Já pensou em ser um Faz-tudo 3D, um especialista em impressão 3D? Ou um curador digital, um especialista em recomendar aplicativos, hardwares e softwares? Ou mesmo um condutor de drones? Por mais bizarras que possam parecer na segunda década do século XXI, estas são algumas das profissões do futuro apontadas entre 20 carreiras que terão sucesso nos próximos anos em uma lista criada pela empresa de tendências Sparks & Honey. Não à toa, a maioria delas está de alguma forma relacionada ao mundo virtual.

Mesmo imaginando que muitas profissões, como as conhecemos hoje, não irão desaparecer no futuro, não há dúvidas de que a tecnologia irá exercer um papel preponderante em qualquer que seja a área de atuação; do agronegócio à nanotecnologia, da engenharia ao direito, do jornalismo à medicina, os profissionais que já estão ingressando e continuarão desembarcando no mercado de trabalho precisarão desenvolver competências que passam inexoravelmente pelas novas tecnologias.

Mas como nossas escolas estão preparando as próximas gerações para a nova realidade do mercado de trabalho? Há uma revolução em andamento, sem dúvida, porém ela precisa acompanhar a velocidade com que as empresas estão sendo desafiadas a incorporar em seus negócios profissionais capazes de lidar com tendências como big data, social media, marketing analytics, mobile commerce, geolocalização e seja lá o que ainda está por vir.

É visível um processo de mudança sobre o entendimento da necessidade de se incorporar, cada vez mais, tecnologias digitais nas práticas de ensino e aprendizagem. E o crescimento do acesso a Internet em todas as classes sociais é uma realidade favorável para esta transformação.

Segundo a pesquisa TIC Educação, publicada em 2012, 62% dos alunos das escolas públicas têm computador em casa. Além disso, dados do IBGE, publicados em 2013, mostram que cerca de 49,1% dos brasileiros com 10 anos ou mais, ou seja, aproximadamente 86 milhões de pessoas, usam a Internet. Outra pesquisa, realizada recentemente pela Cibersegurança AVG, mostra que praticamente toda criança brasileira com idade entre 6 e 9 anos, filha de pai ou mãe que usa Internet, está conectada e mais da metade delas está no Facebook.

Mas é preciso ter claro que a transição para esta nova escola, digitalizada, interconectada, multidisciplinar, capaz de desenvolver uma didática em que se pratica uma aprendizagem baseada em projetos e além das fronteiras das salas de aula, não será apenas uma consequência das revoluções que as novas tecnologias estão trazendo para todas as áreas do conhecimento.

Conhecer as novas tecnologias, se comunicar e se relacionar bem, ter habilidades para pesquisar e bom raciocínio lógico, além de administrar o tempo produtivamente, buscar qualidade de vida e ser socialmente responsável são alguns dos principais atributos que os headhunters buscam nos talentos deste novo mundo empresarial. E a escola precisa acompanhar estas mudanças para que cumpra sua função social de preparar cidadãos que consigam iniciar suas vidas profissionais e conquistar carreiras bem sucedidas.

A necessidade de revisão das metodologias de ensino emerge não somente do fato de que as tecnologias digitais estão cada vez mais disponíveis, mas também porque hoje temos crianças e jovens que aprendem de uma forma diferente, além do mercado de trabalho, que exige novas competências – onde leitura, escrita e raciocínio lógico deixam de ser consideradas as competências principais e básicas, juntando–se a elas competências para criar, inovar, empreender, colaborar, interagir, ser capaz de resolver problemas, exercer sua cidadania e ter caráter.

A Educação 3.0 e os recursos educacionais emergentes fazem parte de um novo cenário onde as tecnologias digitais estão cada vez mais disponíveis, na mão de alunos e professores. Trabalhar por projetos de aprendizagem, valorizar a organização de grupos de trabalho com competências diversas, estimular a ascensão de uma liderança, apresentar desafios, promover pesquisa, alavancar novas ideias e disseminar conhecimentos são algumas das tarefas que devem fazer parte da rotina do professor contemporâneo, visto como um agente de mudança e mentor, capaz não só de promover acesso a conhecimentos diversos, mas também de instigar seus alunos para vivenciar oportunidades de aprendizagem significativa.

Muitas são as tecnologias digitais que podem dar suporte a este processo, desde computadores presentes no laboratório de informática até celulares disponíveis na mão de alunos e professores. Não importa o dispositivo e sua capacidade, o importante é que ele suporte boas práticas educacionais, ou seja, é necessário perceber que o acesso a recursos tecnológicos digitais já não é mais um empecilho, mas sim devemos reconhecer o potencial das ferramentas que estão à disposição e planejar as melhores estratégias de ensino que engajem os alunos na aprendizagem.

O aprimoramento das competências laborais tem que começar já na escola! Ou ela perderá seu papel preponderante: preparar os estudantes para o mercado de trabalho, sendo capazes de “pensar fora da caixa”, buscar novos caminhos e implementar ações com alta performance, uma condição essencial para o desenvolvimento mercadológico brasileiro e para nos levar do status de emergente para país desenvolvido.

 

Fonte:www.feiraeducar.com.br