossível prever. Mas sei que com dedicação e criatividade muitos professores poderão incluir essas novidades em sua prática de ensino, motivando significativamente os alunos a aprender.

Para mais informações sobre o iTunes U acesse o site: http://www.apple.com/br/education/ipad/itunes-u

 

 

Imagem: James Thew /Fotolia
Fonte: Revista CPB Educacional – 2º semestre 2014.