A capacidade de mobilizar-se para a aprendizagem não é mais uma habilidade requerida apenas da escola. A necessidade de educação contínua dos profissionais que pretendem se destacar na sociedade atual exige que eles desenvolvam a capacidade de adquirir conhecimento com autonomia, e grande é a importância da família na formação desses indivíduos.

Seguem algumas dicas preciosas, capazes de promover o aproveitamento escolar a níveis que ultrapassam o objetivo imediato das notas escolares e produzem conhecimento que será útil no decorrer da vida. Mais que isso, a utilização de estratégias de estudo apropriadas desenvolve as ferramentas cognitivas que tornarão o indivíduo apto a realizar as mais diversas atividades.

1. Estudar diariamente

O aluno que deseja realmente aprender e a família que compreende a importância do desenvolvimento cognitivo e expansão do conhecimento sabem que estudar apenas na véspera da prova não produz conhecimento que será armazenado a longo prazo. Estudar deve ser um hábito diário, com tempo e local específicos, determinados para essa finalidade. Esse horário pode ser dividido em três partes distintas: (1) revisão da matéria do dia; (2) estudo de conteúdos que devem ser automatizados (tabuada, conjugação de verbos, tabela periódica, etc.), de acordo com as necessidades do ano escolar; (3) dedicação à(s) disciplina(s) de maior dificuldade. Ao longo da semana, essa ordem deve ser alterada.

2. Ler o livro didático

Por razões metodológicas, o professor não passará sua aula lendo, linha por linha, o livro didático. Leitura é uma atividade que pode e deve ser realizada individualmente, e o tempo em sala deve ser usado para explicações e estratégias de ensino diversificadas.

Embora não seja um hábito comum em nosso ambiente cultural, o rendimento do aluno é otimizado quando, mesmo antes da explicação do professor, o livro didático é lido em casa. A preparação do estudante, lendo antecipadamente o capítulo que será ensinado, além de desenvolver a capacidade de interpretação, permite que ele faça conexões entre o assunto abordado em aula com as noções adquiridas por meio da leitura prévia. E não vale ler rapidamente, pulando palavras desconhecidas e comprometendo a compreensão. As palavras desconhecidas devem ser sublinhadas e consultadas no dicionário, e as dúvidas, destacadas e posteriormente solucionadas com o professor.

3. Repetir sem repetir

Após a aula, o conteúdo deve ser revisado. Isso não significa, no entanto, que a matéria deve simplesmente ser lida ou reescrita da mesma forma. O segredo é repetir o maior número de vezes possível, porém sem repetir (SPRENGER, 2008)! Parece confuso, mas trata-se apenas de rever o assunto de outra forma. O aluno pode ver vídeos sobre o assunto (a internet os apresenta em grande quantidade), ler uma revista sobre o mesmo tema, criar um desenho ou mapa conceitual que o represente e finalmente, algo que é de extrema importância, parafraseá-lo. Isto significa que o aluno expressará o assunto, verbalmente ou por escrito, com suas próprias palavras. Ao recodificar as informações em sua própria linguagem, o desempenho é substancialmente melhorado.

4. Automatizar o que é possível

Embora algumas correntes “progressistas” tenham rotulado como obsoletas algumas práticas educacionais, os estudos na área do processamento revelam que alguns conhecimentos devem, sim, ser automatizados. Alguns exemplos claros dessa categoria de conteúdos são: fatos numéricos da adição, subtração e multiplicação (tabuada); vocabulário de línguas estrangeiras; conjugação verbal. Levine (2003, p. 102) afirma:

Enquanto uma criança progride na escola e na vida, o acesso ao que está armazenado na memória remota torna-se mais fácil e rápido. Isso se chama automatização progressiva. Muito do que os estudantes são solicitados a extrair da memória remota precisa estar acessível instantaneamente e disponível para utilização sem nenhum gasto de energia ou esforço mental.

Ou seja, memorizar certas informações que serão usadas com frequência é importante, pois lembrar exige menos do cérebro do que processar novamente a informação. Além disso, a evocação rápida permite que os recursos cognitivos sejam realmente utilizados para a solução dos problemas. Portanto, o segredo é treinamento!

5. Tratar cada matéria de forma apropriada

Enquanto matérias mais teóricas podem ser estudadas por meio de leitura, repetição em voz alta, construção de imagens e mapas conceituais, outras dependem desses recursos para a compreensão, mas devem ser fixadas por meio de exercícios. É o caso, por exemplo, de cálculos de Matemática, Física e determinados conteúdos de Química. Em séries iniciais, o princípio aplica-se até mesmo para conteúdos de Língua Portuguesa, como separação de sílabas e classificação por tonicidade. Entender é fundamental, mas exercitar torna mais seguro e automático.

Para interpretação e redação, embora os exercícios sejam úteis, nada é tão benéfico quanto o hábito de leitura reflexiva de diversos gêneros textuais, preferencialmente seguida de diálogo sobre o tema.

Cada conteúdo deve ser tratado, portanto, da forma que melhor permitir sua fixação no cérebro.

6. Diversificar

Estudar pode ser muito chato, especialmente em um mundo de diversões rápidas. Porém, muito do que fazemos em nossa vida exige esforço, por mais que tenhamos o desejo de gastar nosso tempo com o que nos dá maior prazer.

Mesmo sendo uma obrigação, algumas questões relacionadas ao estudo podem se tornar um pouco mais interessantes quando transformadas em atividades diferentes. Por exemplo: o vocabulário de Inglês pode ser decorado por meio de um jogo da memória; as formas de relevo e suas definições, por meio de um jogo de bingo; as palavras que devem ser classificadas de acordo com sua função gramatical podem ser recortadas e coladas em colunas de cores diferentes. Tudo isso contribui para que o estudo se transforme em uma experiência mais agradável e, devido à novidade, o cérebro seja inundado pela norepinefrina, que o desperta, favorecendo a memorização (SPRENGER, 2008).

7. Usar recursos multimídias

Quer sejam vídeos e animações de internet ou apresentações ilustradas, elaboradas pelo próprio aluno, os recursos multimídias despertam a atenção e auxiliam no estudo.

8. Explorar os sentidos

Os sentidos são janelas pelas quais o estímulo entra em nosso cérebro. Estudar um assunto utilizando estímulos sensoriais diversificados permite que a informação, além de entrar por vários caminhos, seja fixada em diversos pontos, o que otimiza a retenção e permite a recuperação do conhecimento de forma mais espontânea.

9. Expor

Muitos quartos de crianças e adolescentes são cheios de pôsteres do time e celebridades e de fotos. A mesma estratégia pode ser usada para facilitar os estudos. Dedique uma parte pequena da parede a um quadro onde possam ser fixados conteúdos visíveis, de forma atrativa. Podem ser os desenhos ou mapas conceituais que o aluno fez em seu horário de estudo, algumas datas e eventos que achou difícil memorizar, aquela tabuada que trava na hora do uso… Bombardeie o cérebro com a informação, e ele responderá à altura.

Aprender a estudar dá trabalho. Porém, o exercício constante transforma o cérebro em um verdadeiro “atleta”, e o uso das ferramentas cognitivas torna sua ativação cada vez mais simples e automática. Os resultados compensam no boletim e principalmente a longo prazo.

 

Referências
LEVINE, Mel. Educação individualizada: motivação e desenvolvimento sob medida para seu filho. Rio de Janeiro: Campus, 2003.
SPRENGER, Marilee. Memória – como ensinar para o aluno lembrar. Porto Alegre: Artmed, 2008.
Imagem: Cirodelia / Fotolia