Disciplina

A disciplina é necessária por diferentes motivos no ambiente escolar. Em primeiro lugar, é a disciplina que garante a segurança de seu filho na escola. Regras que podem parecer exageradas para uma família que possui dois ou três filhos são absolutamente necessárias em um ambiente em que se gerencia a presença de 300, 500 ou 1.000 crianças. Coibir a violência ou até mesmo evitar acidentes pode demandar o estabelecimento de regras que nem sempre as crianças gostam, mas que são extremamente necessárias. Quando o assunto é aprendizagem, essa responsabilidade se acentua. O ambiente silencioso de uma sala de aula é fundamental para que os alunos consigam prestar atenção – um requisito fundamental à aprendizagem. Falar em sala de aula é adequado apenas nos momentos em que isso faz parte da atividade, e conversas paralelas – mesmo aquelas “sobre o assunto”. O ruído em sala de aula é responsável por muitos prejuízos acadêmicos, e é papel da escola exigir que o aluno, quer esteja realizando uma atividade ou a tenha terminado, prejudique a si mesmo ou aos outros.

Compromisso

A vida exige responsabilidade e compromisso para o exercício profissional e boa convivência em sociedade. O irônico é ver que muitos pais de adolescentes e jovens adultos queixam-se da falta dessas características em seus filhos, mas deixam de perceber que elas começam a ser desenvolvidas desde a infância.  Por isso, é importante compreender que a exigência de tarefas por parte da escola, bem como o total apoio dos pais a essa demanda, é fundamental para o desenvolvimento dessas qualidades. Realizar as tarefas, entregar as atividades na data solicitada, e outras exigências escolares são essenciais à formação, e os pais que desejam que seus filhos se tornem responsáveis precisam conscientizá-los da necessidade de atendê-las, ao invés de se queixar a respeito de sua quantidade, grau de dificuldade ou solicitar chances adicionais quando os combinados não são cumpridos.

Esforço

Lamentavelmente, a expectativa de que bons resultados provenham de algo diferente do esforço é comum na cultura brasileira. A ética do trabalho – aquela que afirma que os maiores esforços devem ser empreendidos desde cedo para alçar aos patamares do sucesso – não é uma característica cultural da nossa sociedade. Essa colocação pode parecer dura, mas é validada por inúmeras situações cotidianas e escolares. É comum ver alunos chegarem ao Ensino Fundamental 2 sem o completo domínio da tabuada. Eles entendem seu funcionamento, mas não se deram ao trabalho de decorá-la. É possível compreender conteúdos posteriores sem esse requisito? Sim, sem dúvida. Entretanto, estudos mostram que  a maioria dos erros matemáticos são ocasionados por erros em fatos numéricos – a tabuada. Além disso, desviar os recursos cognitivos (raciocínio, por exemplo) para obter informações que poderiam facilmente ser evocados da memória remota, ocupa a memória de trabalho, tornando o aluno mais suscetível a erros na solução dos problemas. O mesmo ocorre com outros conteúdos que exigem apenas estudo. É frequente a queixa de professores que dizem que os alunos acertam questões cujas respostas já estão na prova (assinalar sentenças corretas, relacionar colunas, por exemplo), o que revela que a matéria foi compreendida. No entanto, questões dissertativas são respondidas de forma equivocada ou deixadas em branco por falta de estudo.

Esses são apenas alguns exemplos de falta de esforço. Como pais, precisamos orientar nossos filhos a fazerem seu melhor, a dedicarem tempo naquilo que é importante, e a reservarem os momentos de lazer para atividades que realmente promovam a recreação  física e mental, e não ao entretenimento inútil ou excessivamente estimulante, que paralisa a mente e a programa para responder apenas àquilo que é excitante, sem capacidade de concentração.

Sem dúvida, o problema educacional exige reformas estruturais profundas. No entanto, independentemente da situação, a aplicação desses três princípios causaria uma mudança qualitativa considerável. Cabe a nós, educadores, mostrarmos aos nossos filhos e alunos que a exigência é uma outra face da moeda do amor – aquela que modela um caráter firme, que prepara para a superação de obstáculos ao longo da vida, desenvolvendo as características necessárias a uma existência útil e bem-sucedida.

 

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