A Educação 3.0 é muito mais do que a atitude de utilizar a tecnologia para transmitir conteúdos. Ela é um novo paradigma educacional, que envolve o que ensinar (conteúdos), como ensinar (metodologia), com o quê ensinar (recursos didáticos, principalmente tecnológicos), e para que ensinar (resultado final).

Nesse novo paradigma, o papel do educador muda drasticamente. Sem o foco na transmissão de conteúdos, o professor adquire um papel ainda mais importante – o de promover nos alunos a capacidade de aplicar o conhecimento para a elaboração de soluções, desenvolver habilidades nos estudantes e ser um agente capaz de contribuir para que as alterações curriculares correspondam às necessidades de seu entorno.

Sem dúvida, mudanças trazem situações novas, algumas delas ainda imprevisíveis. Porém, as características propostas para a Educação 3.0 já fornecem um vislumbre de alguns dos desafios que o professor pode esperar para o exercício de seu magistério nesse novo paradigma.

O educador conduz pesquisas que geram novos conhecimentos:

Na Educação 3.0, o foco está na solução de problemas reais ou significativos para a sociedade ou vida acadêmica. Por isso, para muitas dessas situações, não existem respostas prontas. Além disso, o projeto relevante para um ano pode não ser relevante para o ano seguinte, ou para outra comunidade. O professor, nesse momento, é fundamental, pois é ele quem promoverá a apropriação de novos conhecimentos. Logicamente, ele também se beneficia e adquire novas experiências com esse processo. Com seus conhecimentos e habilidades, ele orientará os alunos quanto à leitura da realidade, a interpretação das fontes de informações e como elas podem ser aplicadas na busca por soluções, em sua área de atuação.

Mais que transmitir conhecimento, o educador desenvolve habilidades:

Atualmente, informações estão ao alcance de qualquer pessoa com acesso à internet, muitas vezes com atualizações em tempo real. O papel do professor tornou-se, então, ainda mais importante, embora necessite de reinvenção constante. O objetivo dos projetos focados na solução de problemas reais é, também, desenvolver habilidades – a capacidade para utilizar as tecnologias para obter informações, para identificar aquelas que são relevantes e dignas de credibilidade, habilidade para aplicar essas informações na elaboração de soluções de problemas, capacidade de expor ideias de forma convincente, mas respeitosa, capacidade de conviver com pessoas diferentes…

O educador utiliza sua área de conhecimento em prol de um projeto interdisciplinar:

Ao pesquisarem um tema, os alunos necessitarão do conhecimento fundamental à sua compreensão e utilização. Cada especialista contribuirá trabalhando, em sala de aula, a relação que sua área de conhecimento tem com o tema da pesquisa. Os conceitos importantes, como as informações coletadas, se relacionam ou demonstram esses conceitos, as melhores formas de interpretá-las e analisá-las de acordo com o conteúdo das diferentes áreas será uma das atribuições do professor.

O educador utiliza as tecnologias da informação e comunicação:

A utilização consciente das tecnologias tornou-se uma necessidade básica. Quando os alunos da geração Z chegarem ao mercado de trabalho, a expectativa sobre eles será a capacidade de utilização desses dispositivos como nativos digitais. Num futuro muito próximo, os alunos que não tiverem a oportunidade de utilizá-las ficarão excluídos de importantes oportunidades educativas e profissionais. Da mesma forma que hoje não é necessário ir ao banco e enfrentar fila para pagar uma conta que pode ser paga dentro da própria casa, não é mais necessário se dirigir ao prédio de uma faculdade para fazer um curso, não é preciso sair da própria cidade para assistir a uma palestra, a situação de aprendizagem também pode ser muito facilitada pelos dispositivos de comunicação. Não é mais necessário que o professor escreva na lousa e que os alunos copiem algo que pode ser acessado através de um link passado por mensagem instantânea. Na Educação 3.0 usa-se o mesmo princípio – toda a informação está na palma da mão. Cada tecnologia tem seu espaço, e cabe ao professor utilizá-las como qualquer outra pessoa as utiliza atualmente e ensinar aos seus alunos como podem fazer isso de forma equilibrada e consciente. A tecnologia é utilizada também para a comunicação com os estudantes, orientação constante e para o monitoramento do andamento das pesquisas.

O educador trabalha em parceria com outros professores e profissionais da sociedade:

Da mesma forma que o projeto envolve o conhecimento de várias disciplinas, ele envolve também vários professores. Ao pesquisarem um tema, os alunos obterão informações, mas a condução da análise desses dados pode e deve ser orientada pelos professores, de acordo com sua área de especialização. Ao professor de Matemática caberá instruir a respeito do cálculo dos fatores pertinentes. Do professor de Língua Portuguesa será o papel de conduzir a elaboração da argumentação e da forma de apresentação. Cada especialista das diversas áreas deverá contribuir, conforme a pertinência do assunto. Além disso, espera-se que, na Educação 3.0, haja tal nível de parceria com a sociedade que não apenas os professores contribuam, mas especialistas de diversas áreas, profissionais atuantes na sociedade, estejam em contato com os estudantes.

O educador participa ativamente na criação de um novo currículo:

Na verdade, se a Educação 3.0 reflete as transformações de uma sociedade constantemente em mudança, o currículo também não pode ser algo estático. Não se trata de estabelecer uma mudança, implantá-la e ponto. A escola 3.0 precisa se reinventar a medida que a sociedade muda e necessita de pessoas com novas habilidades. Não se trata mais de conformar as novas tecnologias aos currículos, mas sim de adaptar os aspectos da formulação, o educador terá mais capacidade de decisão e implantação de projetos. Devido à exigência da relevância desses projetos, ele é quem melhor conhece seu entorno, sua comunidade e seus alunos e, por esse motivo, poderá atuar de maneira decisiva para definir diretrizes de atuação.

Para encerrar, é importante ouvir o principal expoente dos princípios da Educação 3.0. Segundo Jim Lengle, o papel do professor será “buscar desenvolver alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro, enxergar o aprendizado como uma ação continuada, que não se restringe às oportunidades apresentadas pelo professor; acreditar que o aprendizado é para todos e ninguém deve ser excluído; reconhecer que as pessoas aprendem de forma diferente; e prover uma infraestrutura necessária para o aprendizado, que ainda é físico, mas cada vez mais virtual”.

Sem dúvida, este artigo não esgota o tema. Muitos outros aspectos precisam ser analisados quanto aos pilares propostos para a Educação 3.0. No entanto, algo é certo: não há desenvolvimento sem a atuação do bom professor, que se reinventa a cada dia para atender às necessidades de desenvolvimento de seus educandos, não apenas no aspecto profissional e social, mas para cumprir os objetivos ainda mais nobres aos quais se propõe o verdadeiro educador.

 

Referências
lengel.net/ed30/principles.html
hepg.org/blog/2
www.topictlearning.com.br/blog/?p=110
www.lengel.net/cisco/briefing/day.html