Filmes frequentemente têm sido utilizados em aulas de diversas disciplinas e com bons resultados. A linguagem cinematográfica é complexa e mistura emoção, envolvimento, enredo, ação, música, luz, movimento, mistério, desafio, suspense. Por isso mesmo apresenta ampla capacidade de comunicação. Os filmes conseguem grande aceitação por parte do público jovem, e assim apresentam imenso potencial de aproveitamento no processo educativo. Percebe-se um maior interesse por parte do aluno, a sua participação melhora e muitas vezes, algumas coisas são melhor compreendidas com filmes do que com as explicações de uma aula do professor.

Entretanto, o uso de filmes na educação não apresenta apenas aspectos positivos. Existem também questões muito problemáticas, que devem ser consideradas quando se planeja utilizar um filme em aula. As obras cinematográficas trazem valores inseridos de forma velada que muitas vezes não são percebidos. Valores capitalistas, desejo de riqueza e ascensão social. A própria linguagem cinematográfica pode ser questionada. Ela se apresenta muitas vezes estereotipada, exagerada, artificializada, espetacularizada. Muitas vezes falamos de bons filmes, que podem ser usados em sala de aula, mas a própria linguagem cinematográfica, deve ser analisada. Os “bons” filmes também usam este modelo. Frequentemente as produções que fogem desse modelo são consideradas fracas ou chatas, pois não arrebatam o espectador, não o estimulam, não causam fortes emoções.

Os filmes também veiculam outros valores mais claramente perceptíveis como violência, justiça com as próprias mãos, sensualidade, imoralidade e vingança. Muitas vezes preconceitos são passados sem que se perceba, como por exemplo o preconceito contra homossexuais, racial, de classe ou religioso.

É necessário que se compreenda que a linguagem fílmica é essencialmente semiótica, repleta de símbolos e significados a serem desvendados pelos espectadores. Assim os filmes contêm sempre valores muito questionados pelos cristãos, mas são aceitos em função das emoções, do entretenimento e também por não colocar esses valores questionados de forma clara.

O professor deve compreender nesse contexto, que trabalhar com filmes tem sim aspectos positivos, mas também negativos. É importante que fique claro ao docente que o trabalho com filmes é complexo, contraditório e também problemático. Ele exige do professor grande capacidade de interpretação, de reflexão, de interação com os alunos. Por que tudo isso? Porque muitas vezes você deve trabalhar contra o filme, pelos menos em alguns aspectos. Entretanto, o filme apresenta todo um enredo envolvente, toda uma história que trabalha com certo ponto de vista que não é fácil de ser desarmado pelo professor. Como já dissemos anteriormente, mesmo os “bons” filmes apresentam aspectos que como cristãos não poderemos concordar.

A base filosófica é, portanto, um grande problema a ser enfrentado. Ela demanda um papel ativo do professor no sentido de fazer a interpretação do filme com o aluno, procurando desvelar os conceitos e valores que sustentam a trama apresentada. Esta conduta vai ajudar inclusive no desenvolvimento do raciocínio, da postura crítica e da autonomia de pensamento, tão valorizados pela educação adventista.

Assim, deve ser destacado que cabe ao professor promover a reflexão, pois o filme em si não a estimula. Na sua grande maioria, o espectador dessas obras é passivo. Na verdade os filmes induzem a reflexão de forma muito limitada, atingindo somente àqueles elementos que já apresentam gosto e preparo para isso, como os professores, por exemplo. Mas não se iluda, sem um trabalho bem feito, a maioria de seus alunos não fará a leitura crítica que você deseja de um filme.

Algumas sugestões práticas:

  • não “passe” filmes, estude filmes;
  • faça interrupções periódicas e promova a discussão crítica;
  • mantenha sempre uma postura analítica e interpretativa;
  • estude o filme antes de exibí-lo em aula; recorra à textos da internet e à livros que tratem dele;
  • promova a integração da fé e do ensino nesse trabalho;
  • incentive os alunos a fazerem a sua análise do filme;
  • deixe explícitos, seja coordenando a discussão dos alunos ou mesmo por suas palavras diretas, os aspectos negativos com os quais não podemos concordar;
  • prepare-se muito bem e sucesso em seu trabalho.

 

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